O britânico Mark Cavendish (Etixx-Quickstep) pôs hoje ponto final a uma seca de dois anos na Volta a França em bicicleta, ao impor-se na sétima etapa para conquistar a sua 26.ª vitória na prova.

“Queria isto. Ontem (quinta-feira), enquanto estava deitado no meu quarto com a minha mulher e a minha filha, tive um ‘feeling’. Simplesmente tive um ‘feeling’. Estava relaxado e sabia que hoje ia correr bem”, revelou Cavendish, depois de suspirar quando questionado sobre o que sentiu ao voltar a vencer no Tour.

Com um ‘sprint’ a fazer lembrar os seus melhores tempos, aqueles em que dominava sem oposição as chegadas em velocidade, o britânico, de 30 anos, somou a sua 26.ª vitória no Tour, tendo agora apenas Eddy Merckx (34) e Bernard Hinault (28) à sua frente no ‘ranking’ dos ciclistas mais vitoriosos de sempre na ‘Grande Boucle’.

“A equipa estava motivada, pude percebê-lo pela forma como o [Michal] Golas estava a puxar hoje. Fracassei algumas vezes, mas eles mantiveram a fé em mim. É incrível depois da vitória do Stybi e do abandono do Tony [na quinta-feira]. Regressar hoje como fizemos e ganhar é fantástico. Isto também é para o Tony”, disse o homem da Etixx-Quickstep.

E ao sétimo dia, finalmente, o pelotão descansou. Os sobressaltos dos dias anteriores – quedas, azares, cortes – deram lugar a uma jornada em que o ciclismo foi o único protagonista, a par de Chris Froome, que recusou vestir a camisola amarela em solidariedade com o azarado Tony Martin (o ciclista da Etixx-Quickstep abandonou com uma fratura na clavícula), e dos cinco fugitivos que animaram a jornada desde o quilómetro dois dos 190,5 entre Livarot e Fougères.

Entusiasmado por ter entrado na história do Tour – é o primeiro ciclista africano em 102 edições a vestir a camisola da montanha -, o eritreu Daniel Teklehaimanot (MTN-Qhubeka) decidiu mostrar a sua veste às bolinhas vermelhas, juntando-se a Kristjian Durasek (Lampre-Merida), Luis Angel Maté (Cofidis) e Anthony Delaplace e Brice Feillu (Bretagne-Séché Environnement).

O quinteto, que nunca conseguiu uma margem superior a quatro minutos, manteve-se na frente até à entrada dos 15 quilómetros finais, altura em que o trabalho de Etixx-Quickstep, Giant-Alpecin e Lotto Soudal, que já tinham apanhado Teklehaimanot, anulou a tentativa do dia.

Os momentos seguintes foram a réplica perfeita do que se espera de uma chegada ao ‘sprint’: comboios alinhados, lançamento preparado e primeira arrancada de André Greipel, que, desta vez, falhou o ‘timing’ e não conseguiu aguentar a investida de Cavendish.

O ‘Expresso da Ilha de Man’, atormentado por dois anos sem triunfos no Tour – a sua última vitória, a 25.ª, remontava a 12 de julho de 2013 -, saltou de trás, ultrapassando o alemão da Lotto Soudal para vencer a sétima etapa e ultrapassar André Leducq na lista dos mais vitoriosos de sempre na prova francesa.

“O ‘buraco’ estava lá e eu simplesmente fui atrás. O Greipel é um senhor, ele podia ter-me fechado – o Sagan tê-lo-ia feito”, disse, mencionando o terceiro classificado da sétima etapa.

Apesar de continuar a acumular postos de honra sem ganhar, o eslovaco da Tinkoff-Saxo é quem mais tem beneficiado do regresso das bonificações, tendo hoje subido ao segundo posto da geral, apenas 11 segundos atrás de Chris Froome. O britânico da Sky tem o seu mais direto concorrente entre os candidatos à geral, o norte-americano Tejay Van Garderen (BMC), a 13 segundos.

Entre os portugueses, só José Mendes perdeu tempo (24 segundos) para o pelotão, que cumpriu a tirada em 04:27.25 horas.

O ciclista da Bora-Argon 18 é quem pior está na classificação geral, ocupando a 176.ª posição, a 49.53 minutos. Rui Costa (Lampre-Merida) é 24.º, a 03.58 minutos, Tiago Machado (Katusha) é 91.º, a 22.24 e Nelson Oliveira (Lampre-Merida) é 24.20.

Na oitava etapa, o pelotão vai percorrer 181,5 quilómetros entre Rennes e o Mûr-de-Bretagne, com a meta a coincidir com uma contagem de montanha de terceira categoria.

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