A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) assinou hoje o contrato de concessão da organização da Volta a Portugal, que entrega à empresa Podium Events, atual organizadora da prova, até 2025, com o objetivo de atrair melhores equipas e corredores.

Num evento realizado na sede do organismo federativo, em Lisboa, o presidente da FPC, Delmino Pereira, explicou que o novo contrato conta com dois anexos: as condições do concurso, que havia terminado a 31 de março, e a proposta apresentada pela empresa, que foi a única a ir a concurso.

"Com este contrato planeamos o ciclismo a oito anos. É um momento de muita importância para o futuro do ciclismo em Portugal", disse o líder da entidade, vincando que a FPC "está grata" à Podium Events pelo trabalho realizado e por ir ao encontro da vontade de atrair melhores corredores, de chegar a todas as regiões e de adotar novas regras para a competição.

Com efeito, a organização comprometeu-se a não admitir a contratação para o ‘staff’ de pessoas condenadas por infrações às normas antidopagem nos cinco anos anteriores, bem como a não aceitar ciclistas que sejam suspensos da atividade desportiva, devido a doping, por pelo menos dois anos, ou de equipas com duas ou mais condenações pelas mesmas infrações nos 24 meses anteriores.

"Entendemos que devíamos reposicionar-nos com algumas regras novas que assentam numa forma de trabalhar mais clara. A Volta é um dos maiores ativos da FPC e é fundamental para o desenvolvimento das equipas e do ciclismo nacional. Temos de fazer o melhor possível e queremos que a Volta seja um evento de referência", acrescentou Delmino Pereira.

Uma das dificuldades para a afirmação internacional da Volta a Portugal tem sido o seu enquadramento no calendário internacional, entre o ‘Tour' e a ‘Vuelta', que acabam por concentrar as atenções das equipas e dos corredores de topo. Confrontada com esta situação, a organização reconhece o contexto, mas sem pensar, por agora, numa alteração das datas.

"A Volta a Portugal é uma equação difícil, porque os portugueses gostam que se realize naquelas datas. A convicção é que a manutenção da data é o ideal, pensamos que perderíamos demasiadas coisas só para ir no sentido da internacionalização. Estamos a trabalhar para que as melhores equipas venham", afirmou José Carmona, administrador da Podium Events.

Contudo, o representante da empresa não deixou de lamentar a falta de apoios do Turismo de Portugal em relação à Volta, que poderiam ser úteis para captar equipas de maior dimensão, e lembrou ainda as dívidas das câmaras municipais, sendo citado o exemplo do município de Aveiro, que, alegadamente, tem uma dívida na ordem dos 150 mil euros à organização.

"Estamos de acordo que a Volta precisa de melhores equipas", frisou, tendo sido secundado por Delmino Pereira no discurso: "É preciso um pouco de otimismo e lutar para que as coisas aconteçam, porque temos um produto de excelência com uma transmissão televisiva espetacular e muito público".

O contrato de concessão estipula ainda que a Podium Events fica responsável pela organização da Volta a Portugal do Futuro e por uma prova internacional com duração de cinco dias.

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