O talento de Lennard Kämna emergiu hoje na 16.ª etapa da Volta a França, com o ciclista alemão a dar a primeira alegria à Bora-hansgrohe nesta edição e a levar a melhor no frente-a-frente com Richard Carapaz.

Quatro dias depois de ver Daniel Martínez negar-lhe o triunfo no alto de Puy Mary, Kämna voltou a tentar, repetindo a ‘tática’ ao integrar a ‘gigantesca’ fuga da jornada, e, nos quilómetros finais da subida Montée de Saint-Nizier-du-Moucherotte, ‘livrou-se’ do equatoriano e vigente campeão do Giro para celebrar a sua primeira vitória no Tour e em grandes voltas.

“Sinto-me fantástico. Foi um dia absolutamente espetacular para mim. Foi uma luta desde o início e sabia que tinha de chegar ao final sozinho. Quando percebi que o Carapaz estava a baixar a velocidade, pensei ‘agora é o momento para atacar’ e fui a fundo até ao final. É um grande alívio para a equipa e para mim. Quase não consigo acreditar: o meu progresso este ano é enorme e sou tão abençoado por ter ganhado hoje”, disse o jovem de 24 anos, que deu a primeira etapa à Bora-hansgrohe, após tantas tentativas falhadas, nomeadamente por Peter Sagan.

A jornada entre La Tour-du-Pin e Villard-de-Lans e as suas cinco contagens de montanha, estrategicamente colocadas ao longo de 164 quilómetros, era perfeita para uma fuga bem-sucedida e, cientes disso, os aventureiros do pelotão e os ciclistas que não têm nada a perder, só eventualmente uma etapa a ganhar, tentaram a todo o custo destacar-se na frente.

Os primeiros foram Richard Carapaz, a tentar defender a honra perdida da INEOS, e Nicolas Roche (Sunweb), que, logo ao quilómetro 22, receberam a companhia de uma multidão: Andrey Amador (INEOS), Kämna e o seu colega Daniel Oss, Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep), Sébastien Reichenbach (Groupama-FDJ), Alberto Bettiol (Education First), Winner Anacona e Warren Barguil (Arkéa-Samsic), Imanol Erviti e Carlos Verona (Movistar), Matteo Trentin (CCC), Chris Juul Jensen (Mitchelton-Scott) e Quentin Pacher (B&B Hotels-Vital Concept).

Com o pelotão, placidamente comandado pela Jumbo-Visma, a ‘autorizar’ o êxito da fuga, Pierre Rolland (B&B Hotels-Vital Concept) Casper Pedersen e Tiesj Benoot (Sunweb) tudo fizeram para chegar aos 15 da frente, uma missão concluída percorridos que estavam 56 quilómetros.

Mas a numerosa escapada ainda receberia outros cinco ciclistas - Pavel Sivakov (INEOS), Mikel Nieve (Mitchelton-Scott), Romain Sicard (Total Direct Energie), Simon Geschke (CCC) e Neilson Powless (Education First)-, alcançando mais de 16 minutos de vantagem para o grupo do camisola amarela.

O bom entendimento dos fugitivos, interrompido apenas nas aproximações às contagens de montanha pelos ataques de um Pierre Rolland apostado em ‘roubar’ a camisola das bolas vermelhas a Benoît Cosnefroy (AG2R La Mondiale) – não conseguiu ir além do empate com o seu compatriota, que assim mantém a camisola -, terminou na subida de primeira categoria a Montée de Saint-Nizier-du-Moucherotte.

Na grande dificuldade da jornada, destacaram-se Alaphilippe, Reichenbach, Kämna e Carapaz, com os dois primeiros a não aguentarem a pedalada do alemão e do equatoriano, que, por sua vez, não aguentou um ‘esticão’ do ciclista da Bora-hansgrohe.

Sétimo classificado da Volta ao Algarve em fevereiro e vencedor de uma etapa no último Critério do Dauphiné, o antigo vice-campeão mundial de sub-23 (2017) só parou na meta, quando o cronómetro registou 04:12.52 horas. Richard Carapaz foi segundo, a 01.27 minutos, falhando o prémio de consolação para a INEOS, e o suíço Sébastien Reichenbach foi terceiro, a 01.56.

O grupo do camisola amarela chegou 16.48 minutos depois, impulsionado por uma aceleração de Miguel Ángel López (Astana), a tentar ganhar segundos na véspera de uma jornada decisiva da ‘Grande Boucle’: os 170 quilómetros entre Grenoble e o Col de la Loze, pontuados por duas contagens de categoria especial, a primeira instalada no emblemático Col de la Madeleine, e a segunda na meta.

A tentativa do colombiano, que é quarto, foi em vão e as contas da geral permaneceram iguais, com os eslovenos Primoz Roglic (Jumbo-Visma) e Tadej Pogacar (UAE Emirates) separados por 40 segundos nos dois primeiros lugares, e o também colombiano Rigoberto Úran (Education First) na terceira posição, a 01.34 minutos. O português Nelson Oliveira (Movistar) é 62.º a 02:16.23 horas do camisola amarela.

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