A Volta a Itália definiu o tipo de ciclista que João Almeida é, considerou o jovem português numa entrevista à Lusa em que projetou o futuro e assumiu que gostaria de ganhar “uma grande Volta ou uma grande clássica”.

Duas semanas após ter-se convertido no melhor português de sempre na ‘corsa rosa’, ao ser quarto classificado na geral final, João Almeida olha para o seu desempenho no Giro, que liderou durante 15 dias, como definidora do tipo de corredor que é.

Veja a entrevista de João Almeida.

“No passado, já tinha mostrado que podia ser um corredor para a geral, mas em corridas de uma semana, 10 dias, que era o que tinha feito. Mas numa grande Volta, como voltista, [este resultado] revoluciona, também para mim. Se calhar, sou este tipo de corredor, ainda sou novo, certamente que me focarei totalmente nisto e é aquilo que eu realmente gosto, corridas à geral”, reconheceu.

Embora confesse que, para si, “isto já é o céu”, o jovem da Deceuninck-QuickStep quer afinar pormenores para “evoluir mais” e, de ano para ano, ficar melhor. “Esse é o truque: trabalhar mais arduamente e colheremos os frutos. [Melhorar] na montanha, a capacidade física, ficar mais forte”, enumerou.

A seu favor, no percurso que vai trilhar para se tornar um voltista (re)conhecido, o ‘miúdo’ de A-dos-Francos, nas Caldas da Rainha, tem uma característica que o distingue de outros: a de ‘crescer’ quando veste a camisola de líder de uma prova, seja ela qual for.

“Normalmente, fico nervoso é antes. Por exemplo, nos dias antes, em que estava ali perto, em segundo, terceiro lugar, a uns segundos da camisola rosa, aí sim, estava nervoso, porque sabia que poderia vestir a camisola. Assim que vesti a camisola, [fiquei] totalmente calmo, porque já tinha [atingido] o grande objetivo. Há corredores que nunca vestem uma camisola de líder na sua carreira e eu, ainda tão novo, consegui vestir a camisola uma vez. Já estava supercontente. Daí para a frente, foi levar as coisas com calma, dia a dia, e ver até onde poderia chegar”, notou.

Depois de ter ‘pulverizado’ vários recordes nacionais – não só é já, aos 22 anos, o melhor ciclista luso no Giro, como aquele que mais dias liderou uma grande Volta – e internacionais – passou a ser o sub-23 que mais dias vestiu a ‘maglia rosa’, ultrapassando o ‘Canibal’ Eddy Merckx, algo que define como “inexplicável” -, João Almeida sabe que os olhos do mundo velocipédico estarão voltados para si.

“No fundo, acho que é motivação e não é bem pressão, mas responsabilidade. Claro que agora há mais responsabilidade de fazer resultados e, lá está, a expectativa também é maior. Agora, corresponder à expectativa traz essa responsabilidade, que, [por sua vez], traz um pouco de pressão, mas acho que é positivo”, afirmou.

Confiante mas modesto, o jovem português recusou as comparações com Julian Alaphilippe, o campeão do mundo e a ‘coqueluche’ do ciclismo francês, e Remco Evenepoel, o fenómeno belga de apenas 20 anos, considerado por muitos como o novo Merckx, dizendo ainda não estar à altura dos seus companheiros de equipa.

“O Alaphilippe tem um palmarés impressionante, já ganhou quase tudo o que havia para ganhar e demonstra ser um corredor para qualquer tipo de corrida, e o Remco também já ganhou bastante e é mais novo do que eu. Vamos caminhando passo a passo e sem grandes dispersões e fazer o meu caminho”, reforçou, rindo-se perante a constatação de que, ainda assim, é ele que tem o melhor registo de sempre em grandes Voltas: “É verdade. Os recordes são para ser batidos”.

Ressalvando ainda não estar “ao mesmo nível” dos seus companheiros dentro da Deceuninck-QuickStep, Almeida concedeu, no entanto, que subiu uns degraus na equipa com o seu desempenho no Giro e que, embora continue a encarar “as coisas da mesma maneira” e a ser o mesmo João, o quarto lugar na ‘corsa rosa’ lhe abriu perspetivas.

“Se demonstrar que sou o mais forte e que tenho capacidade para liderar uma equipa, serei líder, mas, se houver alguém mais forte do que eu, terei todo o gosto em trabalhar para o meu colega de equipa”, admitiu, antes de destacar que foi “uma ótima escolha” assinar pela formação belga.

Ainda de férias, após uma temporada curta (devido à pandemia de covid-19), mas intensa, e sem conhecer o seu calendário para 2021, o jovem português confessou que, “pessoalmente, gostaria de voltar ao Giro”, uma corrida que sempre gostou, e, a curto/médio prazo, disputar as grandes clássicas, como a Liège-Bastogne-Liège, que já venceu no escalão sub-23, ou a Flèche Wallonne, e ainda o Tour e a Vuelta.

A viver um idílio rosa, João Almeida confessou que o seu sonho é “ganhar uma grande corrida”. “Uma grande Volta, uma grande clássica, Liège… ser campeão do mundo também é um grande sonho de todos, usar aquelas riscas. Um dia, quando acabar a minha carreira, sentir que foi uma escolha acertada e que realmente gostei disto e que valeu a pena”, rematou.

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