Kasper Asgreen beneficiou hoje dos caprichos do vento para pulverizar o recorde dos 20,3 quilómetros do contrarrelógio da Lagoa, numa etapa da Volta ao Algarve em bicicleta marcada pela queda de Ethan Hayter, que ainda assim reforçou a amarela.

Não fosse a queda do jovem britânico da INEOS, que, apesar do percalço, ainda conseguiu distanciar-se do português João Rodrigues (W52-FC Porto), com quem estava empatado na geral, e o dinamarquês da Deceuninck-QuickStep teria ‘honras’ de protagonismo solitário na quarta tirada, ou não tivesse o recente vencedor da Volta a Flandres pedalado a uma média de 51,034 km/h para fixar em 23.52 minutos o novo recorde no circuito de Lagoa.

Mas Ethan Hayter, que já vinha a marcar o segundo melhor tempo no primeiro ponto intermédio, caiu e o suspense da tirada aumentou, com o camisola amarela a cortar a meta, ensanguentado, com o nono lugar na jornada, a 01.02 minutos do vencedor, mas com uma vantagem de 12 segundos sobre o vencedor da Volta a Portugal de 2019.

Ao longo da tarde, as surpresas foram-se sucedendo em Lagoa, precisamente no mesmo circuito de 20,3 quilómetros percorrido nas três edições anteriores, com o recorde estabelecido no ano passado por Remco Evenepoel, rumo ao triunfo na 46.ª edição da ‘Algarvia’, a ser sucessivamente melhorado.

Décimo nono a sair para a estrada em Lagoa, Benjamin Thomas foi o primeiro a ‘apagar’ o nome do ‘prodígio’ belga do livro dos recordes, ao parar o cronómetro nuns impressionantes 24.01 minutos, retirando seis segundos ao tempo de Evenepoel.

O tempo do campeão francês da especialidade em 2019 e atual campeão mundial de omnium parecia imbatível até Rafael Reis baixar a marca do ciclista da Groupama-FDJ no segundo ponto intermédio, uma superioridade confirmada na meta: o melhor contrarrelogista português a alinhar nas equipas nacionais cumpriu a etapa em 23.55 minutos.

“Não estava à espera de bater o recorde do percurso, mas também estamos numa altura diferente do ano. O vento estava ligeiramente diferente das outras vezes: estava a bater meio de lado na primeira parte do percurso, e nos outros anos estava de frente. […] Na subida do Carvoeiro, estava de costas”, detalhou o corredor da Efapel, para justificar o ‘desfile’ de recordes.

Quarto no ‘crono’ sub-23 dos Mundiais de 2014 e ‘rei’ dos prólogos na Volta a Portugal (venceu em 2016 e 2018 e foi segundo no ano passado), aquele que é um dos mais subvalorizados ciclistas nacionais ainda sonhou com o triunfo, mas viu o campeão dinamarquês da especialidade (e também de fundo) negar-lhe a festa por apenas três segundos.

“Sabia de antemão que o Benjamim Thomas tinha o melhor tempo do percurso e, quando bati o seu registo, sabia que agora o recorde era meu”, contou à Lusa o novo terceiro classificado na geral, a 21 segundos de Hayter, que provavelmente até teria estado na luta pelo ‘crono’ caso não tivesse caído.

Mas o camisola amarela entrou mal numa curva, perdeu o controlo da bicicleta e foi embater nas baias da estrada: “Estou bastante maltratado, para ser honesto. Foi uma queda a alta velocidade: Abordei mal a curva e havia um pouco de areia, perdi a aderência e fui a deslizar pelo asfalto. Felizmente, não perdi muito tempo a verificar que estava ok, e, felizmente também, não bati com a cabeça com muita força”.

Com sangue a manchar-lhe a amarela, o jovem de 22 anos não desistiu e fez “o que podia para limitar as perdas e salvar a camisola amarela”, pedalando em sofrimento até à meta.

Enquanto João Rodrigues aguardava, expectante, para ver o tempo do seu maior adversário aparecer no quadro eletrónico, o britânico passou ‘disparado’ para a ambulância, onde recebeu assistência durante largos minutos, obrigando a um longo compasso de espera na cerimónia protocolar.

E foi sem camisola, com os rasgões na pele em evidência, que apareceu para envergar uma nova amarela, que escondeu momentaneamente as mazelas, também visíveis nas pernas, antes de novas manchas vermelhas começarem a denunciá-las.

“Ainda não pensei muito bem como farei amanhã [no domingo]”, reconheceu um ainda atordoado Hayter, que tem ‘apenas’ 170,1 quilómetros, com partida em Albufeira e chegada ao Malhão, entre si e a vitória final na 47.ª ‘Algarvia’, numa luta que deverá reduzir-se aos três primeiros da geral.

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