Fabio Jakobsen é um homem feliz por estar de regresso à Volta ao Algarve em bicicleta, uma prova de “boas memórias” e que representa mais um passo no processo de recuperação que, espera, possa levá-lo à Volta a Espanha.

Fabio Jakobsen tem tentado passar despercebido nesta 47.ª Volta ao Algarve: protegido pela equipa, que pede àqueles que com ele falam para não revisitarem a traumática queda na Volta à Polónia, o holandês evita aglomerações – antes do arranque da primeira etapa, na quarta-feira, em Lagos, foi o único dos ciclistas da Deceuninck-QuickStep a faltar ao convívio no café -, juntando-se ao pelotão mesmo no último momento antes do arranque da tirada.

Com o rosto oculto atrás da máscara anti-covid, que ‘esconde’ as evidentes mazelas da gravíssima queda que sofreu no início de agosto, o jovem ‘sprinter’ não esconde a felicidade por estar de volta ao pelotão, com os olhos a sorrirem ao mesmo tempo que solta um “oh, é realmente bom” ao falar do regresso à ‘Algarvia’.

“Está bom tempo, é uma boa corrida, estou contente por estar aqui”, acrescenta, em declarações à Lusa.

Jakobsen tem “boas memórias” das suas passagens pela Volta ao Algarve, “uma boa corrida de cinco dias, com um bom percurso”, mas, este ano, garante, não será novamente o ‘rei dos sprints’, como nas duas edições anteriores, em que conquistou a primeira etapa e a respetiva primeira camisola amarela, além de ter vencido a classificação por pontos em 2020.

“Agora, estou ‘ocupado’ com o meu regresso, por isso, provavelmente, não serei o ‘rei dos sprints’ aqui, mas temos o Sam Bennett, já ganhámos uma etapa com ele. A atmosfera na equipa é boa”, revela.

Bem mais discreto do que na última edição, na qual formou uma dupla a transbordar de confiança com Remco Evenepoel, o holandês nega ter sido ele a ‘ensinar’ ao seu companheiro Bennett a fórmula para triunfar na primeira jornada da ‘Algarvia’.

“Ele sabe como vencer, mas ajudei-o. Penso que foi um grande esforço coletivo, e o Sam finalizou-o na perfeição. Estou feliz por estar nesta equipa”, destaca, num gesto de gratidão para um coletivo que tanto o apoiou.

Após oito meses de paragem, sabe que está numa fase diferente da sua promissora carreira e parece lidar bem com isso, avançando que hoje, no final da ligação entre Faro e Tavira, não estará na disputa do ‘sprint’ final.

“Vou fazer o mesmo que fiz em Portimão: vou ajudar o Sam e, com sorte, conquistaremos outra vitória”, diz o campeão holandês de fundo de 2019.

O ciclista da Deceuninck-QuickStep mostra-se realizado com a sua nova função de lançador de outras ‘estrelas’ do ‘sprint’, depois de, no seu regresso à competição, ter ajudado a ‘ressuscitar’ a lenda Mark Cavendish, vencedor de quatro etapas na Volta à Turquia, após um interregno de triunfos de 1.159 dias.

“É verdade. Começamos por ajudar outros e, depois, ganhamos nós. Estou desejoso de ser eu a ganhar, mas tenho de ir passo a passo”, lembra.

Embora seja evitado, o tema da queda na Volta a Polónia vai aparecendo pontualmente no discurso do jovem holandês, outra das cicatrizes visíveis do terrível acidente, provocado pelo compatriota Dylan Groenewegen, que o ‘atirou’ contra as barreiras num ‘sprint’ a 80 km/hora.

Jakobsen, que perdeu todos os dentes, à exceção de um, e teve de levar 130 pontos na face, depois de bater violentamente com a cara nas baias de ferro que ladeavam a chegada, ficou em estado grave e foi mesmo colocado em coma induzido pelos médicos, ficando internado durante uma semana na unidade de cuidados intensivo do hospital de Santa Bárbara, em Sosnowiec, na Polónia.

Agora, ultrapassadas várias operações para reconstrução do rosto – foi-lhe, inclusive, retirado um osso da zona pélvica para ser colocado nos maxilares – e um longo período de convalescença, olha para o futuro com cautelas, adiantando à Lusa que deverá estar no Critério do Dauphiné (30 de maio a 06 de junho) e que, depois, espera regressar à Vuelta (14 de agosto a 05 de setembro), onde há dois anos venceu duas etapas.

Enquanto trabalha para estar na última das três ‘grandes’, Jakobsen vai espreitar a Volta a Itália, que arranca no sábado, em Turim, e na qual a sua Deceuninck-QuickStep vai ser liderada pelo português João Almeida.

“Penso que ele já demonstrou que pode ser um corredor para a classificação geral. Penso que poderá fazer um bom resultado e vou seguir o desempenho dele em Itália”, assegura.

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