A provocação estava lançada: teria o diretor da Volta a Portugal desfrutado ao desenhar um percurso duro, que inclui seis chegadas a coincidir com contagens de montanha, com o intuito de fazer os ciclistas sofrer?

“De forma alguma. Quem estiver atento, em particular os adeptos, aos grandes acontecimentos internacionais, em particular a Volta a França, a Volta a Espanha e o Giro, [repara que] há muito que se abandonou aquele formato de primeira semana para aquecer, para os ‘sprinters’. Depois lá vinha uma fase de transição, que conduz ao dia de descanso, já com alguma alta montanha, e depois na segunda semana quase a repetir o mesmo”, notou.

Segundo Joaquim Gomes, esse modelo foi “completamente deixado para trás”, porque, hoje, “os adeptos e a própria comunicação social não permitem ter dois três dias seguidos de etapas com interesse relativo”.

“Por muito que eu, na minha história no ciclismo, tenha como grandes amigos alguns dos melhores ‘sprinters’ portugueses, o calendário nacional e internacional tem muito para oferecer a este tipo de corredores”, sublinhou em declarações à agência Lusa.

O diretor da corrida, que hoje sai para a estrada com um prólogo de 5,4 quilómetros na Praça do Império, em Lisboa, e termina em 15 de agosto, com novo exercício individual contra o cronómetro nas ruas de Viseu, está habituado aos comentários que qualificam o percurso desta ou de outras edições como excessivamente duro ou desequilibrado, mas defende que “uma prova como a Volta a Portugal tem de ter um grau de exigência máximo”.

“Ou seja, nós temos de ter a certeza que no dia 15 de agosto, em Viseu, o corredor que está a envergar aquele símbolo carregadinho de simbolismo e notoriedade é efetivamente o melhor do pelotão. E, para isso, não podemos ter etapas relativamente fáceis. Elas vão acontecer, mas também me habituei a dizer que quem faz as etapas difíceis ou fáceis são os ciclistas”, reforçou.

Vencedor da corrida em 1989 e 1993, Gomes refuta ainda as críticas sobre o excesso de montanha nas 10 etapas, argumentando que a Volta a Portugal é também “uma prova por etapas em que a principal característica a que se faz apelo nos corredores é a capacidade de recuperação”.

“Até no último dia, no contrarrelógio, provavelmente já não serão os grandes contrarrelogistas a marcar diferenças. Porquê? Porque há corredores que são particularmente talhados para provas por etapas, e não sendo contrarrelogistas puros, acabam por estar mais fortes do que os próprios contrarrelogistas”, disse, recordando o seu exemplo.

O antigo ciclista acredita que “a Volta está recheada de interesse, os dias de montanha estão regularmente distribuídos ao longo da prova e o espetáculo está quase garantido”.

“Sabemos que a Volta a Portugal é demasiado importante para os corredores portugueses e para as equipas portuguesas. Física e animicamente estão predispostos a ‘colocar toda a carne no assador’, portanto também não é de surpreender que as equipas estrangeiras quando vêm à Volta, confrontadas com uma luta que, muitas vezes, ultrapassa os limites por parte das equipas portuguesas, acabem por ‘mandar a toalha ao chão’ e olhem para a corrida num contexto de preparação para as provas que se aproximam”, evidenciou ainda.

O importante, para o diretor da prova rainha do calendário nacional, é que estão reunidos, mais uma vez, os condimentos necessários e suficientes para que, mesmo em contexto pandémico, esta edição “seja um sucesso”.

As bicicletas começam hoje a rolar a partir das 15:20 na Praça do Império em Lisboa, para os primeiros 5,4 quilómetros dos 1.568,6 quilómetros a percorrer até Viseu.

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