O futsalista Ricardinho, que terminou a carreira ao serviço da seleção portuguesa após a conquista do Mundial2021, na Lituânia, disse já sentir saudades, mas que saiu “de consciência tranquila” com o legado que deixou na modalidade.

Em entrevista ao ‘podcast’ da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o ‘mágico’, por seis vezes considerado o melhor jogador de futsal do mundo – 2010, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018 –, revelou que tem orgulho na tarefa “mais do que superada” em Portugal.

“Os atletas vão ter agora ainda mais responsabilidade e muito mais respeito pela nossa seleção, não vão olhar mais para a seleção do ‘quase’. Dá-me orgulho, mas a ficha não cai completamente. Vou sentir saudades, mas saio de consciência tranquila, porque dei o meu melhor em todos os jogos. Foi uma tarefa mais do que superada, deixei legado a outros atletas, ajudei muito, fui ajudado e as conquistas estão aí”, sublinhou o jogador.

Ricardo Filipe da Silva Duarte Braga, conhecido no mundo do futsal por Ricardinho, foi instado a explicar o que levou ao seu anúncio de dizer “até já” à equipa das ‘quinas’, apontando a um “desgaste mental” após a grave lesão que sofreu, antes do Mundial.

“A decisão foi tomada com cabeça e coerência. O momento em que estava também ajudou. Estava muito desgastado com o que aconteceu em França e com a lesão. Sabia que ia dar o meu melhor para chegar àquele momento, felizmente consegui chegar, mas o desgaste que tive para lá chegar rebentou comigo psicologicamente”, contou.

Como tal, o jogador, que atua nos franceses do ACCS Paris, revelou que não se “estava a divertir no lugar onde mais queria estar, que era a seleção nacional”, e, depois do inédito triunfo, parou totalmente em novembro e dezembro, nos quais nem treinou.

“O que me estava a dar desgaste era o estar concentrado e só focado naquilo, nos treinos antes da competição. A competição todos queremos viver, mas temos de nos preparar para lá estar. O meu desgaste era mental. Agora dói olhar para ali, mas a confiança continua a ser a mesma”, referiu o luso, natural do município de Gondomar.

O amigo Bruno Coelho herdou a sua camisola ‘10’ no Europeu2022, nos Países Baixos, que teve hoje início e no qual Portugal vai procurar defender o título conquistado em 2018, na Eslovénia, sendo que Ricardinho prometeu uma despedida “em condições”.

“Vamos fazer uma despedida em condições, com os adeptos, e tentar fazer no Norte e no Sul. É uma boa forma de agradecer a quem acompanhou o meu trajeto”, expressou.

Sobre a histórica vitória na final do Mundial2021, frente à Argentina (2-1), Ricardinho assumiu que, quando sofreu a grave lesão no joelho, sentiu que “as coisas acontecem por alguma razão” e, como religioso, confiava que havia algo bom guardado para ele.

“Se, no Europeu, tocámos o céu, no Mundial andámos nas nuvens a passear. Já tinha ganhado todos os títulos por onde tinha passado e faltava-me esse para reconhecer que a geração do Ricardinho conseguiu ganhar o Europeu e o Mundial. Nem a sonhar, sonhas tão bonito. Foi metida a cereja no topo do bolo”, afirmou o ex-‘capitão’ luso.

Em relação ao futuro da modalidade, Ricardinho considerou que, enquanto o futsal não estiver presente nos Jogos Olímpicos, “vai faltar sempre um passo importante”, e ‘ofereceu-se’ para ajudar a FIFA a “levar e promover o futsal a todo o lado do mundo”.

“Já me disponibilizei para que, quando terminar a minha carreira, que não vai faltar muito tempo, ser ‘embaixador’ do futsal e viajar por todo o mundo, ir a todos os países que não têm futsal e que têm essa vontade. Se a FIFA quiser dar esse passo, gostaria de me disponibilizar a 100% para promover o futsal em todo o mundo e os praticantes terem condições para chegar mais à frente e jogar futsal a sério”, assegurou o ‘craque’.

Ricardinho notabilizou-se ao serviço do Benfica, ao qual chegou proveniente do Miramar, em 2003/04, contando ainda com passagens pelos japoneses do Nagoya Oceans, pelos russos do CSKA Moscovo e pelos espanhóis do Inter Movistar, antes de ir para França.

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