Um estudo científico alertou que o aquecimento global poderá representar o fim das pistas de patinagem no gelo ao ar livre no ano 2050 nas principais cidades do Canadá, uma possível catástrofe para um país onde o hóquei no gelo é uma paixão nacional.

No inverno passado, temperaturas sazonais mais quentes do que o normal forçaram a abertura tardia e o encerramento antecipado das pistas ao ar livre em todo o país, afetando milhares de patinadores e jogadores de hóquei.

«Fui à pista só oito vezes este ano contra umas 20, ou duas vezes por semana, nos últimos anos», queixou-se Guillaume Bilodeau, de 30 anos, enquanto disparava discos de borracha na baliza vazia de uma pista ao ar livre no bairro Petite Patrie, em Montreal.

Como a camada de gelo era fina e esburacada em algumas zonas, Bilodeau nem chegou a  colocar os patins.

«Este ano, a temporada arrancou apenas no início de janeiro e durante as últimas duas ou três semanas esteve mais ou menos», disse. «Agora, já dá os últimos suspiros», acrescentou.

Na capital, Ottawa, a pista de patinagem Rideau Canal Skateway, de 7,8 km, situada no centro da cidade, só ficou aberta por 28 dias, marcando uma das piores temporadas em 42 anos.

Em Winnipeg, metade da pista de patinagem no rio Assiniboine ficou fechada durante todo o inverno porque uma parte das águas não congelou.

E esta situação vai piorar, segundo os cientistas Nikolay Damyanov e Lawrence Mysak, da Universidade McGill, e Damon Matthews, da Universidade de Concordia, em Montreal.

O trio publicou um estudo na revista Environmental Research Letters que demonstrou «uma diminuição estatisticamente significativa na duração da temporada de patinagem» em muitas partes do Canadá no último meio século.

Os cientistas calcularam a data de início anual e a duração da temporada de patinagem ao ar livre a partir de dados históricos em todo o Canadá e registraram como estes mudaram desde a década de 1950, em sintonia com o aquecimento global.

Temperaturas de - 5ºC durante três dias, suficientes para que uma pista fique coberta de gelo, marcam o início da temporada de uma área de patinagem ao ar livre.

Os dados de 142 estações meteorológicas indicam as maiores diminuições na duração da temporada de patinagem nas pradarias canadianas e nas regiões do sudoeste do país.

Ao extrapolar os dados para antecipar futuros padrões, os pesquisadores também previram a fim total da patinagem ao ar livre nas próximas décadas nas províncias de Columbia Britânica e Alberta, ambas no oeste do país.

«Não haverá dias suficientemente frios para encher uma pista em meados deste século na maior parte do sul do Canadá», afirmou Matthews à AFP, acrescentando que cidades como Calgary, Montreal e Toronto terão que produzir gelo artificial para oferecer pistas de patinação ao ar livre.

O estudo lembra que a lenda nacional do hóquei, Wayne Gretzky, assim como muitos canadianos, começou a patinar, ainda criança, numa pista no quintal de casa.

«É difícil imaginar o Canadá sem o hóquei sobre o gelo ao ar livre», disse Matthews.

«Mas o que realmente me preocupa é que será uma vítima de continuarmos a ignorar o problema do clima e pondo entraves aos esforços internacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa», acrescentou.

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