A comunidade do padel desenvolveu uma campanha solidária para ajudar os clubes, que estão de portas encerradas desde o início do estado de emergência decretado pelo Governo, em 19 de março, face à pandemia da covid19.

“A ideia foi de um jogador. Apresentou-a à Federação Portuguesa de Padel (FPP) e nós lançámos o desafio à Tiesports, nossa parceira tecnológica, salvaguardando os interesses dos clubes e dos jogadores. Pareceu-nos uma boa ideia para ajudar os clubes neste momento difícil”, começa por explicar à Lusa o presidente da FPP, Ricardo Oliveira.

A iniciativa, denominada “Todos pelos clubes de padel”, passou por criar uma ferramenta para todos os clubes aderentes disponibilizarem ‘vouchers’ digitais, no valor de 25 euros, 50 euros e 100 euros, e bonificados em 20%, para serem utilizados quando for retomada a atividade.

“Inscreveram-se 12 clubes. Esta campanha, em cooperação com a FPP, propõe aos seus filiados ajudar os clubes, que queiram aderir, através da compra de ‘vouchers’ numa ferramenta desenvolvida para o efeito e 100% controlada pela FPP, de forma a que o dinheiro vá do doador diretamente ao beneficiado”, sublinha.

Paralelamente a esta ação, a plataforma digital Aircourts promove igualmente uma campanha desenvolvida nos mesmos moldes, que apesar de não ter a chancela da FPP, é elogiada por Ricardo Oliveira, que considera que “todas as iniciativas que possam beneficiar os clubes, nestes tempos difíceis, são de louvar.”

“Achamos uma boa ideia e os clubes agradecem imenso a iniciativa dos jogadores. Mais do que tudo, agrada-nos a união dos clubes e dos jogadores nesta campanha. A união e a imagem de falarmos todos a uma só voz demonstra a maturidade do padel e a seriedade junto dos nossos jogadores e clientes”, defende Carlos Cordovil, sócio gerente da Rackets Pro, empresa detentora de cinco clubes.

Além da receita imediata que os clubes podem ganhar com a venda dos ‘vouchers’, mesmo estando fechados, Carlos Cordovil destaca ainda o valor acrescentado “da fidelização dos jogadores, aquando da reabertura, uma vez que só poderão deduzir 20% de desconto em cada utilização do cartão, seja em alugueres de campo, compra de material ou outros serviços.”

“Já estive envolvido em várias modalidades e ainda continuo ligado a algumas, mas em nenhuma encontrei uma atitude tão pró-ativa como no padel. Não tínhamos grandes expectativas, porque sabemos que todas as pessoas estão a passar por dificuldades, mas, ao fim de um dia, foram largamente superadas. Nas primeiras horas, houve 120 pessoas a comprar cartões a nível nacional no Aircourts”, revela Cordovil.

A par desta campanha solidária, Ricardo Oliveira diz que “a FPP tem lançado uma série de medidas de apoio aos clubes”, como a disponibilização dos seus serviços jurídicos juntos dos membros filiados, possibilidade de remarcação de datas de torneios e respetiva categoria sem penalização, entre outras, mas não tem condições para muito mais.

“Creio que temos feito bastante com os parcos recursos que temos, financeiros e outros, estando a própria FPP a passar momentos muito difíceis. Graças a Deus, o IPDJ mantém os seus programas de apoio às Federações, senão estaríamos nós bem pior que os clubes. Infelizmente, não temos a entrada de milhões das apostas, todos os anos, e, por conseguinte, tudo o que conquistamos é com muito esforço. E sem torneios, sem formações, sem patrocínios e sem quotas tudo se torna difícil”, conclui o presidente da FPP.

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