A judoca portuguesa Telma Monteiro, medalha de bronze no Rio2016, disse hoje estar convencida de que os Jogos Olímpicos Tóquio2020 vão ser adiados, apesar de pretender manter o otimismo.

O Comité Olímpico Internacional (COI) admitiu hoje que a pandemia de Covid-19 “é excecional e exige soluções excecionais”, sem abordar uma possível alteração às datas previstas dos Jogos, entre 24 de julho e 09 de agosto.

“Esta decisão foi tomada com base num cenário hipotético daqui a quatro meses, quando deveria ser focada no momento atual. Sinceramente, estou convencida que a data acabará por ser adiada. Quero muito pensar com otimismo, em Portugal estamos habituados a ser resilientes. Mas há que aguardar, porque estamos sempre a falar de algo imprevisível”, afirmou Telma Monteiro, em declarações ao sítio do Benfica na Internet.

A judoca, cinco vezes medalhada em Mundiais e 13 em Europeus, cinco das quais de ouro, reconhece que a intenção do COI prevê “um cenário otimista face à propagação e contaminação da Covid-19”.

“A meu ver, é uma leitura incorreta, porque não se sabe quanto tempo falta para se controlar este vírus global. Penso que os Jogos Olímpicos deveriam ser adiados para mais tarde. Porque não está a ser tido em consideração todo o processo até chegar o dia da cerimónia de abertura”, frisou a judoca natural de Almada.

Telma Monteiro, de 34 anos, cuja qualificação termina em 30 de junho, mas teve, para já, cancelado o Grand Prix de Antalya, na Turquia, questiona a justiça deste processo.

“Onde fica a igualdade de oportunidades, que, no fundo, está contida nos valores olímpicos de Pierre de Coubertin? Neste momento, e no mínimo nas próximas semanas, os atletas ou estão em casa e têm poucas condições para treinar, ou estão a treinar muito condicionados. Como poderão preparar-se e lutar pela qualificação aqueles que ainda não a alcançaram”, lamentou.

Atualmente, a judoca ‘encarnada’ está em posição de qualificação olímpica, ao ocupar o 12.º lugar do ‘ranking’ de -57 kg, mas adverte para as dificuldades existentes em outras modalidades.

“Aliás, a qualificação olímpica de muitos desportos está suspensa, as competições foram desmarcadas ou adiadas. Manter os Jogos Olímpicos na data prevista compromete as opções que as federações internacionais de cada modalidade poderiam ter para proporcionarem alterações de modo a que decorresse um apuramento olímpico justo para todos”, concluiu.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 200 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.200 morreram. Das pessoas infetadas, mais de 82.500 recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 170 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Depois da China, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, o que levou vários países a adotarem medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 642, mais 194 do que no dia anterior, e deu conta da segunda morte no país em consequência da pandemia.

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