Armando Aldegalega, atleta que representou Portugal por duas vezes no Jogos Olímpicos, foi hoje um dos destaques na 62.ª edição do Grande Prémio de Natal, prova de 10 quilómetros que encheu de corredores as ruas de Lisboa.

Aos 82 anos, Aldegalega é o atleta que mais vezes participou na prova que partiu de Carnide em direção aos Restauradores e hoje conseguiu completar os 10 quilómetros em 51 minutos, uma marca longe dos 30 minutos que chegou a registar no auge da sua forma, mas que ainda assim faz dele um exemplo entre o pelotão.

"Não tenho conta de quantas corridas destas fiz, mas sou dos que mais tenho, de certeza. Entre os amadores pode haver quem tenha participado em mais, mas entre os atletas de elite sou seguramente o que disputou mais edições", diz orgulhoso.

Armando Aldegalega partiu na frente, junto aos atletas de elite, mas quando soou o tiro de partida viu fugir as "lebres" que corriam pelo pódio. O veterano atleta do Sporting sabe que "já não tem pernas" para os acompanhar, mas frisa que essa é parte do segredo da sua longevidade.

"Isto é a continuação do que faço há 60 anos. O truque para aqui estar é não parar. Depois temos de nos lembrar que estamos a correr para a nossa idade e não para os minutos. Conheço bem o meu corpo e por isso sei o que posso dar", diz o atleta que revela que todos os dias sai para correr os seus dez quilómetros diários.

No pelotão há muitos corredores que o olham como uma referência e aqueles que não o conhecem admiram-se com o seu ritmo. Armando Aldegalega admite que o vejam como um exemplo, mas realça que há 40 anos sentiu que foi realmente uma "inspiração" para muitos.

"Hoje já há muita gente a correr e acho que sou um exemplo. Mas aos 40 anos fui uma inspiração: era raro ver pessoas a correr e sinto que nessa altura muitos olharam para mim e começaram aí a gostar deste desporto", relembra o atleta.

"Naquela altura éramos considerados malucos por correr. Lembro-me de sairmos de Alvalade, irmos até ao aeroporto e no regresso, quando passávamos junto ao Hospital Júlio de Matos, muitas pessoas mandavam-nos entrar, tal era a admiração pelo que andávamos ali a fazer", recorda o atleta.

Hoje escolhe cautelosamente o ritmo a que faz cada passada e admite que nas provas já não consegue falar com toda a gente porque tem de poupar o fôlego. Ainda assim, em forma de desejo, deixa um conselho a todos.

"Não sei quando vou parar, mas quero ir até onde o corpo me deixar. Façam o mesmo!", lança em forma de desafio o atleta de 82 anos.

Armando Aldegalega participou pela primeira vez no GP Natal em 1960. Em 1962 foi o primeiro português a ganhar uma medalha de ouro no Jogos Pan-Americanos, em Madrid, e esteve por duas vezes em Jogos Olímpicos, em Tóquio 1964 e Munique 1972, e campeonatos da Europa, sempre na distância da maratona.

O GP Natal deste ano foi ganho pelo atleta do Benfica Samuel Barata, no setor masculino, com o tempo de 29.37 minutos, enquanto Jéssica Augusto, do Sporting, foi a mais rápida entre as mulheres, ao completar o percurso entre Carnide e os Restauradores em 32.44 minutos.

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