O Kartódromo Internacional da Região Oeste, no Bombarral, foi este fim de semana palco da quarta prova da Oliveira Cup, a competição para jovens pilotos que sonham singrar no motociclismo e 'suceder' a Miguel Oliveira.

No 'paddock' do circuito, dezenas de pais circulam de um lado para o outro enquanto 12 crianças, entre os 10 e os 14 anos, se preparam para mais uma corrida. Com o eco dos motores como fundo, as motas com 200 centímetros cúbicos já aceleram a alta velocidade. Tudo sob o olhar atento de Paulo Oliveira, o pai do ?motard' português que disputa o mundial de Moto2.

"Temos um conhecimento adquirido ao longo da carreira do Miguel que podemos partilhar com os meninos e com os pais deles. Este é o nosso principal objetivo e, quem sabe, no futuro encontrar aqui um piloto que possa ser o sucessor do Miguel", confessa o mentor da carreira do melhor piloto português de sempre.

Em entrevista à agência Lusa, Paulo Oliveira, que aqui age como um 'segundo pai' dos miúdos na pista, lembra que há uma década, não encontrou uma estrutura semelhante para poder inserir o filho e que em nome da sua evolução teve de o levar para Espanha. Agora, Miguel Oliveira, que neste fim de semana não esteve presente, é um dos 'tutores' dos mais novos neste projeto.

"Para poder continuar a sua evolução, o Miguel teve de ir para Espanha. Aquilo que oferecemos aqui aos pilotos é uma forma de se iniciarem no motociclismo quase sem custos e que no tempo do Miguel não existia. O motociclismo não é uma modalidade barata", frisa.

Para entrar na Oliveira Cup, que conta com sete corridas, a inscrição anual ronda cerca de dois mil euros, sendo que a Federação de Motociclismo de Portugal (FMP) apoia com as motas e os equipamentos, além da existência de outros patrocinadores. A representar o organismo na prova, o vice-presidente, Armando Marques, defende a importância deste investimento.

"Toda a infraestrutura de apoio é suportada pela Federação e em termos logísticos representa cerca de três mil euros por prova. Mas, neste momento, não consideramos isso um custo, antes um investimento. O futuro sem pilotos não funciona", refere, acrescentando: "O que falta no motociclismo português são ídolos."

Entre os 12 jovens, Beatriz Morais, de 14 anos, é a única menina a competir. A timidez que revela nas boxes desaparece quando sobe para cima da mota e é nela que se sente mais confortável. De tal forma que espera fazer desta experiência, que começou como "uma brincadeira", uma futura carreira como piloto profissional.

"O meu sonho é ser a primeira rapariga a chegar ao MotoGP e estou a trabalhar para isso", conta a jovem, que, antes de acelerar sobre duas rodas, estava aos saltos como atleta federada nos trampolins, até que uma lesão lhe roubou esse futuro.

Sob o olhar preocupado da mãe, Beatriz agradece aos pais pelo apoio, mesmo sabendo que estes começaram por encarar com desconfiança a sua apetência pelas motas. Agora, a mãe, Joana Parracho, reconhece que a experiência está a ficar cada vez mais séria e "assustadora", mas que a filha parece completamente decidida a não parar neste trajeto.

"Ela está muito decidida e só nos cabe apoiá-la. Não é fácil, ficamos com o coração apertado. Prefiro estar sossegada e um pouco afastada de toda a gente para poder estar focada nela. Não estamos nada calmos, mas temos de ter essa postura para lhe passar essa confiança", salienta, sem esconder a surpresa pelo "crescimento rápido" da filha na modalidade.

A próxima corrida da Oliveira Cup, a quinta das sete agendadas, irá realizar-se em 03 de setembro, em Santo André.

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