A possibilidade de os grandes prémios de Portugal de MotoGP e de Fórmula 1 não terem público é “um excesso de zelo”, considerou hoje o presidente da principal associação hoteleira algarvia, defendendo a sua realização com lotação limitada.

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, reagiu assim a uma notícia do jornal Expresso que aponta para a intenção do Governo em impedir a presença de espetadores no Grande Prémio de Fórmula 1, que decorre entre 30 de abril e 02 de maio, no Algarve.

Até ao fim do desconfinamento, não haverá público na I Liga ou na Fórmula 1
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“Parece haver aqui um excesso de zelo por parte do Governo, uma vez que, por um lado, autoriza eventos e a realização de eventos como casamentos, em recintos fechados, e por outro não permite a assistência a alguns eventos desportivos, sobretudo ao futebol e aos grandes prémios de Fórmula 1 e MotoGP”, afirmou o dirigente associativo à agência Lusa.

A ausência de público nas bancadas do Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, como medida para conter a pandemia de covid-19, foi confirmada por fonte do Governo ao jornal Expresso e, segundo Elidérico Viegas, “põe em causa a vinda de muitos turistas estrangeiros e nacionais”.

Segundo noticia hoje aquele jornal, “até ao fim deste período de desconfinamento”, eventos como os jogos finais da I Liga de futebol e o Grande Prémio de Fórmula 1 “não terão público”, ao contrário do que aconteceu no ano passado, no caso da Fórmula 1.

Tendo em conta o plano de desconfinamento apresentado pelo Governo em 11 de março, a medida aplicar-se-ia também ao Grande Prémio de Moto GP, que se realiza entre 16 e 18 de abril no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão.

De acordo com o plano, a realização de eventos exteriores com diminuição de lotação vai ser autorizada a partir de 19 de abril e, 15 dias depois, em 03 de maio, grandes eventos exteriores com diminuição de lotação.

Se a presença de público podia permitir que os hotéis de toda a região fizessem algum negócio, a realização das provas sem espetadores apenas serve, “em termos de contrapartidas, os hotéis e empreendimentos que se situam na área de influência do autódromo e que recebem as equipas, os ‘sponsors’ [patrocinadores] e os jornalistas”, lamentou o presidente da AHETA.

“E o seu grande contributo será para a promoção externa da região, tendo em conta a cobertura mediática dos eventos”, acrescentou Elidérico Viegas, referindo-se ao principal benefício que estas provas trarão para a região e o país em função da cobertura mediática internacional.

O dirigente da AHETA considerou que a presença de público seria possível “se fossem cumpridas regras de segurança, de distanciamento social, tendo em conta a evolução positiva da pandemia” em Portugal.

“Fazia sentido não autorizar uma lotação esgotada, mas sim uma lotação limitada a um certo número de espetadores, que não poria em causa as questões de segurança”, argumentou.

A falta de público vai também deixar as empresas da região sem o “balão de oxigénio” que as provas poderiam trazer para as empresas, depois de um ano em que a atividade esteve praticamente estagnada devido aos efeitos da pandemia no transporte aéreo e na atração de turistas.

“É por isso que defendemos que estes eventos devem ter continuidade nos anos vindouros. Não os podemos ter apenas nos períodos maus, como agora, e devia-se garantir a sua continuidade, para, no futuro, podermos tirar algumas contrapartidas e benefícios, quer para a região e para as empresas, não só hoteleiras e turísticas, como para os próprios organizadores” das provas, concluiu.

Em 25 de outubro 2020, o Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, disputado pela primeira vez no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, contou com uma lotação máxima de 27.500 espetadores, menos de um terço da capacidade do recinto.

Nessa altura, o Mundial de Fórmula 1 regressou a Portugal 24 anos depois das últimas edições, disputadas nos circuitos da Boavista (1958 e 1960) e de Monsanto (1959) e no autódromo do Estoril (1984-1996), na sequência da reorganização do Mundial devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

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