Vinte anos após a conquista da Masters Cup e do número um mundial, o antigo tenista Gustavo Kuerten revisitou uma carreira em que “não faltou nada” e em que o carinho do público permanece como o maior troféu.

O momento era de celebração, do título (único) na competição que reúne os oito melhores tenistas da época, e do número um, que ostentou durante 43 semanas ao longo do seu trajeto profissional, no entanto, num ápice, a conversa derivou para a carreira, encerrada num dia de muitas lágrimas, numa tarde cinzenta no torneio que o tornou numa das figuras mais queridas do ténis mundial: Roland Garros.

É aquele 25 de maio de 2008, no ‘court’ Philippe Chatrier, que figura como ponto final de um percurso com três títulos na ‘Catedral da terra batida’ (1997, 2000 e 2001) – só Rafael Nadal, com 13, e Björn Borg, com seis, têm mais títulos em Paris na Era Open -, uma Masters Cup, cinco títulos em Masters 1.000, num global de 20 cetros em individuais e oito em pares, mas o ‘fim’ do sonho de Guga aconteceu seis anos antes, quando uma lesão na anca ‘travou’ a sua ascensão e o afastou irremediavelmente dos grandes feitos.

“Não faltou nada [na carreira], mas faltou muito para conquistar. É uma situação ambígua. Prefiro ver que sobrou de mais... as nossas pretensões, o nosso ponto de partida, e onde chegámos, extrapolou dimensões. Foi para galáxias inimagináveis. E, depois, quando estou a viver o momento de chegar ao auge, também se interrompe... Ganhar mais três Roland Garros, outros ‘Grand Slams’ seria natural na minha carreira. Mas [tenho] a generosidade de olhar para isso de uma forma muito positiva, tranquila... só faltou ganhar ao meu irmão”, disse, rindo-se.

Figura consensual no mundo do ténis, eterno favorito do público de Roland Garros que o batizou como ‘rei dos corações’ – muito por culpa daqueles que desenhou na terra batida parisiense para agradecer o carinho dos franceses -, Guga olha para a vida com o sorriso que o caracteriza, sem amarguras.

“O ténis só me beneficiou. Trouxe-me episódios, momentos, títulos, mas principalmente emoções e vivências extraordinárias. Fomos campeões em Roland Garros vindos do nada. Passámos todas as etapas, e de uma forma agradável, mesmo lidando com os desafios diários. E aí em tinha um cara que era fantástico do meu lado, o Larri [Passos, treinador]”, salientou.

O brasileiro, que ainda hoje figura, a par de Mats Wilander, como o tenista que menos tentativas (3) precisou para ganhar um ‘Grand Slam’, reconhece que gostaria de ter conquistado uma medalha olímpica, para poder partilhá-la com os seus compatriotas, mas prefere destacar “a euforia, a empolgação” do seu país quando chegou a número um mundial.

“As pessoas me tratam com um carinho único. São as recompensas que o ténis trouxe. O maior presente do Mundo que eu pude receber foi esse”, indicou o antigo jogador, agora com 44 anos, que até deu origem ao Dia Nacional do Ténis no Brasil, celebrado precisamente em 03 de dezembro, dia em subiu ao lugar mais alto do ‘ranking’ e lá terminou a temporada.

“Aquele momento sintetiza a minha carreira. O [André] Agassi disse-me: aproveita, passa rápido. E a gente aproveitou de uma forma extraordinária. Dá para dizer, com total convicção, que sobrou. Sobra gratidão”, concluiu.

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