Quatro jovens do Porto participam a partir do dia 17 no Campeonato do Mundo de vela Classe 420 em Karatsu, no Japão, com a ajuda de ‘crowdfunding’, alternativa de financiamento que conta com apoios da comunidade para doações.

No total, este Mundial de vela 420 no Japão contará com a presença de seis tripulações portuguesas – quatro do Clube de Vela Atlântico (Matosinhos) e duas do Sporting Clube de Aveiro -, mas a presença nacional só não é mais expressiva “por falta de dinheiro”, admitiu à Lusa Ken Gamito, presidente da Associação Portuguesa da Classe 420.

As tripulações de sub-17 Miguel Santos/Manuel Pimenta e Miguel Rothes/Manuel Pessanha, do Clube de Vela Atlântico (CVA), distrito do Porto, decidiram lançar projetos de ‘crowfunding’ para conseguirem alinhar entre os participantes de mais de 20 países.

A presença lusa neste mundial tem “a outra face da moeda”, que se prende com os custos elevados da deslocação, lamentou Nuno Silva, diretor da academia de vela do Sporting Clube de Aveiro, que apurou duas das seis tripulações nacionais, adiantando que também ali se realizaram eventos para angariar verbas.

“O custo por embarcação ronda os 7.000 euros e inclui o aluguer do barco lá, viagem e estadia”, bem como despesas do treinador Pedro Ambrósio, disse à Lusa Manuel Pimenta, de 16 anos e do CVA, clube que leva ao Japão quatro tripulações.

Sob o lema “para depois de tantas horas no mar não ficar em ‘terra’”, a campanha de ‘crowdfunding’de Miguel Santos e de Manuel Pimenta já alcançou o objetivo definido, graças ao apoio de 57 empresas e privados e vai, inclusive, doar 100 euros ao projeto “Todos contra ELA”, que visa angariar fundos para a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA).

Já a tripulação de sub-17 do CVA Miguel Rothes/Manuel Pessanha ainda não alcançou a verba pretendida, mas a sua campanha de ‘crowdfunding’ apenas termina a 08 de agosto.

Estes quatro velejadores do CVA, treinados por Pedro Ambrósio, contaram ainda com o apoio do músico Miguel Araújo, que promoveu, com o apoio da Casa da Música e dos Azeitonas, We Trust, Diana Martinez, Paulo Mendes e Carlos Agrelos, um concerto de angariação de fundos.

Para as tripulações Pedro Brito/Miguel Silva e João Silva/Francisco Freire Santos, de Aveiro, treinados por Mário Coutinho, também se realizou “uma festa com amigos” para angariar verbas.

O Sporting Clube de Aveiro dá uma ajuda financeira mas “são os pais a ter que suportar uma grande fatia do bolo”, referiu Nuno Silva.

Segundo o presidente da Associação Portuguesa da Classe 420, a Federação Portuguesa de Vela apoia financeiramente as tripulações femininas e masculinas que ficaram em 1.º no campeonato nacional, o que é “insuficiente”.

Portugal poderia participar neste mundial do Japão com sete tripulações masculinas e outras tantas femininas, mas “não conseguiu preencher as vagas por desistências” consecutivas, devido “à falta de dinheiro”, concluiu Ken Gamito.

Nas malas da viagem para o Japão seguem cabos e até velas, além de uma vontade enorme de dar o melhor por Portugal.

Na classe 420 é usada uma embarcação considerada de transição para a 470, que já é classe olímpica.

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