A Volvo Ocean Race é uma das regatas de mais prestígio em todo o mundo. Lisboa é uma das 9 etapas que compõem a volta ao mundo. O Sapo Desporto aceitou o convite da equipa espanhola para uma regata de treino e foi perceber como funcionam as coisas a bordo.

Na doca de Pedrouços, as embarcações já se encontravam alinhadas, da esquerda para a direita conforme a classificação até ao momento na Volvo Ocean Race. A da Mapfre, é a quarta classificada, em sete participantes na corrida à volta do mundo.

A tripulação é constituída por 9 tripulantes, espadaúdos e robustos como se pretende que sejam os participantes neste tipo de provas de uma enorme dureza física. A embarcação impõe respeito, com 20 metros de comprimento e com um mastro de 30 metros de altura, mas não difere das suas concorrentes. Os barcos têm todos características semelhantes, o que faz então a diferença? A destreza dos homens que compõem cada equipa.

Às 11h30, largámos da doca, para quase três horas de emoções fortes nas águas que são um misto entre oceano atlântico e rio tejo. Tratava-se de uma regata de treino, mas nem a feijões estes marinheiros profissionais gostam de perder. Estas provas são encaradas como sessões muito sérias, em que as equipas colocam à prova as suas capacidades antes da largada à séria, já no próximo domingo, em direção a Lorient, França.

A hora para a regata costeira aproximava-se (as provas oficiais são realizadas todas em alto mar), antes do início, os barcos vagueavam sem rumo em torno da meta. Ao toque da campainha, zarpam com veemência. Na perspetiva de um jornalista, pouco dado a estas aventuras marítimas, a força do “monstro” de 20 metros impressiona.

De pé ou sentado no convés, seguia a movimentação sincronizada dos tripulantes e o linguajar técnico em inglês do “Skipper de serviço” para a ocasião Rob Greenhalgh. Ainda assim a língua franca era o castelhano, por se tratar de uma equipa com origem em terras da Galiza, com exceção de André Fonseca (Brasil), Jean Luc Nélias (França) e Rob, que já tinha mencionado há pouco. Entre estes estavam Iker Martinez e Xabi Fernández. Não, não são jogadores de futebol, mas sim dois campeões olímpicos em vela ao serviço da Espanha.
Após a ordem firme de um dos elementos da tripulação, os convidados iam-se deslocando da proa para a popa, de bombordo para estibordo, sempre em consonância com a mudança de bordo, afinal de contas, estava em causa a vitória numa prova, mesmo que não contasse para o calendário.

A provar estiveram algumas tangentes, que causariam arrepios aos menos habituados a estas andanças, mas que iam arrancando sorrisos aos profissionais do ofício. Atarefadíssimo, o navegador, de tablet em punho, ia-se certificando sobre a posição dos adversários e sobre a trajetória do Mapfre. A visibilidade do Skipper é nula na zona dianteira, daí que é absolutamente necessário que existam mais dois olhos na proa, prontos a sinalizar sobre um eventual perigo. O vento é ligeiro, a velocidade não ultrapassa os 11 nós, ainda assim, mais que suficiente para colocar o barco espanhol na liderança provisória.

De vez em quando, um dos elementos da “crew” ia perguntando se estava a divertido? A miúdos ia respondendo que sim, muito. E pensar que na véspera quase não tinha dormido, devido ao nervoso miudinho, a pensar no martírio que passei em tempos nas viagens de carro à praia das maçãs com os meus pais nos anos 90, com todas aquelas curvas e contracurvas.
Até ao fim, a Team Mapfre segurou mesmo o primeiro lugar. A vitória foi festejada com gritos triunfantes, mesmo pelos convidados. Após a suada contenda, depois de cumprimentos e abraços, seguiu-se o descanso dos guerreiros, que com a língua de fora iam abocanhando com alguma dificuldade as sandes ou as massas liofilizadas.

Com isto tudo eram quase três da tarde, e era tempo de dar a vez a outros “aventureiros de domingo”. Este jornalista seguiu para terra firme, embora já estivesse pronto para outra.

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