Portugal vai à fase final do Europeu de voleibol masculino de 2021 com o objetivo de "passar à fase seguinte", o que nunca conseguiu, disse hoje à agência Lusa o selecionador.

Hugo Silva falava minutos depois de a seleção lusa ter vencido, em Matosinhos, a Hungria, por 3-0, no sexto e derradeiro jogo do Grupo G de apuramento para a fase final do Europeu, culminando assim um percurso só com triunfos.

"A grande disponibilidade dos atletas" foi um dos grandes segredos da seleção nesta bem sucedida campanha, "no sentido em que, mal os campeonatos nacionais acabaram, no dia a seguir, estavam todos disponíveis para a seleção e com uma vontade muito grande".

Hugo Silva lembrou que lhes foi lançado "o desafio de ganhar todos os jogos" e conseguir assim o apuramento.

"Era um objetivo ambicioso, mas eles agarraram-no e responderam da melhor forma", elogiou, sublinhando ainda que viu nos jogadores uma grande vontade de "deixar uma marca na modalidade".

O selecionador diz que os atletas "estavam sedentos de querer treinar e melhorar o que por norma não funciona tão bem na nossa seleção, sedentos de treino, de evoluir e de que os jogos viessem rapidamente".

"O primeiro jogo é sempre importante e o 3-2 com a Bielorrússia foi fundamental. Deu-nos um alento muito grande e a confiança que qualquer equipa precisa de ter", assinalou

Foi com essa atitude que "todos agarraram a interpretaram muito bem os aspetos táticos e coletivos", reforçou Hugo Silva.

"Senti uma confiança tremenda, porque estava escrito na cara deles que íamos ganhar", completou.

O Europeu realiza-se entre 01 e 19 de setembro na Estónia, Finlândia, Polónia e República.

"Não podemos prometer nada, a não ser trabalho e fazer uma melhor preparação do que aquela que fizemos para a edição anterior do Campeonato da Europa. O objetivo é o que nunca conseguimos, que é passar à fase seguinte. Na última edição foi por um ponto e não queremos voltar a passar por esse drama. Seria um prémio mais do que merecido para esta equipa", vincou.

Hugo Silva adiantou, também, que a preparação para o Europeu será feita com base no grupo de atletas que fez o apuramento e que os trabalhos deverão começar "na segunda quinzena de julho".

"Queremos fazer cinco a seis semanas de trabalho contínuo e com um mínimo de quatro a seis jogos de preparação para nos apresentarmos ao melhor nível possível", explicou.

Questionado sobre o que esta qualificação, 100% vitoriosa, diz do voleibol português, Hugo Silva responde logo que a modalidade precisa de talentos.

"É verdade que este grupo de jogadores dá-nos a possibilidade de poder lutar por apuramentos e dar boa imagem nas competições em que vamos entrando, mas falta alimentar a seleção ano após ano", admitiu.

Hugo Silva prossegue afirmando deparar com "dificuldades na deteção de talentos e na procura de atletas de eleição", opinando que o problema exige um esforço geral para "motivar os jovens" para esta modalidade, "o que não acontece no setor feminino, que tem muitas praticantes".

O selecionador português quer mais praticantes e um foco especial nos grandes talentos e deixa algumas pistas para lidar com o problema.

"Temos de limitar a quantidade de estrangeiros que temos em Portugal", preconizou.

A solução pode passar pela introdução de uma quota, o que, a seu ver, "vai permitir que os estrangeiros que vêm para Portugal sejam de eleição, porque há muito estrangeiro de média qualidade que tira lugar a jogadores portugueses de média qualidade".

"Passa por aí e se calhar diminuir também o número de equipas da primeira divisão, para tornar o campeonato mais competitivo", concluiu.

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