Isto é um artigo sobre liderança. Sobre um processo relacional entre pessoas com uma estrutura hierárquica. Num contexto, numa organização, sobre objectivos e sobre relacionamentos. Com processos mais dinâmicos, mais aceites ou impostos, mas é sobre liderança de equipas. Porque não existem equipas sem líderes e não há líderes sem equipas. Posto isto, este é um artigo sobre liderança e como podemos avaliar a liderança de treinadores que têm à frente pessoas num contexto altamente competitivo e exigente como é o futebol profissional em Portugal.

Então como podemos avaliar a liderança dos treinadores? Isto a propósito de uma conversa com um amigo após uma jornada onde os três denominados grandes perderam pontos e nunca aproveitando as ‘borlas’ dos outros, nomeadamente, o Porto e o Benfica.

Dizia-me ele que eu não poderia avaliar a liderança de um treinador porque não assistia ou presenciava à relação dele durante a semana nos treinos com os jogadores. É verdade este ponto, mas não se avalia a liderança de ninguém ‘apenas’ pela relação com os seus liderados. A liderança é processo relacional com muito de aceitação – da mensagem, da visão, do conhecimento, das regras, da estrutura, etc. – mas o que não falta por aí são ‘boas’ relações entre o treinador e jogadores e a resposta ou o compromisso e respeito destes com os seus líderes ser absolutamente nulo. Ou ineficiente.

A liderança é avaliada pela capacidade do mesmo colocar os seus jogadores a realizar o que é necessário e do modo expectável, necessário e definido por um compromisso global. Por isso, para determinados contextos há perfis de treinadores que mais facilmente flexibilizam a sua liderança para o contexto, os jogadores e os objectivos definidos e que sejam exequíveis e realistas. E aqui fala-se muito, mas muito mais, do que conhecimento técnico e táctico do jogo. Muito mais. Fala-se das suas competências comportamentais e na sua habilidade de entender onde está, o que é necessário e fazer essa adaptação e viagem entre o que há e o que é preciso haver para, e atenção, os jogadores realizarem o que é definido. Porque um treinador não vai lá para dentro!

E não, não são as equipas que ganham que têm os melhores líderes. E sim, há excepções e há equipas que vencem campeonatos sem grandes líderes. Mas a regra é que uma equipa que vence uma prova de regularidade, intensa e com tantos desafios, tem de ser uma equipa com uma dinâmica forte e global (respostas físicas, técnicas, tácticas e mentais quer a nível individual quer a nível colectivo) e uma liderança eficiente.

Voltando ao início, há bons líderes por equipas do meio da tabela e de outras divisões e de outros escalões. Mas há uma grande contextualização ao que são os seus objectivos! E existe eficiência aí.

Para finalizar, a liderança de muitas equipas é avaliada exactamente no comportamento que essa mesma equipa tem, assume, na sua cultura colectiva e no relacionamento entre o líder e liderados.

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