O desempenho das nossas equipas, nas provas europeias, foi dececionante. O Benfica e o Porto foram superados por adversários muito inferiores, o que desiludiu os adeptos desses clubes e desvalorizou o futebol português. Agora resta-lhes a Liga Europa. Da Liga Europa, foram afastados sem honra nem glória, o Estoril, o Guimarães e o Paços de Ferreira. Estes nossos representantes foram uma enorme frustração, em 18 jogos só venceram um.
É necessário ponderar e refletir o actual nível do futebol praticado por esta elite da época anterior. Já escrevi e disse várias vezes que o futebol é a modalidade desportiva que menos evoluiu, não só em Portugal como em todo o mundo.
Apesar de o Porto ter mudado de treinador e das saídas de João Moutinho e de James, não se compreende que o campeão nacional, depois de seis meses já passados, ainda não tenha encontrado aquilo que todos os dragões desejavam: um estilo dominante, o qual apresentasse um futebol organizado, ligado, esclarecido, competente, agradável, produtivo e eficaz. 
Outro enigma é o Benfica. O treinador é o mesmo, os jogadores para além dos mesmos da época anterior, entraram mais meia dúzia de aquisições, mas o futebol apresentado, não é o mesmo do passado, é intermitente. Umas vezes parece chegar perto do magnifico que a equipa praticou nos anteriores anos, como realiza jogos desligados e desequilibrados coletivamente, o que não era expetável.
Para elevar o nosso futebol, têm a palavra os treinadores, os quais devem descobrir novas ideias, para criarem um futebol diferente, inovador de forma a organizarem e planearem envolvimentos atacantes e defensivos que se diferenciem do futebol imitativo, e desestruturado, ao qual infelizmente assistimos quase continuamente.
É urgente que os técnicos estudem futebol e se valorizem, é urgente melhorarem e descobrirem uma metodologia de treino diferente da comum e direccionada para o que se deseja e deve realizar nos jogos. Pensem, idealizem, investiguem, procurem e encontrem ideias. 
Sabemos que os princípios defensivos estão ao alcance de quase todos os treinadores, é mais fácil organizarem-se defensivamente. É por isso que à exceção de quatro equipas do nosso campeonato, todas as restantes jogam a defender.   
Já o futebol atacante é mais difícil de organizar, e é por isso que assistimos a jogos medíocres, porque a evolução atacante é pouco estruturada, por não ser planeada, nem correctamente treinada. Deste modo assistimos às incompreensíveis dificuldades que as equipas “grandes” sentem em ultrapassar as equipas defensivas, dado que apresentam um futebol de acaso é o que sai.
Para o futebol evoluir e se tornar mais atraente é fundamental que os treinadores inovem, criem, expliquem, ensaiem, treinem os processos colectivos e individuais por si idealizados, para automatizar os princípios de jogo, sobretudo os ofensivos, os quais são demasiado complicados e não estão ao alcance do treinador comum. Mas são possíveis!
Para além do antes apresentado, outro aspeto que me surpreende é a ausência de um vasto catálogo de estratégia, no seguimento de bola parada, para transformar em golos, esses lances de surpresa 
Todos os treinadores desejam que as equipas que orientam, sejam as mais organizadas taticamente, para que desse modo criem um padrão de jogo e pratiquem o melhor futebol, mas poucos o conseguem. Só os pensadores inteligentes e criativos o alcançam! 

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