Mais do que um Manchester City frente a um Liverpool, existe um Guardiola frente a Klopp, dois dos melhores treinadores do mundo que, curiosamente, são também dos treinadores que há mais tempo representam os seus clubes - esta é a oitava temporada de Peso Guardiola ao serviço do Manchester City e a nona temporada de Jürgen Klopp ao serviço do Liverpool. Dois treinadores que já haveriam se defrontado por algumas vezes no clássico do futebol alemão entre Bayern Munich e Borussia Dortmund.

Dois estilos muito vincados em ambos os técnicos que são aprendizes de escolas diferentes, em consequência também das suas vivências enquanto futebolistas e pelo meio ambiente que os rodeou.

Pep Guardiola é claramente influência do jogo posicional do Barcelona, onde foi jogador de Cruyff, com um jogo que privilegia a posse de bola mas também a paciência que tens com ela. O treinador espanhol não abdica de ter o domínio do jogo e acredita que quanto mais bola tiver, mais perto está de marcar. Já Klopp é reconhecido pelo seu famoso gegenpressing, a pressão da escola alemã que enfatiza muito a recuperação alta da posse de bola, mas também a verticalidade que dás à tua posse. O melhor Liverpool de Klopp surge precisamente quando tem jogadores fortíssimos a forçar roturas (Mané e Salah) com um outro (Firmino) a dar apoio e a arrastar defesas adversários.

Claro que estas breves palavras não fazem jus à complexidade daquilo que são os seus modelos de jogos, mas dá para entender que as suas bases para chegar ao golo são distintas. Esta rivalidade proporcionaram aos adeptos bonitos espetáculos de futebol ao longo de todos estes anos - as melhores equipas, com os melhores treinadores, com ideias de futebol diferentes.

Este sábado tivemos mais um Manchester City - Liverpool, mas um pouco diferente do habitual, pelo menos aos meus olhos. É normal o Manchester City ter mais domínio sobre a posse de bola e até ter muitas oportunidades de golo criadas, mas não é normal o Liverpool não ter. As equipas de Klopp são exímias em momentos de ataque rápido ou de transições ofensivas, mas desta vez deixou a desejar os seus adeptos. Apesar de a uma vista desarmada o empate a uma bola parecer dizer uma coisa, o jogo disse outra completamente diferente.

O domínio recaiu quase sempre para os azuis de Manchester. Em primeira fase de construção, o City sempre conseguiu sair com qualidade apesar da pressão bem exercida pelos reds. O fator determinante foi Ederson que é um guarda-redes com o nível de passe de muitos médios que tem a capacidade de quebrar várias linhas de pressão. Para além deste, Rodri raramente falha um passe, mesmo com pressão, e Bernardo Silva deu uma aula de como sair de pressão com bola controlada. Mas perguntam-me: foi apenas qualidade individual? Não. O 1-3-3-4 do Manchester City em fase de construção (sendo Bernardo Silva pertencente à segunda "linha" de 3, mas sempre que sempre procurava espaço para jogar) criou dificuldades nos homens de Klopp principalmente quando os 3 da linha média se preocupavam em ocupar sobretudo espaços do lado esquerdo.

Akanji e Rodri conseguiam atrair muito o interior do lado esquerdo e o interior do corredor central do Liverpool, e Bernardo aparecia com regularidade nas suas costas sozinho, em espaço entre linhas, sendo o primeiro jogador a acelerar o jogo do Manchester City.

Já em último terço, a relação Bernardo Silva e Jeremy Doku deu resultado e que bem trabalham estes dois. Doku menos rematador mas super desequlibrador. No 1vs1 com Arnold, não me recordo de um lance que o inglês tenha ganho ao belga. No entanto, apesar de muitas chances criadas, não foi a partir do momento de organização ofensiva que o Manchester City chegou ao marcador. Curiosamente chega ao mesmo através de uma transição ofensiva com um mau pontapé de Allison que sobraria para Aké que driblaria dois adversários e passaria para o inevitável Haaland - 50 golos em 48 jogos de Premier League. Foi um mau momento do guarda-redes brasileiro dentro de alguns que já vinha preconizado em consequência da pressão alta executada pelos blues.

A equipa de Guardiola tinha o domínio de jogo, criava as maiores oportunidades e nem com as substituições de Klopp, (entrada de Luís Diaz e Gravenberg por exemplo) o Liverpool conseguiu ganhar ímpeto na partida. Foi num lance, já nos minutos finais, que os reds chegariam ao golo por parte de uma execução fantástica de Arnold que, até ao momento, vinha a fazer um jogo paupérrimo.

Ou seja, o jogo terminaria empatado mas somente um treinador poderia sair triste com aquele empate. Guardiola foi o claro lesado de um jogo que tinha tudo para ganhar. Existe um Liverpool em reconstrução, mas existiu um Manchester City com ausências (De Bruyne, Kovacic, Grealish, Matheus Nunes, etc) - Guardiola terminou com o mesmo 11 que começou a partida. Empate com sabor a vitória de Klopp, empate com sabor a derrota para Guardiola.

Para nós, foi empate com sabor a vitória porque só um louco não gostaria de assistir a um jogo destes.

PS: Rafael Pacheco, treinador e analista de futebol, tem nas bancas o livro 'Rogerball - O Benfica de Schmidt', onde analisa a época do Benfica em 2022/23, que levou os encarnados ao título de campeão nacional e aos quartos de final da Liga dos Campeões.

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