O portal de notícias Fraglíder nasceu em 1999 para acompanhar o videojogo Counter-Strike e as competições, nacionais e internacionais, em torno dele, chegando a 2020 com “800 a 900 mil visitas” por mês, conta à Lusa o diretor.

Inicialmente reconhecido pela cobertura de torneios e jogos de Counter:Strike, a Fraglíder, afirmam na sua apresentação, “tornou-se na maior e mais respeitada comunidade de eSports em Portugal”.

Hoje em dia, cobre vários videojogos e, depois de uma pausa de perto de dois anos, terminada em 2011, apresenta números sem ‘rival’ no panorama nacional, como explica à Lusa Hugo Pereira, que encabeça o projeto há quatro anos.

Natural de Braga, sempre se interessou pela vertente competitiva, e sobretudo devido ao Counter:Strike, hoje na versão Global Offensive, um ‘shooter’ que lhe abriu as portas da carreira que agora persegue.

Quando terminou o ensino secundário, conta, decidiu parar um ano, e como “tempo não faltava” acabou por se oferecer para transcrever uma entrevista para um jogador internacional.

“O João Ferreira, que estava à frente da Fraglíder, interessou-se e chamou-me para escrever para o ‘site’. Volvidos mais de sete anos, cá estamos, agora à frente do projeto, desde o final de 2016”, recorda.

Aos 25 anos, lidera um projeto que, “mensalmente”, chega a 30 a 40 mil visitantes únicos, com perto de 900 mil páginas por mês, em média, e com o curso de Direito, que deixou para se dedicar a tempo inteiro ao ‘site’, congelado, enquanto estudar jornalismo “passa pelos planos” mas numa altura em que não tenha de conciliar estudos com trabalho.

É o único em ‘full time’ no projeto, que conta com um par de outros colaboradores, e quando ‘pegou’ no ‘site’ viu “uma necessidade de expandir” para mais do que CS.

Hoje em dia, “a Fraglíder nunca cobriu tantos jogos como cobre”, mesmo que “a atenção principal” continue no ‘veterano’ dos videojogos competitivos.

“Decidi apostar, a dada altura, no FIFA, e foi aposta ganha. Quem quer estar informado sobre FIFA, somos a referência. (...) Há sempre uma pressão da comunidade, mas temos uma equipa de umas cinco pessoas, no máximo, e a escrever somos três. Se não cobrimos um certo jogo, não é porque não queiramos, é porque não é viável”, atira.

Se “a Fraglíder, na sua génese, sempre foi um espaço de referência para CS, mas nunca só CS”, a expansão para outros videojogos acontece apenas quando conseguem entendê-lo, primeiro, e garantir um acompanhamento regular, depois.

O modelo de negócio assenta em visualizações e interação, convertida depois na negociação “dessa exposição com marcas”.

Agora, trabalham para poder “reconquistar a comunidade” de League of Legends, outro dos principais focos de mercado no setor, e esses “passos controlados” vão sendo dados para que se mantenha a ideia de que “quando uma pessoa pensa em eSports em Portugal, uma das primeiras coisas que vem à cabeça é a Fraglíder”.

Questionado sobre a evolução do mercado em Portugal, o diretor do portal de notícias vê o país “atrasado em relação a outros países”, mesmo que cresça “de ano para ano”.

A principal diferença para outros países mais fortes no mercado, como a Espanha, com “um crescimento completamente surreal” nos últimos cinco anos, é “o apoio de grandes infraestruturas” e marcas, que tragam verbas que permitam essa expansão.

O apoio da Vodafone à equipa espanhola Giants, com vários portugueses no plantel, é de um milhão de euros por ano, pelo ‘naming’, segundo o acordo realizado em 2018. “Um milhão, para qualquer organização em Portugal, chegava e sobrava”, comenta.

Em Portugal, diz, a maior parte das equipas “está a perder dinheiro, é sabido”, porque “não têm ainda maneira de tornar os seus ativos em algo rentável”.

Os patrocínios “ainda não são suficientes”, mesmo crescendo todos os anos, algo que também ocorre com o público, as visualizações de torneios e conteúdos associados, e o interesse de clubes desportivos.

“Os eSports, não sendo desporto, são algo cujo público alvo é bastante jovem. Não haverá desporto no mundo com público alvo semelhante. (...) A UEFA percebeu isso e está envolvida nos eSports porque acredita no potencial para captar massas. Há quem siga eSports e não siga futebol”, exemplifica.

Ir “buscar público a Espanha ou ao Brasil, que tem a mesma língua”, é outra das ‘receitas’ para o sucesso que aponta, lembrando ainda que “nunca houve uma ronda de financiamento” de organizações em Portugal, algo que acontece “muitas vezes em Espanha”.

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