Ainda não foi desta que se "fez Taça" na atual temporada, mas olhando para a partida entre 1º de Dezembro e Benfica, essa possibilidade chegou a estar claramente em aberto. Os tricampeões nacionais defrontaram uma equipa do terceiro escalão e tiveram muitas dificuldades na tarefa de assegurar um triunfo que se previa simples.

Tal como seria expectável, Rui Vitória escalou um 'onze' de segundas linhas, aproveitando para dar minutos aos jogadores menos utilizados do plantel do Benfica. O resultado podia ter sido um 'onze' de jogadores desejosos de mostrar a sua melhor versão para convencer o treinador, mas no geral não foi isso que se viu. Em particular no primeiro tempo.

Os primeiros 45 minutos de jogo no Estoril mostraram um Benfica completamente desconexo, como se todos os jogadores lançados por Vitória se tivessem acabado de conhecer. Frente a uma equipa naturalmente defensiva - e adotou esta estratégia de forma quase imaculada - os 'encarnados' não conseguiam levar perigo à baliza do guarda-redes João Manuel e foi preciso esperar até aos 44 minutos para ver um momento de real perigo, por José Gomes. Até aí, via-se um Carrillo novamente desinspirado, um Zivkovic em claro processo de adaptação e um José Gomes desamparado no ataque.

Entretanto, o 1º Dezembro de Hugo Martins ia cumprindo aquilo a que se tinha proposto com distinção. Não era uma mera questão de número de jogadores em zonas defensivas, mas o esforço sobre-humano de quem quer fazer história e a impecável comunicação entre elementos. Rui Vitória percebeu que o adversário não iria ser "pêra doce" e que não se podia dar ao luxo de manter Carrillo em campo. Não este Carrillo. Entrou Gonçalo Guedes, o ataque ficou um pouco mais dinâmico e o Benfica acabou por chegar à vantagem com um grande lance do estreante Danilo.

Depois do golo inaugural porém, houve um momento de choque para os adeptos benfiquistas. Celis fez um terrível atraso e Ederson fez falta sobre Diallo, com o penálti a ser devidamente assinalado. Martim Águas foi chamado e - ele sim - fez história: marcou à equipa em que brilharam o pai e o avô. Um momento para recordar na família Águas.

O Benfica acabaria por conquistar o triunfo apenas aos 90+6', quando tudo indicava que iria haver um prolongamento em jeito de recompensa para um 1º Dezembro heróico e de penalização para um Benfica demasiado suave. Foi então que se ergueu o capitão: na sequência de um pontapé de canto, Luisão saltou, cabeceou e decidiu a partida no melhor momento possível. Ao cair do pano.

Os melhores:

Equipa do 1º Dezembro: A equipa de Sintra foi coesa, solidária e exibiu um esforço tremendo, mas conseguiu ainda demonstrar qualidade individual assinalável em vários dos elementos. Leo foi uma rocha no eixo da defesa e o guarda-redes João Manuel fez várias algumas defesas de alto nível quando o resultado estava em 1-1. Martim Águas finalizou com grande classe a grande penalidade que é certamente o momento mais marcante da carreira do médio de 23 anos.

Luisão: Apareceu no momento certo, decidiu a partida com um grande cabeceamento. Mas antes disso já havia feito muito mais. Dominou a sua zona do terreno e anulou da melhor forma o avançado Abdoulaye, na teoria a principal ameaça para Ederson. E depois do triunfo ainda aproveitou para reiterar o seu compromisso com o Benfica, afastando os rumores de insatisfação por ter perdido o estatuto de indiscutível no 'onze'.

Os piores:

Carrillo: Mais uma vez, o peruano esteve desinspirado, tanto nos lances individuais como nos cruzamentos. Foi a face mais visível de um Benfica sem objetividade, sem rumo, durante os primeiros 45 minutos. Acabou por ser substituído por Guedes ao intervalo e poucos contestaram a decisão de Rui Vitória.

Celis: O médio fica necessariamente marcado pelo terrível momento que originou o penálti assinalado a favor do 1º Dezembro, com um atraso que acabou por levar à falta cometida por Ederson. Também tem muito a aprimorar antes de conquistar um lugar no 'onze' benfiquista.

As reações:

Rui Vitória: "Temos capacidade para fazer mais"

Hugo Martins: "No mínimo merecíamos o prolongamento"

Luisão: "Sempre estive com a cabeça no Benfica"

Martim Águas: "É um privilégio fazer um golo a um grande"

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