
Talvez tenha sido uma das exibições mais sólidas da época, pela consistência e não pelo espectáculo. Por vezes, este Sporting de Rui Borges colocava-se em vantagem, mas numa altura em que se pedia gestão e cabeça fria, baixava demasiado a intensidade, e permitia o crescimento do adversário. O que viu, na noite de Alvalade, foi uma equipa intensa, do início até ao fim do jogo à procura do golo. Nos segundos 45 minutos a equipa transbordou dinâmica, tentando através tanto através do jogo interior como pelos corredores descobrir as melhores soluções para colocar em situações privilegiadas os seus jogadores mais diferenciados. Faltou frieza, por vezes, na hora da finalização, e o resultado peca por escasso até porque o Sporting poderia ter construído uma vantagem bem mais dilatada que o 2-0 final.
Geny e Gyokeres desbloquearam a contenda: o moçambicano, com um tiraço, abanou pela primeira vez as redes. Gyokeres a fechar a segunda parte, com uma 'panenka' na sequência de uma grande penalidade, fixou o resultado. Para este duelo, talvez se pensasse que Rui Borges pudesse gerir 'as suas pedras', com o encontro de domingo frente ao SC Braga no horizonte. O treinador dos leões, em relação à Reboleira, fez descansar Quenda e Inácio, tendo lançado St. Juste, e voltou a contar com Hjulmand e Maxi Araújo, que regressaram de castigo.
O encontro iniciou-se com uma toada algo morna. Um remate de Debast quebrou a monotonia, e Geny Catamo, de pé afinado, fez abanar pela primeira vez as redes, num pontapé portentoso. Miszta nada pôde fazer. A reação rioavense não se fez esperar, e André Luís e Clayton colocaram em algum sobressalto a baliza de Rui Silva. Foi o que de melhor se viu do Rio Ave na primeira parte. O Sporting segurou de novo a batuta, e era Gyokeres que aparecia em jogo e exibia toda a sua capacidade. Um lance individual do sueco só não resultou em pleno devido a um corte de Ndoj. O dianteiro haveria mesmo de fazer o gosto ao pé em cima do intervalo. Geny Catamo foi carregado em falta na área, e na marcação da grande penalidade, o avançado sueco, em habilidade, transformou com mestria a grande penalidade.
No segundo tempo os leões não diminuíram a marcha, antes sim aumentaram-na. Trincão, Geny Catamo e Gyokeres, com um tiraço ao poste, estiveram perto de dilatar o resultado. O moçambicano ainda colocou a bola no fundo das redes, mas o lance foi invalidado. O triunfo poderia ter-se expressado por outros números, mas deixa o Sporting mais próximo do Jamor.
Momento
Foi o lance que abriu as portas para a vitória leonina. Geny quebrou a monotonia com um pontapé pleno de intenção. Mau alívio da defensiva visitante e o dianteiro aproveitou da melhor forma para atirar a contar. Um golaço que pode ter escancarado as portas para o Jamor.
Melhores
Geny Catamo
Um regresso e tanto à titularidade. Mostrou porque é um dos jogadores mais diferenciados no Sporting, até na finalização. Abriu as contas para os leões, sofreu a grande penalidade que deu origem ao golo de Gyokeres, e ainda voltou a atirar para o fundo das redes no segundo tempo, mas foi assinalado fora de jogo.
Gyokeres
Já não há palavras para definir o sueco. Um jogador que trabalha muito, mas consegue transpor para o campo genialidade, intensidade e instinto mortífero. Fez o golo 'da praxe' numa 'panenka' frente ao guardião do Rio Ave. É uma 'locomotiva' imparável: ainda atirou uma bola ao poste e colocou à prova Miszta.
Clayton e André Luís
O avançado foi um dos mais inconformados na equipa do Rio Ave. Ameaçou num remate de cabeça e tentou remar contra a maré. André Luís também chamou para si o protagonismo, tendo ficado na retina um lance na primeira parte finalizado por um remate portentoso que passou muito próximo da baliza de Rui Silva.
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