O internacional português Ricardo Pereira partilhou hoje que decidirá com naturalidade o seu futuro depois do futebol, enquanto o antigo internacional francês Patrice Evra conseguiu passar com sucesso dos relvados para os investimentos.

“Quando vais crescendo, vais ouvindo algumas histórias de jogadores. Umas são boas e outras más, mas normalmente fixamo-nos nas más: eles construíram o seu império, mas, depois, meteram-se em negócios nos quais perderam tudo e passaram por dificuldades. Uma pessoa tenta ter isso como exemplo para não cometer os mesmos erros”, admitiu Ricardo Pereira, defesa do Leicester, recém-despromovido à divisão secundária inglesa.

Durante o painel “Pós carreira: a importância de preparar o ‘pendurar as botas’ durante a carreira desportiva”, integrado na cimeira Thinking Football, no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, o jogador frisou que “é importante não correr riscos, porque não há necessidade”.

“Devemos ter o máximo de opiniões das pessoas em quem confiamos para alcançarmos diferentes perspetivas. Uma vez que temos as nossas carreiras em andamento e não se pode estar em cima de tudo, temos de ter alguém que possa ser de confiança. Às vezes, isso é difícil, porque, ao sermos pessoas conhecidas, muita gente vem ter connosco por causa de negócios ou com oportunidades e teremos sempre de desconfiar”, reconheceu.

Ricardo Pereira, de 29 anos, está a cumprir a sexta época consecutiva pelo Leicester, ao qual chegou em 2018/19, depois de ter passado por FC Porto (2013-2018), no qual foi campeão nacional, os franceses do Nice (2015-2017) e Vitória de Guimarães (2012/13).

“Acredito que os jogadores têm disponibilidade [para a formação], principalmente com os meios online que existem hoje ou mesmo com as vantagens financeiras de que dispõem. O interesse também é importante. Agora, acho que isto não é uma obrigação, no sentido em que há pessoas que se querem focar mais na carreira e pensar nisso depois”, notou.

Patrice Evra, de 42 anos, também optou por se “focar no presente” enquanto atuava nos maiores palcos do futebol mundial, mas “abriu um novo capítulo” na vida em 2017/18, quando terminou uma carreira de duas décadas ao serviço dos ingleses do West Ham.

“Sou mais feliz agora do que quando jogava. Antes, as pessoas reconheciam-me como futebolista, mas agora olham para mim como ser humano. Por vezes, faço vídeos loucos nas redes sociais e aparece alguém nos comentários a dizer que o pai dele morreu, mas sorriu ao ver aquilo. Isso é mais relevante do que ganhar a Liga dos Campeões”, contou.

Antigo defesa e capitão dos ingleses do Manchester United e da seleção francesa, Evra tornou-se empresário, ativista, orador motivacional e personalidade influente nas redes sociais, para além de ser o principal investidor do consórcio norte-americano MYFC, que adquiriu em maio de 2023 o Estrela da Amadora, recém-promovido à I Liga portuguesa.

“Quando jogas futebol, o teu telemóvel toca 100 vezes por dia. Assim que aquilo acaba, alguns amigos e até família desaparecem. É um assunto social, mas também financeiro. Alguns jogadores querem ter o mesmo estilo de vida, mas a conta bancária vai descendo quando se para de jogar. Quando jogas, é sempre maior e não há a sensação de perder dinheiro”, testemunhou o ex-lateral esquerdo, que venceu uma Liga dos Campeões, um Mundial de clubes e cinco edições da Liga inglesa pelos ‘red devils’, entre 2006 e 2014.

Com passagens pelos franceses do Mónaco (2002-2006) e do Marselha (2017) ou pela Juventus (2014-2017), na qual conquistou cinco campeonatos italianos, Patrice Evra diz que a eficácia da sua transição dos relvados para os investimentos “não teve a ver com dinheiro, mas com a felicidade” que foi sentindo ao se “redescobrir como ser humano”.

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