Os aumentos das tarifas dos autocarros, dos comboios e do metro trouxeram, nas duas últimas semanas, milhares de jovens brasileiros para as ruas, num protesto que coincide com a realização da Taça das Confederações, que se iniciou no sábado.

Os manifestantes não criticam apenas os centavos diários desembolsados a mais, mas também a má qualidade do transporte público e o custo do modelo de concessões a empresas privadas, que consideram alto.

Pelo menos seis cidades têm sido palco de protestos: Porto Alegre e Curitiba, no sul do país, Maceió e Natal, no nordeste, e Rio de Janeiro e São Paulo, no sudeste. Delas, apenas Maceió não é sede do Mundial2014. Já o Rio de Janeiro recebe também partidas da Taça das Confederações, que começou neste fim de semana.

Nas maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, os protestos reuniram milhares de participantes e foram marcados por confrontos entre manifestantes e polícias. Centenas de pessoas foram detidas e diversas ficaram feridas.

Para segunda-feira, está prevista uma nova manifestação em São Paulo.

Os protestos foram convocados em redes sociais na Internet pelo Movimento Passe Livre (MPL), que defende o transporte gratuito para estudantes, como um "instrumento inicial de debate sobre a transformação da atual concepção de transporte coletivo urbano (...), abrindo a luta por um transporte público, gratuito e de qualidade", segundo a sua carta de princípios.

Em São Paulo, os atos do grupo atraíram outros movimentos e jovens sem vínculo com organizações. O Governo de São Paulo queixa-se da atuação de representantes de partidos políticos, que, afirma, promovem depredações. O MPL reconhece não ter controlo sobre todos os grupos de manifestantes.

A atração de tantas pessoas, incomum na cidade, pode ser explicada pela má qualidade do transporte público. Só em 2012, os 15 mil autocarros de São Paulo levaram 184.955 multas por infrações como incumprimento de horários e paragem fora dos pontos determinados, segundo dados da prefeitura, além de que a lotação é intensa nos horários de mais movimento.

Perante esta situação, os manifestantes discordam do preço pago.

Atualmente, uma pessoa que usa duas passagens por dia (ida e volta) gasta 192 reais por mês (67 euros), ante um salário mínimo de 678 reais (237 euros) - em São Paulo, o mínimo é de 755 reais (264 euros).

Os governos do Estado e do município de São Paulo, responsáveis pelos comboios e autocarros, respetivamente, realçam que, no último reajuste, o aumento repassado para a população ficou abaixo da inflação acumulada, quando as passagens passaram de 3 reais (1,04 euro) para 3,20 reais (1,12 euro).

Porém, nos anos anteriores o aumento foi maior. Se a tarifa tivesse seguido a inflação acumulada de 332% desde 1994, as passagens deveriam custar 2,16 reais (0,75 euro) para autocarros e 2,59 reais (0,91 euro) para o metro, segundo as contas divulgadas pela imprensa brasileira.

Os manifestantes paulistas entregaram um pedido de diálogo junto da prefeitura. A administração afirmava que só iria atendê-los após o fim dos protestos "violentos", mas, na sexta-feira, convidou o MPL para a reunião do Conselho da Cidade. 

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