O FC Barcelona interpôs hoje uma providência cautelar num tribunal da Catalunha a solicitar a suspensão da proibição do uso de bandeiras nacionalistas catalãs na final da Taça do Rei de Futebol.

Em comunicado, o clube catalão sustenta que a proibição “viola o direito fundamental à liberdade de expressão” e carece de fundamento porque “pressupõe uma vontade ofensiva na exibição das bandeiras”. “Com ações como esta, o FC Barcelona defende e continuará a defender a liberdade de expressão dos seus sócios e adeptos”, refere o FC Barcelona.

A proibição das “esteladas” (a bandeira independentista da Catalunha) no jogo entre o FC Barcelona e o Sevilha, no estádio Vicente Calderón, foi decretada na quarta-feira pela delegada do Governo em Madrid (o equivalente à antiga figura portuguesa do governador civil), Concepción Dancausa.

O conselheiro de Justiça do Governo regional da Catalunha considerou na quarta-feira que a proibição do uso de bandeiras nacionalistas catalãs na final da Copa do Rei de futebol constitui "uma limitação do direito à liberdade de expressão". Em declarações à emissora Catalunia Ràdio, Carles Mundó, que considerou esta decisão "inaceitável num estado democrático", acrescentou que o governo central de Espanha "está a aproveitar" esta medida "como munição" em vésperas de campanha eleitoral para as legislativas de 26 de junho (nas quais o tema da independência da Catalunha continua a ser um dos temas fortes).

Os espectadores da final da Taça do Rei, que se disputa no domingo, em Madrid, entre o FC Barcelona e o Sevilha, vão ser revistados um a um, para impedir a entrada de bandeiras independentistas catalãs.

O dispositivo de segurança previsto para a final, às 21:30 (menos uma hora em Lisboa) no Estádio Vicente Calderón, contará com 2.500 efetivos dispostos num duplo filtro. Em ambos estes controlos, os seguranças e agentes de segurança vão impedir a entrada de bandeiras independentistas catalãs.

Para o conselheiro da Generalitat, a medida "não tem qualquer justificação", considerando que a bandeira independentista é "um símbolo democrático da liberdade de expressão". O jogo é considerado de alto risco e levará ao estádio cerca de 38.800 adeptos de ambos os clubes. A capacidade máxima do Calderón é de 54.907 espectadores. As portas do estádio abrem cerca de três horas e meia antes do encontro, para que os adeptos possam passar pelas medidas de segurança reforçadas, que incluem ainda bilhetes com o nome de cada espectador.

A final da Taça do Rei de 2015, no Camp Nou em Barcelona, ficou marcada por uma enorme assobiadela durante o hino espanhol, na presença do Rei Felipe VI, que assistia - como habitualmente - à partida decisiva da competição.

Antes e durante o jogo (no qual o FC Barcelona bateu o Athletic Bilbau por 3-1), os adeptos do FC Barcelona desfraldaram milhares de bandeiras "esteladas" (que se diferencia da bandeira da Catalunha por acrescentar um triângulo azul e uma estrela branca às habituais listas vermelhas e amarelas).

Em fevereiro a Audiência Nacional - um tribunal especial espanhol - considerou que não existiu qualquer delito na assobiadela ao Rei na final da Taça do ano passado, ordenando que a queixa fosse arquivada. A procuradoria espanhola considerou que a assobiadela poderia constituir um delito de injúrias ao Rei e aos símbolos de Espanha, como o hino.

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