Os chefes da diplomacia kosovar e albanesa chegaram hoje a Belgrado, capital da Sérvia, para tentar atenuar o clima de tensão entre sérvios e albaneses, recentemente reacendido após um incidente durante um jogo de futebol.

A visita do ministro dos Negócios Estrangeiros do Kosovo, Enver Hoxhaj, e do seu homólogo albanês, Ditmir Bushati, não tem caráter oficial. A deslocação surge no âmbito de uma reunião com os homólogos dos países dos Balcãs Ocidentais organizada sob os auspícios da União Europeia (UE).

No passado dia 14 de outubro, um avião não-tripulado ('drone'), com uma bandeira da "Grande Albânia", sobrevoou um estádio em que decorria o desafio de futebol Sérvia-Albânia, em Belgrado. O incidente levou a escaramuças no relvado e o jogo foi interrompido.

A "Grande Albânia" é um projeto nacionalista que visa criar um único Estado com todas as comunidades albanesas, incluindo o Kosovo, antiga província sérvia de maioria albanesa que declarou independência em 2008. A declaração unilateral de independência do Kosovo não é reconhecida pela Sérvia.

Este incidente desencadeou discussões acesas entre Belgrado e Tirana e levou ao adiamento em três semanas da visita à Sérvia do primeiro-ministro albanês, Edi Rama, a primeira deslocação de um governante albanês à região em 68 anos. A visita estava inicialmente prevista para quarta-feira.

Citado pela agência francesa AFP, o chefe da diplomacia albanesa, Ditmir Bushati, rejeitou a ideia de uma "Grande Albânia", afirmando que tal conceito "nunca fez parte dos projetos e objetivos políticos" de Tirana.

"O nosso objetivo é ter toda a região plenamente integrada no seio da UE", assegurou Bushati, sublinhando que "os assuntos de Estado não devem ser ditados por um ato de 'hooliganismo' durante um jogo de futebol".

Ditmir Bushati referiu ainda que as autoridades de Tirana estão determinadas em trabalhar com todos os países da região, nomeadamente com o governo sérvio "para realizar projetos de importância regional".

"O nacionalismo não é um denominador comum da nossa região, mas sim a vontade de alcançar a prosperidade económica e social", reforçou.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros kosovar, Enver Hoxhaj, sublinhou o caráter "histórico" desta visita a Belgrado. "Algo que era inimaginável ainda em 2011 aconteceu hoje, revelando até que ponto as nossas relações estão calmas", disse Hoxhaj.

Apesar da controversa questão do estatuto do Kosovo, a Sérvia concluiu em abril de 2013 com o governo kosovar um acordo, qualificado como "histórico", sobre a normalização das relações entre os dois países, o que permitiu a Belgrado iniciar em janeiro último as negociações de adesão à UE.

Enver Hoxhaj defendeu a continuação e o desenvolvimento do diálogo com Belgrado para que exista uma "plena normalização das relações", bem como a assinatura de um acordo legalmente vinculativo entre os dois países. Para o Kosovo, tal documento seria o equivalente a "um tratado de paz" com a Sérvia.

"Esse tratado seria encarado, do nosso ponto de vista, como um reconhecimento do Kosovo, como [uma porta aberta] para a adesão do Kosovo à ONU e representaria o início de um processo de reconciliação entre os dois Estados", concluiu Enver Hoxhaj.

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