Após ano e meio retido no banco, Rui Silva é o guarda-redes menos batido da II Liga espanhola de futebol e atravessa a "melhor época da carreira" no Granada, que luta pela subida de divisão.

"É a melhor época da minha carreira, uma vez que já consegui bater o meu recorde de jogos [que era de 24 encontros, em 2015/16]. Sinto-me totalmente outro guarda-redes em termos de regularidade, confiança e estado emocional", reconheceu à Lusa o futebolista, de 25 anos, um dos protagonistas no percurso do Granada em 2018/19.

Rui Silva é o único totalista do conjunto andaluz, tendo encaixado 18 golos em 29 jogos e mantido a baliza 'nazaríe' inviolada em 15 ocasiões, como sucedeu no domingo, no 'nulo' no terreno do Almería. O desempenho global mereceu em janeiro a distinção de melhor guarda-redes da primeira volta.

O Granada, atual segundo classificado, com 57 pontos, menos três do que o líder Osasuna, prossegue a melhor sequência de resultados da temporada, fruto de 13 pontos arrecadados nas últimas cinco jornadas, e encontra-se em zona de ascensão direta ao principal escalão do futebol espanhol.

Com 12 rondas por disputar, os 'rojiblancos' detém quatro pontos de vantagem sobre o terceiro, o Albacete, e dez a mais do que o Oviedo, atualmente na sétima posição, a primeira abaixo do acesso aos 'play-offs' de subida.

Apesar da conjuntura, que favorece um possível regresso dos comandados de Diego Martínez à I Liga, após dois anos, o jogador natural da Maia não dá a subida como garantida, preferindo pensar numa jornada de cada vez.

"Estamos a fazer uma época muito regular e fomos a melhor equipa visitante, mas o objetivo é ganhar jogo a jogo e somar o máximo de pontos possíveis. Esta divisão é bonita e complicada ao mesmo tempo: tanto posso ganhar dois jogos e ficar em cima como, na semana seguinte, perco e já estou de novo dois ou três lugares abaixo", advertiu.

As atuações do internacional sub-21 português causaram espanto junto de dirigentes, adeptos e imprensa, depois de uma ausência prolongada dos relvados por opção técnica, à medida que o Granada lograva campanhas desastrosas.

Quando aterrou em Espanha, no inverno de 2017, proveniente do Nacional, os 'nazaríes' integravam a elite do futebol espanhol, mas acabaram por descer sem que Rui tivesse a oportunidade de se estrear, ao viver na sombra do internacional mexicano Guillermo Ochoa.

"A transferência foi boa para ambas as partes, já que também tinha a ambição de crescer num campeonato de topo, que abre muitas portas. Decidi arriscar, embora soubesse que o Granada lutava pela manutenção tal como o Nacional. Tive cinco meses de adaptação, nunca joguei em Espanha e, no final da época, assisti à descida das duas equipas. Foram momentos que não se deseja a ninguém", recordou.

Na temporada passada, com a subida na mente, o clube da Andaluzia promoveu à baliza o experiente Javi Varas, mas quedou-se pelo 10.º lugar, com 61 pontos, a quatro dos 'play-offs'. Rui Silva só disputou cinco encontros, vendo pelo meio negada a possibilidade de regressar por empréstimo a Portugal, para 'ganhar minutos'.

"Acabei por ficar em Espanha a trabalhar todos os dias com a mesma ambição, de forma a estar preparado assim que chegasse a oportunidade", observou o jogador português, que aguardou 19 meses por um lugar de destaque no Estádio Nuevo Los Cármenes, numa época assinalada por cortes orçamentais e metas prudentes por parte de um emblema que já disputou o principal escalão em 20 ocasiões.

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