O selecionador do Irão, Carlos Queiroz, não ficou surpreendido por José Mourinho não ter tido sucesso no Real Madrid, atribuindo-o «à complexidade do clube» e à circunstância do poder não estar dentro da instituição.

«O poder não está dentro do Real Madrid, é muito diluído e trabalhado fora do próprio clube. É criada uma pressão social e da opinião pública e mediática, que perturba as relações entre as pessoas e acaba por criar um ambiente menos propício a que equipa técnica e jogadores trabalhem bem e produzam», disse Carlos Queiroz à agência Lusa, socorrendo-se da sua experiência como técnico dos “merengues” em 2003/04.

De resto, Queiroz foi o primeiro treinador português a orientar o Real Madrid, sucedendo no cargo a Vicente Del Bosque, atual selecionador espanhol, mas no final da época seria afastado pelo presidente Florentino Pérez, depois de deixar a equipa em quarto lugar, a sete pontos do campeão, o Valência.

Para Carlos Queiroz, só quem passa pelo Real Madrid pode saber «quão complexo e complicado é gerir internamente o clube», no qual tem sido «muito difícil para os treinadores, nos últimos anos, impor a sua autoridade e capacidade, pelo mediatismo e intervenção social que recebe de fora para dentro».

No entanto, Queiroz «não tem dúvidas» de que José Mourinho vai triunfar de novo no Chelsea e explica porquê: «Há uma condicionante básica fundamental no dia a dia das pessoas e de mim próprio: ninguém pode produzir se não estiver motivado e se não estiver feliz».

«A essência que dinamiza o sucesso das pessoas assenta no seu índice de satisfação. Conhecendo o Chelsea e o futebol inglês, como ele conhece, tem todas as condições, com as suas capacidades, para voltar a ter êxito e ser feliz como foi da primeira vez por que lá passou», observou o atual selecionador do Irão, recordando que o clube londrino foi «um espaço e um momento que deu a José Mourinho enorme satisfação e felicidade».

O defesa central do Real Madrid Pepe foi recentemente protagonista de um caso com José Mourinho, ao vir a público em defesa do guarda-redes Iker Casillas, quando este foi criticado publicamente pelo “Special One”, semelhante ao que Carlos Queiroz viveu com o mesmo Pepe, que saltou então a terreiro em defesa de Deco, alvo de críticas do atual selecionador do Irão.

«São matérias e áreas sobre as quais não quero estar por dentro, principalmente quando conheço as pessoas e as situações. Cada vez mais, na minha relação com o futebol, quero estar distante desse tipo de coisas menores, que não deviam fazer parte do dia-a-dia do futebol», disse.

Da mesma forma se recusou a responder a Manuel José, que o acusou de «ter atrapalhado» o seu trabalho no Persepolis, clube iraniano que orientou, na mesma altura em que Carlos Queiroz já exercia o cargo de selecionador daquele país: «Quem deve responder a esse comentário são o presidente, os jogadores e os adeptos do Persepolis». 

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