É de calculadora na mão, à boa moda portuguesa, que o Benfica vai encarar a última ronda da fase de grupos da Liga dos Campeões. Na Áustria, os encarnados estão obrigados a fazer o que ainda não conseguiram esta época: vencer na Liga milionária, e por dois golos de diferença. Será o suficiente para fazer os serviços mínimos, que neste momento é terminar no 3.º lugar, que dá lugar ao play off de acesso aos oitavos da Liga Europa.

Os mais de 50 mil que estiveram na Luz na quarta-feira foram para o intervalo a esfregar as mãos de felicidade, naquela que seria a primeira vitória do Benfica este ano na prova milionária, mas o Inter reagiu e passou de 0-3 para 3-3. Nos descontos, ainda atirou uma bola aos ferros, aos 90+5.

Benfica-Inter: as melhores imagens do jogo

O Jogo: Duas caras, um ponto e tudo adiado para a última ronda

O Benfica do primeiro tempo diante do Inter era o Benfica que os adeptos gostariam de ver nos anteriores quatro encontros que os encarnados perderam. Era o Benfica que se pedia para que os campeões nacionais pudessem lutar por um lugar nos oitavos de final da prova, como se desejaria, de uma equipa que vinha do Pote 1 (o pote dos cabeças-de-série) do sorteio.

E o Benfica do segundo tempo é aquele que os adeptos encarnados têm visto na Europa esta época, que também explica o porquê de a equipa ficar sem hipóteses de chegar aos oitavos de final após a quarta jornada e com o perigo de ficar fora das provas da UEFA já na 5.ª ronda. Um Benfica desligado, sem ideias, permeável.

A eficácia encarnada ao intervalo - três golos em quatro remates enquadrados - fazia a diferença, mas explica-se também pela forma como o Benfica conseguia condicionar o Inter, uma equipa com muitas mexidas no onze e sem entrosamento entre os jogadores. João Mário destacou-se na finalização com três golos, Tengstedt nas assistências (três) e na luta que ia dando aos defensores italianos logo após a perda de bola. Mesmo com menos bola (39 por cento), o Benfica estava a dominar.

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Depois veio o Benfica de Champions, de erros individuais, de espaços concedidos aos adversários, de falta de ideias.

Os campeões nacionais até terminaram com mais posse de bola do que no 1.º tempo, mas só fizeram um remate à baliza, dos seis tentados. O Inter tirou partido das fraquezas do flanco direito da defesa encarnada para criar dois golos por esse lado, o 2-3 de Frattesi após centro de Acerbi e o lance do penálti convertido por Alexis Sanchez para o 3-3.

Quando Simone Inzaghi viu a sua equipa ir do 0-3 para 2-3 aos 58 minutos, percebeu que ainda podia dar a volta. As entradas de Thuran, Lautaro, Dimarco e Barella empurraram ainda mais o Inter e só o poste, aos 90+4, evitou o 4-3.

Resta ao Benfica vencer o Salzburgo no dia 12 de dezembro por dois golos de diferença para não ficar fora das provas da UEFA antes do final do ano. Depois de ter feito o primeiro golo na 4.ª ronda diante da Real Sociedad e o primeiro ponto na 5.º jornada, espera-se a primeira vitória na última jornada.

Momento-chave: Poste amigo contra a reviravolta italiana

Aos 90+5 minutos, Dimarco serviu Barella na área, este disparou, com a bola a bater no poste de Trubin. Os dois craques lançados no segundo tempo quase que faziam o 4-3. Se a bola entrasse, o Inter consumaria a reviravolta no jogo e atirava o Benfica para fora das provas da UEFA. Respirou o Estádio da Luz.

Os Melhores: Hat-tricks de Tengstedt e João Mário não chegaram

O primeiro hat-trick da carreira de João Mário fica ensombrado pelo empate. O médio vingou-se da sua passagem mal sucedida no Inter Milão, com três golos em menos de 30 minutos. Resta dizer que foi a primeira vez que um jogador do Benfica fez três golos num jogo neste novo formato da Champions (desde 1992/93).

Roger Schmidt parece ter encontrado o avançado que casa melhor com os médios do Benfica. Tengstedt pode não terminar a época com 40 golos mas vai ajudar mais a equipa, principalmente os médios com chegada à área. Todos os três golos de João Mário saíram dos seus pés, o segundo deles, numa recuperação de bola ainda à entrada da área do Inter. O nórdico trabalha muito para a equipa e permite que outros jogadores possam aparecer

Em noite 'não': Para onde foi o Benfica após o intervalo?

Os três sofridos pelo Benfica no segundo tempo explicam-se pela entrada 'mole' das águias no jogo após o intervalo. O Benfica não soube ter bola para travar o crescimento do Inter e ficou patente as suas dificuldades evidenciadas nesta Champions, quando os italianos lançaram as 'trutas' Marcus Thuram, Nicolo Barella, Federico Dimarco e Lautaro Martinez.

Outro dado negativo: a expulsão de António Silva. O vermelho direto parece ter sido excessivo mas os árbitros na UEFA são menos tolerantes com as entradas duras. Segunda expulsão do jovem central encarnado nesta Champions, ele que também tinha visto vermelho diante do Salzburgo.

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