O Benfica perdeu em 1990 a sua quinta final consecutiva da Taça dos Campeões Europeus de futebol, na que é ainda hoje, 30 anos depois, a sétima e última presença, mas a ‘culpa’ foi, sobretudo, do AC Milan.

Em 23 de maio de 1990, em Viena, o ‘onze’ comandado pelo sueco Sven-Goran Eriksson defrontou uma ‘super equipa’, à qual bastou um golo, do médio holandês Frank Rijkaard, aos 67 minutos, para escrever o quarto dos seus sete títulos europeus.

O AC Milan fez história no Estádio do Prater, ao conseguir, para Itália, um então inédito e nunca repetido ‘Grand Slam’ (vitórias nas três taças europeias na mesma época), após triunfos da Sampdoria na Taça das Taças e da Juventus na Taça UEFA.

Até ao final de um ano de 1990 em que só faltou ao futebol italiano conquistar o ‘seu’ Mundial – responsabilidade daquela meia-final contra Diego Armando Maradona -, os ‘rossoneri’ ainda arrebataram a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental.

Curiosamente, o conjunto de Milão não ganhou nenhum das edições da ‘Serie A’ com ‘passagem’ em 1990: foi sempre vice-campeão, batido pelo Nápoles, de Maradona, em 1989/90, e pela Sampdoria, de Gianluca Vialli e Roberto Mancini, em 1990/91.

Na capital austríaca, frente ao Benfica, o AC Milan não foi demolidor, como um ano antes face ao Steaua Bucareste (4-0, com ‘bis’ de Ruud Gullit e Marco van Basten), mas aproveitou uma das poucas ocasiões do jogo e nunca deixou os portugueses ameaçar.

Com Tassotti, Baresi, Costacurta e Maldini a guardar Galli, um meio campo com Rijkaard, Ancelotti, Colombo e Evani e Gullit nas costas de Van Basten, o AC Milan, de Arrigo Sacchi, foi demasiado para o Benfica sonhar com o triunfo.

Sem o ‘capitão’ Veloso, castigado, Eriksson apostou em Silvino, na baliza, uma defesa com José Carlos, Ricardo, Aldair e Samuel, central adaptado à esquerda, Hernâni e Thern no centro do meio campo e um trio (Vítor Paneira, Valdo e Pacheco) no apoio ao ponta de lança Magnusson.

O Benfica esteve muito bem defensivamente, liderado por Ricardo e Aldair, mas ofensivamente pouco fez, antes ou depois das entradas de César Brito (por Pacheco) e de Vata - o ‘herói’ da meia-final com o Marselha, face ao célebre golo com a mão -, que substituiu Vítor Paneira já com as ‘águias’ em desvantagem.

De forma natural, os ‘encarnados’ somaram, assim, o quinto desaire consecutivo em finais da Taça dos Campeões, depois das derrotas de 1962/63, 64/65, 67/68 e 87/88, e o sexto em todas as provas, contando com a Taça UEFA de 1982/83.

Depois da derrota de Viena, onde o FC Porto se sagrara pela primeira vez campeão da Europa três anos antes (1986/87), o Benfica nunca mais chegou à final da principal prova europeia, mas perdeu mais duas finais, da Liga Europa (2012/13 e 2013/14).

Ficha do jogo:

Final da Taça dos Campeões Europeus de 1989/90.

23 de maio de 1990.

Estádio do Prater, em Viena, Áustria.

AC Milan, Ita - Benfica, Por, 1-0.

Ao intervalo: 0-0.

Marcador:

1-0, Frank Rijkaard, 67 minutos.

Equipas:

- AC Milan: Giovanni Galli, Mauro Tassoti, Franco Baresi, Alessandro Costacurta, Paolo Maldini, Angelo Colombo (Filippo Galli, 89), Carlo Ancelotti (Daniele Massaro, 67), Frank Rijkaard, Alberigo Evani, Ruud Gullit e Marco van Basten.

(Suplentes: Andrea Pazzagli, Filippo Galli, Stefano Borgonovo, Daniele Massaro e Marco Simone).

Treinador: Arrigo Sacchi.

- Benfica: Silvino, José Carlos, Ricardo, Aldair, Samuel, Hernâni, Jonas Thern, Vítor Paneira (Vata, 76), Valdo, Pacheco (César Brito, 59) e Magnusson.

(Suplentes: Bento, Fernando Mendes, Diamantino, César Brito e Vata).

Treinador: Sven-Goran Eriksson.

Árbitro: Helmut Kohl (Alemanha).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Aldair (40) e Ricardo (65).

Assistência: 57.558 espetadores.

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