A máxima, ´em equipa que ganha não se mexe` nem sempre funciona com Jorge Jesus. Volta e meia o técnico tenta ´inventar` soluções, criar algo diferente da que a equipa e os adeptos estão habituados. Em Varsóvia, a precisar de um empate, ´inventou` na defesa e no ataque. Ainda emendou no segundo tempo mas já não foi a tempo de evitar a derrota do Sporting frente ao Legia, em jogo da 6.ª jornada do Grupo F da Liga dos Campeões. Derrota amarga já que deixa o Sporting fora das competições da UEFA esta época. E, perante a pior equipa do Grupo, que tinha sofrido 24 golos nos anteriores cinco encontros, só um empate chegava. Nem isso

O jogo: JJ emendou mas já era tarde

Já se sabia que o Sporting não poderia contar com os seus defesas direitos, João Pereira (castigado) e Schelotto (lesionado). Havia um lateral no banco (Esgaio) mas Jesus resolveu aplicar o 3-4-3 com que jogou em Dortmund. O adversário era diferente, o objetivo do Sporting para o jogo também mas o técnico entendeu que era melhor assim. Não resultou.

O que parecia ser um 4-4-2 com que os ´leões` jogam habitualmente, cedo se viu que afinal estávamos perante um 3-4-3, com três centrais (Paulo Oliveira, Coates e Ruben Semedo), principalmente quando o Sporting atacava. Dois alas, com Marvin Zeegelaar e Bruno César, a juntarem-se a William Carvalho e Adrien, no apoio a Gelson, Markovic e Bas Dost. O problema esteve na colocação dos jogadores no campo, com Gelson fora das zonas onde costuma desequilibrar, Bruno César encostado a direita, a puxar sempre pelo pé esquerdo e para dentro quer para passar quer para cruzar. A jogar muito por dentro, perto de Markovice Bas Dost, Gelson perdeu influência já que nessa zona tinha pouco espaço para furar ou cruzar.

O Sporting tinha mais bola, jogava no meio-campo contrário mas, apesar de ter sempre três homens atrás, mais os dois médios, defendia mal. E defendia mal porque o avançado suíço Aleksandar Prijovic, de 1,98 metros, dava e sobrava para toda a defensa. Apesar da sua estatura elevada, movia-se bem em zonas entrelinhas e furava a defensiva leonina com alguma facilidade, sempre muito bem apoiado por Vadis Odjidja-Ofoe, Guilherme e Radovic. Aos sete minutos Prijovic fugiu à marcação e marcou mas o golo foi anulado por fora-de-jogo. Aos 27 voltou a escapar à defensiva leonina mas rematou às malhas laterais. A ameaça foi concretizada aos 30 minutos pelo brasileiro Guilherme,num desvio na pequena área, em mais uma desmarcação de Prijovic por entre os centrais leoninos. O Sporting não poderia ´queixar-se` de que não estava avisado.

Jesus corrigiu no segundo tempo, devolvendo o ´felino` Gelson ao seu ´habitat` natural, voltou ao 4-4-2, com a entrada de Esgaio, André e Bryan Ruiz nos lugares de Paulo Oliveira, Marvin Zeegelaar e Markovic (mais uma oportunidade desperdiçada). O Sporting cresceu, passou a estar mais perto do golo mas foi desperdiçando. Ora era o guarda-redes Malarz a defender, ora era os avançados do Sporting a falharem, como fez André em três ocasiões, duas delas escandalosas. O Légia foi jogando com o tempo e com o desespero leonino e até poderia ter feito mais dois golos mas Patrício negou-lhes as intenções. Pelo meio William foi expulso aos 85 com dois amarelos em três minutos. E o árbitro italiano Gianluca Rocchi perdoou uma grande penalidade clara ao Legia por corte com o braço de Hlousek aos 57. Mas os ´leões` só se podem queixar do seu desperdício e das ´invenções` de Jesus.

O caso do jogo: Hlousek defende remate de Adrien com... as mãos na área

Corria o minuto 57 de jogo, o Sporting estava por cima no jogo, tentava chegar ao tão desejado empate a todo o custo, quando um remate de Adrien foi cortado com o braço por Hlousek. Penálti claro que árbitro italiano Gianluca Rocchi resolveu não assinalar. Os jogadores do Sporting protestaram e muito (Adrien até viu amarelo) mas de nada valeu. A decisão estava tomada. Não há penálti para ninguém.

Momento-chave: André falha na ´cara do golo`

Os minutos 72 e 74 podiam ter mudado a história do jogo e mantido o Sporting na UEFA. O recém-entrado André teve duas soberanas oportunidades na pequena área mas falhou: na primeira nem conseguiu acertar na bola. Na segunda acertou mal e rematou para fora, ao segundo poste, quando estava sozinho. Quem falha golos assim, arrisca-se a perder.

Os melhores: Guilherme, Odjidja-Ofoe, Rui Patrício e Gelson

Guilherme: O jogador do Legia que já passou por Portugal (Gil Vicente) acabou por ser o herói que deu a primeira vitória dos polacos na Champions, 21 anos depois.

Odjidja-Ofoe: também foi sempre uma dor de cabeça para o Sporting. Foi o principal elo de ligação entre o meio-campo e o ataque do Legia. Esteve em bom plano.

Rui Patrício: negou, por duas vezes, o golo ao Legia com duas defesas de grande classe já nos minutos finais, quando se apanhou em situações de um para um com os polacos, numa altura em que o Sporting procurava, de forma desesperada, o golo.

Gelson: quando JJ colocou-o seu lugar, desequilibrou. Tentou de todas formas pela direita, sempre em velocidade, servir os colegas. Deixou André na cara do golo aos 72 mas o brasileiro desperdiçou.

Os piores: Jesus, André e o árbitro

Jorge Jesus: as decisões de mudar a forma de jogar da equipa e os jogadores em campo fizeram o Sporting perder uma parte inteira. Emendou mas já não foi a tempo.

André: Teve três oportunidades para marcar, duas delas de baliza aberta, mas não marcou. Tem reclamado mais oportunidades mas a falhar assim, dificilmente entra no onze.

Gianluca Rocchi: o árbitro italiano fez ´vista grossa` a grande penalidade cometida por Hlousek no segundo tempo. Permitiu o jogo agressivo dos polacos e mostrou-se muito ágil a dar dois amarelos a William Carvalho em duas faltas no espaço de três minutos. No segundo tempo também o Legia pediu penálti mas o árbitro mandou seguir.

Reações: Jesus dá mérito ao Légia, André destaca falhanços do Sporting


Jesus e a derrota: "Não foi por causa da arbitragem. Legia teve mérito"

Paulo Oliveira: "Legia era acessível? Marcou três ao Real e quatro ao Dortmund"


André: "Não adianta jogar bonito e não ganhar"

Curiosidades:


Foi a 5.ª derrota do Sporting na Liga Campeões. É o pior registo de sempre dos ´leões` numa edição da competição. Mas em termos de pontos, a pior prestação continua a ser a edição 2000/01 (dois pontos). Apesar disso, acabou o grupo com a melhor defesa (8 golos sofridos).

Só por duas vezes na sua história, o Sporting sofreu quatro derrotas consecutivas numa edição na UEFA (2000 e 2016). Nas duas que os ´leões` perderam quatro jogos consecutivos numa edição da UEFA, o grupo teve Real Madrid, uma equipa alemã e uma do Leste da Europa (2000, 2016).

Nas sete presenças na Liga dos Campeões, esta foi a 5.ª vez que o Sporting ficou afastado da prova já em dezembro. Em 52 presenças nas competições europeias, os ´leões` foram eliminados antes de dezembro em 26 ocasiões (50 por cento).

Jorge Jesus somou a 19.ª derrota em 40 jogos na Liga Campeões, apenas 52 por cento de aproveitamento positivo. O técnico caiu pela 2.ª vez consecutiva em dezembro na liga milionária (2016/17 Sporting (4.º) e 2014/15 Benfica (4.º).

O Sporting perdeu quase 30 por cento dos jogos em 2016/17, o pior registo desde 2012/13 com Franky Vercauteren (38 por cento).

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