A partir de fevereiro poderá não haver operador a transmitir os jogos da Liga Francesa de Futebol, caso não seja encontrado uma solução. O 'Canal Plus' renunciou aos direitos de transmissão de dois jogos por jornada até 2023-24, num negócio onde iria pagar 330 milhões de euros, de acordo com o site 'Sport Business'. A operadora quer agora uma negociação global.

O diferendo em torno dos direitos de transmissão televisiva do campeonato francês poderá levar a uma queda acentuada de receitas dos já enfraquecidos clubes, que continuam com os estádios vazios, devido às restrições impostas pelo combate à pandemia de COVID-19.

Este problema surgiu quando a Mediapro decidiu rescindir o acordo com a Ligue 1 para a transmissão do futebol francês, após meses de desentendimentos.

A empresa de telecomunicações catalã, mas de capital chinês, tinha comprado 80% dos direitos televisivos da Ligue 1 e da Ligue 2 por 800 milhões de euros por três anos, um valor histórico que colocou o futebol francês entre os mais valorizado no continente europeu, só superado pelo campeonato inglês. Mas desde outubro que não conseguiu cumprir os prazos de pagamento.

Apesar das dúvidas que este valor gerou, uma vez que o interesse em torno do futebol francês não é tão grande como o de outros campeonatos, o Mediapro sempre deu garantias de que pagaria o que constava no acordo com a LFP.

A Mediapro alega em sua defesa que, com a pandemia, os clubes franceses investiram menos e à situação difícil criada pela covid-19 os bares e restaurantes permanecem fechados, o que arrasa uma importante fonte de receita para a empresa de media.

Inicialmente, a Mediapro tentou renegociar o contrato, mas a LFP rejeitou essa situação, tendo ambos avançado para a desistência do negócio, tendo sido criado um memorando de entendimento, que visava a recuperação dos direitos de transmissão por parte do organismo que rege as provas, assim como uma indemnização no total de 100 milhões de euros.

O acordo entre as partes foi validado no dia 22 de dezembeo pelo tribunal comercial de Nanterre, nos arredores de Paris. A primeira tranche da indemnização, de 64 milhões de euros, será distribuída pelos clubes dos dois primeiros escalões. Os restantes 36 ME serão pagos no primeiro semestre de 2021.

Em comunicado, a Mediapro explicou que vai continuar a transmitir os jogos da Ligue 1 e Ligue 2 na sua emissora, a Telefoto, até que os direitos sejam transferidos para outra empresa.

Esta situação deixa os clubes franceses em má situação, já já bastante atingidos pela crise, que as privou de boa parte da receita corrente da temporada passada, que foi encerrada abruptamente com dois meses de antecedência devido à pandemia.

A tudo isso há ainda a acrescentar que a Liga Francesa de Futebol não beneficiou com o habitual dinheiro dos bilhetes e da venda de produtos derivados, dinheiro perdido que pretendia compensar com o contrato televisivo mais importante de sua história firmado com a Mediapro.

A LFP contraiu um empréstimo bancário após o primeiro incumprimento financeiro da Mediapro para garantir temporariamente a liquidez no futebol gaulês.

André Villas-Boas, treinador do Marselha, já se tinha mostrado preocupado com toda esta situação.

"Em primeiro lugar, dirijo o meu apoio a todos os jornalistas e funcionários do canal. Uma palavra de coragem e apoio para eles. Mas também há uma preocupação com a estabilidade financeira dos clubes. Até agora, nós, no Marselha, temos a sorte de ter um proprietário que investe para pagar salários e administrar o clube. Agora, temos de confiar na Liga e no seu presidente para chegarmos a um novo acordo", disse André Villas-Boas, durante a conferência de antevisão do jogo com o Mónaco, da 14.ª jornada da liga gaulesa.

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