É preciso recuarmos até ao ano de 1982 para relembrarmos um dos momentos mais insólitos, mas que marcou a história dos Campeonatos do Mundo. Aquela que era a 12ª edição da competição com sede em Espanha, com vitória da Itália, chamou a atenção para um duelo ainda na fase de grupos entre a França e o Kuwait.

Poderíamos estar a falar de uma jogada ou de um golo fantástico, mas os principais protagonistas vieram de fora das quatro linhas e com clara influência no que se passou dentro do relvado. Mas vamos por partes.

Tudo terá acontecido com Fahad Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sabah, presidente na altura da Federação de Futebol do Kuwait, e com fortes ligações à Casa Real do país recém-independente desde 1961.

O também denominado como Xeque de futebol do Kuwait deu nas vistas no Mundial de 1982 naquele que era um duelo da fase de grupos entre o país do Médio Oriente e a França, que terminou com a vitória dos Gauleses por 4-1.

O Kuwait, detentor da Taça Asiática em 1980, chegava ao Mundial depois de empatar a dois golos frente a Nova Zelândia e tinha um plantel constituído por jogadores exclusivamente do campeonato local. Carlos Parreira comandava os destinos da equipa que alegadamente chegou ao país anfitrião Espanha a bordo de... camelos. E a polémica só começava aí.

Mas passemos para o mítico duelo frente à França a 21 de junho de 1982. O jogo sucedia ao empate a um golo frente à Checoslováquia, mas com contornos bem mais infelizes. Até ao início do segundo tempo, a equipa já perdia por 3-0: golos de Genghini, Platini e Didier Si. Al-Baloushi reduzia para o Kuwait.

Mas o quarto golo da França é que deu que falar. Giresse marcou, mas os protestos da equipa adversária fizeram-se logo sentir. os jogadores do Kuwait terão ouvido um apito que não era do árbitro e só no momento em que os gauleses iam marcar é que perceberam que o jogo realmente… não tinha parado.

Mas isto não ficou por aqui. O Xeque Fahad desceu da tribuna e instalou-se o caos no relvado com a ameaça de retirar a equipa em campo. O árbitro Miroslav Stupar acabou por anular o golo. A França, ainda assim, chegou mesmo a marcar o 4-1 final por Maxime Bossis.

Na história, ficou a aparição de um Xeque no panorama futebolístico, e que aparição! Alguns rumores apontam mesmo que tudo não passava de um plano de Fahad para evitar uma humilhação frente à França. O Xeque já teria avisado os jogadores antes do jogo que iriam ouvir um apito e que esse era um sinal para abandonarem o relvado, algo depois esclarecido numa conferência de imprensa em que reforçou que o objetivo nunca seria colocar um ponto final no encontro.

A verdade é que o Kuwait acabou por ver confirmada a eliminação na fase de grupos com a derrota frente à Inglaterra por 1-0 e, até hoje, nunca mais marcou presença numa fase final de um Mundial.

Ainda assim, com esta história, a seleção do Médio Oriente jamais será esquecida.

Seja o melhor treinador de bancada!

Subscreva a newsletter do SAPO Desporto.

Vão vir "charters" de notificações.

Ative as notificações do SAPO Desporto.

Não fique fora de jogo!

Siga o SAPO Desporto nas redes sociais. Use a #SAPOdesporto nas suas publicações.