Data de Nascimento: 25/01/1942 (falecido a 5 de janeiro de 2014)

País: Portugal (nascido em Lourenço Marques, Moçambique)

Presenças em Mundiais: 1 (1966)

Jogos em Mundiais: 6

Golos em Mundiais: 9

Títulos em Mundiais: 0

O primeiro dos 15 'Cromos que fizeram história nos Mundiais' escolhidos pelo SAPO Desporto (e que serão apresentados por ordem crescente do número de jogos disputados em fases finais de Campeonatos do Mundo) é português e os seus feitos são - pelo menos para os portugueses- por demais conhecidos.

Eusébio da Silva Ferreira nasceu num dos bairros mais pobres de Lourenço Marques, atual Maputo, capital de Moçambique, então colónia portuguesa, e cedo se apaixonou pelo futebol. Começou por jogar com vizinhos e amigos numa equipa de  bairro, conhecida como 'Os Brasileiros', mas mais a sério foi no Sporting de Lourenço Marques, filial do Sporting Clube de Portugal, que deu nas vistas.

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O que se segue desta história já foi contado vezes sem conta e até já deu um filme: as suas exibições chegaram até à metrópole e despertaram a atenção dos 'três grandes' de Portugal, com Sporting e Benfica à cabeça. Os leões entraram em contacto com a sua filial moçambicana, propondo que Eusébio viajasse para Lisboa para um período de testes. Mas, entretanto, o Benfica falou diretamente com Eusébio e com a sua mãe, que aceitaram a proposta dos encarnados.

O Sporting ainda 'subiu a parada', mas era tarde. A 17 de Dezembro de 1960, Eusébio embarcou incógnito para Lisboa - com o nome de Ruth Malosso - e foi recebido no aeroporto por um dirigente do Benfica, que o 'escondeu' enquanto o imbróglio - face aos protestos formais do Sporting - se estendia.

Glória no Benfica

O Sporting acabou por se render e Eusébio pôde, enfim, estrear-se pelo Benfica. Não foi a tempo de participar na conquista da primeira Taça dos Campeões por parte das águias, mas teria papel preponderante na segunda, logo na época seguinte, 1961/62. Eusébio, que viria a ficar conhecido para a eternidade como 'a Pantera Negra', bisou mesmo na final contra o Real Madrid (vitória por 5-3).

No Benfica, ao todo, ganhou 11 Campeonatos Nacionais e cinco Taças de Portugal, para além da já referida Taça dos Campeões Europeus, ajudando ainda as águias a chegarem a mais três finais da maior prova europeia de clubes. Venceu por sete vezes a Bola de Prata (melhor marcador do campeonato nacional) e foi o primeiro jogador a ganhar a Bota de Ouro (atribuída ao melhor marcador dos campeonatos europeus), troféu que conquistaria ainda mais uma vez. Além disso, ganhou a Bola de Ouro (melhor jogador europeu) em 1965, ficando em segundo lugar na atribuição da mesma em 1962 e 1966.

Inglaterra a seus pés no Mundial de 1966

Esse ano de 1966 seria mesmo o da sua afirmação definitiva a nível internacional, ao brilhar a grande altura num memorável Campeonato do Mundo de 1966, em Inglaterra (naquela que acabaria por ser a sua única presença em fases finais).

Era a primeira vez que Portugal se apurava para um Mundial e o primeiro jogo foi frente à então ainda poderosa Hungria. Eusébio – que na fase de qualificação tinha assinado sete golos em seis jogos – até começou discreto: apenas uma assistência na vitória por 3-1 de Portugal.

O seu primeiro golo na prova surgiu no jogo seguinte, numa vitória clara por 3-0 sobre a Bulgária. E a confirmação de que este seria mesmo ‘o seu’ Mundial chegou  no jogo seguinte: um bis no triunfo por 3-1 sobre o campeão Brasil do ‘Rei’ Pelé, que assim ficava pelo caminho.

Depois, nos quartas-de-final, o jogo mais lendário da carreira de Eusébio: os tais 5-3 à Coreia do Norte.

Os coreanos já tinham causado sensação ao vencerem a toda-poderosa Itália por 1-0 na fase de grupos e continuaram a surpreender frente a Portugal: chegaram aos 3-0 em apenas 25 minutos de jogo. Mas, depois, Eusébio começou a fazer história! Ainda na primeira parte, marcou por duas vezes, reduzindo para 2-3. Primeiro um desvio oportuno, depois de penálti. Eternizada ficou uma foto memorável do ‘Pantera Negra’ a ir buscar a bola ao fundo das redes para não se perder mais tempo.

Eusébio depois de dar início à reviravolta épica frente à Coreia do Norte

A abrir a segunda parte, mais dois golos de Eusébio. O 3-3 foi um golaço, num fantástico remate de primeira. O 4-3 foi novamente de penálti, desta feita a punir falta por ele sofrida. Estava feita a reviravolta, com um 'poker' de Eusébio, que assim igualava o recorde de golos num só jogo em Mundiais (recorde que só viria a ser batido pelos cinco do russo Oleg Salenko frente aos Camarões no Mundial 1994).

Portugal ainda marcou mais um, venceu por 5-3 e seguiu para as meias-finais. Aí, contudo, o sonho da Equipa das Quinas e de Eusébio chegaria ao fim: derrota por 2-1 com outra lenda da história do futebol, Bobby Charlton, a bisar para os ingleses. Eusébio ainda marcou, de penálti, o tento de honra dos portugueses, mas de nada valeu. No fim do jogo, mais uma imagem icónica: Eusébio a chorar convulsamente.

Eusébio chora após a eliminação de Portugal
créditos: S&G and Barratts/EMPICS Sport

Eusébio ainda marcaria mais um golo no Mundial 1966, à URSS, no jogo de atribuição dos 3.º e 4º lugares, que Portugal venceu por 2-0. Terminou o Campeonato do Mundo como melhor marcador, com nove golos em seis jogos, e tornou-se num ídolo também em Inglaterra, conquistando o coração dos adeptos da casa.

E depois do Mundial?

Recebido em Portugal como um herói, e com o mundo do futebol aos seus pés, Eusébio continuou depois a somar troféus pelo Benfica, apesar da cobiça de clubes estrangeiros.

Com o avançar da idade, porém, as lesões, que tantas vezes o perseguiram (foi operado seis vezes ao joelho esquerdo e uma vez ao direito) tornaram-se ainda mais frequentes. Acabou por deixar o Benfica em 1973 e, com os Estados Unidos a tentarem fazer o seu futebol crescer, Eusébio rumou à North American Soccer League. Em Portugal vestiu ainda a camisola do Beira-Mar e do União de Tomar antes de pendurar em definitivo as chuteiras, em 1979

Eusébio não voltaria a disputar mais nenhuma fase final de um Mundial (nem de qualquer outra grande competição), depois de 1966...mas já tinha feito o suficiente para entrar para a história dos Campeonatos do Mundo!

Eusébio
créditos: @FPF.pt via ASF

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