"Fizemos o que tínhamos de fazer", disse o técnico da "canarinha" em entrevista a O Estado de São Paulo, a primeira após o seu regresso ao Brasil e de uns dias de "reclusão" com a família em Porto Alegre.

Dunga não se arrepende de nada e reafirma que chegar à final era objectivo claramente traçado: "Como as coisas estavam andando era para termos chegado até à final. Não mudei nada. Fizemos o que tínhamos de fazer".

O treinador voltou a defender os jogadores que convocou e que, apesar das pressões sofridas e das críticas com a eliminação, não está arrependido de não ter levado à África do Sul jogadores experientes como Ronaldinho Gaúcho e jovens promessas como Ganso ou Neymar.

Questionado em concreto sobre a não chamada de Ronaldinho, sublinhou que não teria ninguém para tirar na equipa titular, para lhe dar o lugar. Por outro lado, sobre os avançados Ganso e Neymar, exclamou: "Por quê? O ataque não fez golo?".

A defesa não comprometeu, no seu entender. "Não, não podemos culpar a defesa. Ela nos salvou tantas vezes".

"Alguém tem de pagar a conta", comentou a propósito das críticas a Felipe Melo, que marcou um auto-golo a favor da Holanda, e relembrou que em 1990 o caso foi com ele próprio, na eliminação ante a Itália.

Sobre a eliminação por 2-1 nos quartos de final ante a Holanda, disse que "isso não se esquece" e que "vai ficar uma ferida". "Esse jogo não vai sair da cabeça tão cedo. Ninguém está preparado para perder. Foi uma fatalidade".

"Os holandeses tiveram duas hipóteses e fizeram dois golos. Jogámos um grande primeiro tempo, poderíamos ter matado o jogo. Fazer o quê? Um dia alguém vai analisar toda a história e avaliar o que aconteceu", recordou.

Dunga defendeu todos os convocados, incluindo o médio ofensivo Kaká, um dos que mais decepcionou por ter uma actuação abaixo do que se esperava.

"Os jogadores foram leais em todos esses dias, foram incríveis. Eles se entregaram, não tenho um A para falar deles", disse.

De Kaká, que esteve esta época parado cinco meses, sublinhou que "a tendência era de que crescesse durante a competição e vinha crescendo. Ele treinava pela manhã, à tarde, à noite...".

"Às vezes, eu até precisava pará-lo", reforçou.

Apesar das críticas, Dunga assegura que foi bem recebido, tanto em Porto Alegre como em São Paulo, porque os adeptos reconheceram o seu trabalho.

"O torcedor viu o que queria ver, uma selecção empenhada, disciplinada, que respeitou a camisa. É claro que o torcedor está chateado, queria que a selecção ganhasse. Podem falar que eu poderia ter convocado um ou outro atleta, mas viram como o trabalho foi feito, houve comprometimento do início ao fim", disse ainda.

Sobre o futuro, após ter sido dispensado de treinador pelo presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), referiu algumas propostas, mesmo de antes do Mundial, mas que agora só quer estar com a família e em férias.

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