A Federação Inglesa de Futebol procurou jogadores profissionais homossexuais mas não encontrou ninguém. Nenhum dos jogadores aceitou encontrar-se com o presidente da organização, Greg Clarke, nem de forma anónima ou em segredo.

Segundo avança o jornal inglês Telegraph, Clarke não conseguiu encontrar atletas dispostos a falar sobre a sua orientação sexual, algo que não acontecia por exemplo com técnicos ou jogadores de raça negra.

Os jogadores homossexuais preferiram não falar sobre o assunto, visto que o futebol continua a ser um desporto em que se pensa que esse facto pode levar a atitudes hostis ou escárnio.

"Eu percebo as reservas. Eu fui à final da taça feminina. Foi óptimo. Existiam pessoas gay, pessoas heterossexuais, crianças, era tudo relaxado. É como se fosse um grande copo de água (num casamento). Eu diverti-me imenso. Não havia julgamento na sala. Todas as pessoas estavam lá porque queriam ver o jogo", afirmou Clarke à publicação.

"Já conheci muitos ativistas gay, editores gay. Fui a Stonewall, vi um jogo, bebi uma cerveja no bar depois - e falei sobre estes problemas. Nos níveis semi-profissionais e abaixo, ninguém está preocupado. Agora, não conheci um único jogador a nível profissional que aceitasse encontrar-se comigo no meio do nada para uma conversa de café. Nem um", referiu.

"Eu não os culpo por isso. Se não se sentem confortáveis em ter esta conversa, é porque o nosso jogo tem falhas.", afirmou o dirigente, referindo que existe sempre medo de abusos e de insultos.

"Eu não quero especular sobre o que acontece nas suas cabeças. É óbvio que não se sentem confortáveis. Eu falei com a Premier League, a English Football League (organização que gere a Premier League), a Professional Footballer's Association (Associação de Jogadores Profissionais) e a League Managers Association (Associação de Treinadores da Liga)".

"Estamos todos desesperados para fazer o jogo mais inclusivo para os LGBT. Ainda não ganhámos a confiança dos jogadores profissionais homossexuais. Eu tentei chegar a eles. Eu vi atletas, nadadores, mergulhadores. Fui a todo o lado. E eles partilharam as suas opiniões comigo. Eu disse 'Porque é que os jogadores de futebol homossexuais não se encontram comigo'. Todos dizem: 'Eu não sei porque eu não conheço futebolistas homossexuais. Eles estão muito escondidos".

A nível profissional, apenas Thomas Hitzlsperger (Aston Villa e West Ham) e Robbie Rogers (Leeds United) revelaram ser homossexuais, mas apenas depois de abandonarem o futebol inglês ou se retirarem. Em maio, Liam Davis tornou-se o primeiro futebolista abertamente gay a jogar em Wembley, na final de uma competição da Federação Inglesa.

Outra das missões de Clarke passa por quebrar barreiras para treinadores negros, revelando que os técnicos 'desajeitados' no futebol acabam por sofrer as consequências.

"Quanto tive a mesma convesa com treinadores negores, eu acabei numa situação em que me reunia com jogadores negros e treinadores negros clandestinamente".

"Eu estava num café a falar com um treinador negro e ele disse-me 'Deixa-me contar-te uma coisa, Greg. É muito difícil arranjar trabalho como treinador. É duplamente difícil arranjar trabalho sendo um treinador grego. Mas se és um treinador negro desajeitado - esquece", afirmou.

Voltando ao tema da homossexualidade, Greg Clarke acredita que não existe obrigação em revelar a sua orientação sexual.

"Porque é que aceitariam assumir esse risco potencial se está a resultar para ti, se és feliz? Tu podes pensar, 'Porque é que tenho de partilhar a minha orientação sexual com alguém?'. Eu respeito isso. Onde estou preocupado é que existam pessoas que querem ser abertamente gay mas não se sentem capazes de o ser. Se o querem fazer, devem estar confortáveis, serem aceites e apoiados".

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