O Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa marcou hoje para 9 de Maio a leitura da sentença do adepto acusado de tentar entrar no estádio da Luz com um petardo no jogo de futebol Benfica-FC Porto.

O julgamento sumário do adepto, detido quando se preparava para entrar no estádio, juntamente com elementos da claque "Super Dragões", do FC Porto, decorreu hoje com a audição do arguido e de um dos agentes da Unidade Metropolitana de Informações Desportivas [“spotters”] da PSP envolvido nas operações de segurança.

O arguido voltou a negar perante o tribunal que transportasse consigo qualquer objeto, reafirmando que o petardo que a PSP diz ter sido encontrado na sua posse e que motivou a detenção foi apanhado do chão.

«Quando me preparava para calçar os ténis após a revista, o agente perguntou-me que objecto era aquele que se encontrava ali no chão, junto a nós, e se era meu. Respondi-lhe que não», disse o arguido.

O agente da PSP confirmou que o colega que efectuou as revistas aos adeptos o alertou para a detecção de «um artefacto» em posse do arguido, mas, questionado pela juíza se viu em concreto de onde tinha saído, respondeu negativamente, esclarecendo que se encontrava a cerca de dois metros do agente que detectou o objecto.

«No momento em que o meu colega me alertou que tinha encontrado um artefacto na posse do arguido, ouvi deste uma frase do género - `não me façam mal, sou militar´ -, mas não vi de onde saiu o objecto», disse.

Este agente, da Unidade Metropolitana de Informações Desportivas, explicou em detalhe ao tribunal como se processou o encaminhamento dos adeptos para o estádio e o comportamento das claques no momento em que se aproxima a hora do jogo.

Assumiu que os assistentes de recinto desportivo (ARD’s) presentes no estádio naquele dia «perderam o controlo da situação» e que ele próprio «pediu reforços» para tentar «controlar a pressão de cerca de mil adeptos que pretendiam forçar a entrada no recinto».

«É uma forma de actuação comum nas claques. À medida que se aproxima a hora de início dos jogos começam a pressionar as entradas, tornando assim mais difícil a revista dos ARD’s e da própria PSP, aproveitando essa situação para fazerem passar objectos proibidos», adiantou.

A acusação [Ministério Público] reconheceu que o agente da PSP hoje ouvido pelo tribunal «não presenciou» em concreto «o momento da apreensão do objecto», mas falou «da convicção» dos depoimentos dos dois agentes envolvidos neste processo.

Já o advogado de defesa, Alexandre van Zeller, citando o delegado do Ministério Público, falou «em julgamento de convicção» e, por haver «dúvidas se o objecto era ou não do arguido», pediu «a absolvição».

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