De forma algo surpreendente, em particular para quem não havia assistido com atenção à primeira parte, o FC Porto perdia em casa frente ao Chaves, e os "suspeitos do costume" de Nuno Espírito Santo tudo faziam para inverter a sorte a seu favor. Tentava o "ressuscitado" Brahimi, tentava André Silva, tentava Corona. Mas um enorme António Filipe, guarda-redes do Chaves, e um demasiado visível Vasco Santos, árbitro da partida, adiavam a reviravolta que acabaria por chegar através de dois protagonistas improváveis, no que a golos de 'azul-e-branco' diz respeito: Depoitre e Danilo.


O jogo:

Sem surpresas em qualquer um dos 'onzes', o encontro arrancou com as previsíveis subidas no terreno do FC Porto e foi Brahimi o primeiro ameaçar, sem sucesso. Óliver não conseguiu melhor e ainda aos 12 minutos de jogo seria tempo de surpresa no Dragão. Erros momentâneos na circulação da bola e no posicionamento defensivo por parte do FC Porto deixaram Rafael Lopes com espaço para, no mínimo, arriscar à entrada da área. Casillas teria, à partida, o lance controlado, mas foi traído pelo desvio infeliz de Danilo e viu o Chaves festejar o golo-surpresa.

Na memória dos portistas estava ainda a eliminação ante este mesmo Chaves, e por isso as caras de apreensão nas bancadas tinham justificação, até porque esta equipa flaviense, já se viu por muitas vezes ao longo da época, tem dedo de treinador, de Jorge Simão, entretanto "pescado" pelo Sporting de Braga. A estratégia com aposta em contra-ataques rápidos até podia ter dado aos flavienses um segundo golo no primeiro tempo, mas Casillas não estava no Dragão para ser espectador. Negou golos a Freire e Braga, com grandes defesas, e viu Paulinho falhar o alvo.

Chegou o intervalo e, pasme-se, a vantagem flaviense não surpreendia tanto assim, tendo em conta o que se havia visto até então: um 'dragão' com fraca capacidade de reação ao golo encaixado de forma azarada e sem instinto matador capaz de converter os desequilíbrios criados pelo novamente endiabrado Brahimi em golos. O segundo tempo, no entanto, foi um filme diferente: meteu (muita) ação, drama e controvérsia, com o final feliz para o FC Porto a chegar graças aos tais protagonistas improváveis.

Antes disso, a controvérsia, e logo a dobrar: André Silva colocou a bola no fundo da baliza flaviense aos 51 minutos, mas viu Vasco Santos anular o lance por suposto fora-de-jogo, quando as imagens televisivas mostraram que o avançado estava em linha no momento do último passe. Um lance muito polémico e logo numa altura em que a eventual massificação do vídeo-árbitro no futebol é mais discutida do que nunca. Não muito depois, Ponck derrubou Maxi Pereira na grande área e o árbitro considerou carga de ombro, mas também aqui os adeptos portistas demonstraram a insatisfação em forma de assobios.

Nesta altura já o Chaves parecia ter abdicado da procura do segundo golo e limitava-se a tentar fechar os caminhos para a baliza de António Filipe, com linhas baixas e um jogo defensivo agressivo. Mesmo assim, e graças a uma manobra ofensiva muito mais eficaz do que no primeiro tempo, o FC Porto ia conseguindo encontrar espaços e nesta fase apenas o guarda-redes dos flavienses atrasava o golo do empate, com grandes defesas a cabeceamentos de André Silva.

O tempo passava, Nuno Espírito Santo fazia contas à vida mas não se rendia e, sem o 'miúdo' Rui Pedro, juntou Depoitre ao centro do ataque. Como já era habitual, ninguém dava muito pelo avançado belga, mas a primeira metade da reviravolta pertenceu-lhe, com um cabeceamento irrepreensível sem hipóteses de defesa para o até então aparentemente intransponível António Filipe.

A "cambalhota" portista ficaria consumada com outro marcador improvável, Danilo Pereira. Atenção: o médio portista, é já inegável, tem papel fulcral na manobra da equipa e assume-se há muito como "patrão" do meio-campo. Mas no que toca a golos, e em particular golos destes, não costuma ser o homem em destaque. Desta vez quis sê-lo: recebeu um passe de Óliver e "cá vai disto": um remate em força, colocado, direto ao fundo das redes de António Filipe e direto ao topo da lista de melhores golos da jornada.

Com o 2-1 no marcador e o cronómetro a aproximar-se do fim, os ânimos acabaram por acender ainda mais nos momentos finais. Os 'dragões' iam queimando tempo para assegurarem a vitória tangencial e o Chaves reagia de forma agressiva. Já nos "descontos", Patrão perdeu mesmo a cabeça, pontapeou Danilo e viu o cartão vermelho direto pouco antes do apito final.

O momento do jogo:

O golo de Danilo Pereira: O médio-defensivo é conhecido pela marcação, pelos desarmes, mas não por golos assim. Depois de grande parte de um jogo a acumular tensão, Danilo fez um remate de raiva e viu a bola ir direitinha ao fundo das redes do Chaves, num grande momento. Festejou o tento com uma efusividade mais do que justificável.

Os melhores:

Danilo Pereira: Ainda agora o repetimos mas cá vai de novo: que grande golo. Ao longo do segundo tempo foi a personificação da raça tantas vezes pedida por Nuno Espírito Santo e demonstrou-a mais do que nunca no remate fuzilante que acabou por ditar a vitória portista.

António Filipe: Parecia decidido a voltar a estragar a festa ao FC Porto, tal como havia feito na Taça de Portugal. Venceu quase todos os duelos com André Silva - menos um, mas o árbitro anulou o lance - e Brahimi, mas acabou por ser surpreendido pela entrada de Depoitre e pelo golaço de Danilo. Pouco podia fazer nos golos em questão.

O pior:

Diogo Jota: O jovem avançado já demonstrou em vários jogos do FC Porto a sua capacidade de desequilíbrio e finalização, mas parece estar a ressentir-se da grande carga de jogos. Passou ao lado do jogo e pouco ajudou a equipa na tarefa de inverter um resultado desfavorável.

As reações:

Nuno: "A força desta equipa é o grupo"

Nuno Espírito Santo: "O golo é mal anulado"

Danilo: "Foi um momento de alegria e inspiração"

Pinto da Costa diz que já ficaram por assinalar 15 penáltis a favor do FC Porto

Carlos Pires: "Nesta fase o grupo deu a resposta total"

António Filipe: "Sabíamos que era muito difícil jogar neste estádio"

Curiosidades:

- O FC Porto venceu todos os sete jogos em que Danilo Pereira marcou.
- O FC Porto é a equipa com mais reviravoltas na Liga 2016/17 (três).

- Desde 2012/13 que o FC Porto não somava 16 jogos sem perder.
- Os 'dragões' conseguiram quatro vitórias consecutivas na Liga pela primeira vez em 2016.

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