A noite era de festa na Invicta. Era, aliás, o prolongamento das celebrações que haviam rebentado na noite anterior, quando o empate no dérbi entre Sporting e Benfica entregou, logo ali, o 28.º título ao FC Porto. Os novos campeões não tiveram outro remédio senão festejar no hotel onde estagiavam, na véspera da receção ao Feirense, juntamente com as centenas de adeptos que acorreram a Espinho para estar perto da equipa.

Segundo confidenciou Sérgio Conceição, já depois do triunfo sobre os fogaceiros (2-1), os jogadores ainda tiveram direito a beber "uma cervejinha". Mas nada mais. No momento em que as equipas pisaram o relvado, não havia rostos nem cabelos pintados. 90 minutos depois os 'dragões' iam levantar a taça, mas antes havia um jogo para vencer e uma marca para atingir: os 88 pontos que o Benfica de Rui Vitória registou duas temporadas atrás, e que podem ser alcançados na próxima (e última) jornada.

Sérgio Conceição nunca tirou o pé do acelerador e isso viu-se de imediato na equipa que lançou contra o Feirense - apenas Reyes entrou para o lugar do castigado Felipe - bem como no facto de não ter dado minutos a quem ainda não os tem - "Estou aqui para ganhar jogos. Nunca fui muito simpático em nenhuma situação". E com os seus melhores jogadores em campo, o FC Porto nunca perdeu o controlo da partida. Se houve momentos em que o jogo podia até parecer 'morno', as estatísticas mostravam o domínio do 'dragão', que chegou a ter quase 80% de posse de bola. O que explica a vantagem mínima final acaba por ser a ineficácia no capítulo do remate: das oito tentativas, apenas uma foi na direção da baliza.

No lado dos visitantes, destaque para o momento em que Crivellaro tentou o chapéu a Iker Casillas do meio da rua. A bola ainda beijou a trave antes de sair por cima. Pouco depois seria Diego Reyes (21') a enviar uma bola ao ferro, após centro de Alex Telles, até que Sérgio Oliveira desatou o nó ao minuto 37: excelente combinação entre Ricardo e Brahimi na direita, o lateral cruzou atrasado, e, face ao corte deficiente de Flávio Ramos, a bola sobrou para o médio português, que encheu o pé e bateu Caio Secco. Sérgio Oliveira começa a assumir, de resto, a função de desbloqueador de jogos no FC Porto: leva quatro golos na presente temporada, e nos três tentos que apontou em casa (contra SC Braga, Rio Ave e, claro está, Feirense), todos serviram para abrir a contagem. Acabou a festejar com Sérgio Conceição, em jeito de agradecimento a quem lhe deu vida nova no Dragão.

Ao intervalo, Hernâni entrou para o lugar de Otávio, e pouco depois o técnico 'azul e branco' mexia no ataque, trocando Soares por Aboubakar. O camaronês estava em campo há três minutos quando tocou de forma notável para Brahimi. O argelino recebeu a bola no ar e com um belo pormenor tirou-a do caminho de Flávio Ramos, rematando de pronto para o momento alto da noite. Começam a faltar adjetivos para qualificar o talento de um jogador que nem há tanto tempo quanto isso estava encostado.

Com o 2-0, o FC Porto relaxou mas continuou por cima. Chegou mesmo a ter uma grande penalidade a seu favor, por falta de Briseño sobre Hernâni, mas o VAR alertou Luís Godinho de que a infração poderia ser fora, e o árbitro acabou por marcar livre. Quanto ao Feirense, que esteve quase sempre bem a defender, mas inofensivo no contra-golpe, ainda reduziu para lá do minuto 90, por Valencia. Nada que beliscasse a festa azul e branca, que seguiu pela noite dentro.

O momento

Minuto 59: Brahimi faz o 2-0, com um golo magistral que dispensa apresentações. Mérito também de Aboubakar na jogada.

A figura

Brahimi: Não só pelo golo de antologia que marcou, mas pela irreverência com que atacou e driblou meio mundo. A cereja no topo de uma época ao mais alto nível.

FC Porto campeão: a festa no relvado do Dragão
Brahimi, Marega e Aboubakar com o troféu de campeão @MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA créditos: © 2018 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Os treinadores

Sérgio Conceição: "Houve a particularidade de sermos campeões ontem. Deitámo-nos às quatro ou cinco da manhã, contra uma equipa que tentou fazer o máximo para levar um ponto e que só tinha mais quatro ou cinco golos que o Sporting e SC Braga. Queríamos brindar estes adeptos com uma vitória. Mas ainda não acabou, falta um jogo. Queremos atingir os 88 pontos."

Nuno Manta Santos: "Sabíamos que a missão era difícil, mas vínhamos com intenção de pontuar. Um ponto era muito bom para nós. O FC Porto entrou forte e pressionante. No melhor período de controlo nosso sofremos o 1-0. Para a segunda parte a ideia era mantermo-nos equilibrados para a segunda parte, mas sofremos o segundo golo quando mexi. Aí ficou mais difícil. Fomos criando algumas ocasiões, e fizemos o golo nos descontos. Mas já não deu."

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