O Benfica somou sexta-feira o seu 16º jogo seguido a ganhar para a I Liga portuguesa. Um registo impressionante, a somar a outros que vem somando sob as ordens de Bruno Lage. Contudo, esta vitória - como já tinha sucedido na última que obteve em casa, no início do ano, frente ao Desportivo das Aves - chegou com algum sofrimento.

Ao contrário do que tinha sucedido nesse jogo - e também no último disputado no Estádio da Luz, contra o Rio Ave, esse a contar para a Taça de Portugal - o Benfica, desta vez, até marcou primeiro, por Carlos Vinícius, e chegou ao intervalo a vencer por 2-0 graças a um golo de um inspitado Taarabt. Mas viu o adversário reagir no segundo tempo e o Belenenses, que na época passada tinha empatado na Luz depois de estar a perder por dois golos sem resposta, ameaçou repetir a gracinha. Reduziu a desvantagem depois de por várias vezes testar Vlachodimos e, apesar de o Benfica ter voltado a marcar, por Chiquinho, os 'azuis' reduziram de novo, por Licá, de penálti, e os instantes finais da partida foram de algum nervosismo entre as 'águias'.

A vitória, contudo, não fugiu e permite ao Benfica chegar aos 54 pontos e colocar pressão sobre o FC Porto, que este sábado visita o V.Setúbal, antes de 'águias' e 'dragões' se encontrarem no próximo fim-de-semana, no terreno dos 'azuis e brancos', onde os atuais campeões nacionais poderão mesmo dar o xeque-mate rumo à revalidação do título.

As equipas

Taarabt foi a novidade no Benfica

Bruno Lage surpreendeu ao colocar no meio-campo Adel Taarabt. O marroquino tinha vindo a perder espaço desde a chegada de Julian Weigl, mas desta vez jogou ao lado do alemão, com Gabriel a ficar de fora, e acabou por se revelar uma aposta ganha por parte do treinador do Benfica.

Onze do Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Ferro, Rúben Dias, Grimaldo, Weigl, Taarabt, Pizzi, Rafa, Cervi, Carlos Vinícius

Já do lado do Belenenses SAD, Petit, a realizar o seu terceiro jogo à frente dos 'azuis', apostou no esquema que tem vindo a tentar introduzir na equipa, com cinco defesas e laterais projetados para o ataque.

Onze do Belenenses SAD: Moreira, Esgaio, Gonçalo Silva, Chima, Nilton, André Santos, Nuno Coelho, Show, Varela, Cassierra, Licá

O Jogo

Marroquino a brilhar na primeira parte, fantasma a pairar na segunda

O Benfica entrou no encontro com alguma passividade e acabou por ser o Belenenses a chegar mais vezes junto da baliza contrária nos primeiros minutos. O perigo, contudo, escasseou na primeira meia hora de jogo e só surgiu de bola parada, na transformação de livres diretos, com Grimaldo de um lado e Silvestre Varela do outro a obrigarem os guarda-redes adversários a brilharem.

Aos poucos, porém, o Benfica começava a acelerar e, quando o fez, o golo surgiu. Estavam decorridos 31 minuos quando Vinicius colocou a bola no fundo das redes, assinando o seu 17º golo da temporada, o 12º na I Liga. Um golo que teve na sua origem uma fantástica jogada de Taarabt, que se ia exibindo em excelente plano no meio-campo 'encarnado', mostrando toda a sua qualidade técnica.

Uma qualidade que saltou novamente à vista quando ele mesmo elevou para 2-0, aos 38 minutos, no seguimento de um pontapé de canto. O Benfica saiu para os balneários a vencer por 2-0 e pensou-se que iria ter uma segunda parte tranquila.

Pura ilusão...as 'águias' entraram algo apáticas no segundo tempo, o Belenenses SAD entrou bem mais afoito e o perigo foi rondando, de forma crescente, a baliza dos da casa. Vlachodimos ainda adiou o primeiro dos visitantes por algumas vezes, mas o golo acabou mesmo por surgir, depois de uma jogada de Varela pela esquerda, com Ferro a introduzir a bola no fundo da própria baliza na tentativa de se antecipar a Licá.

À memória de muitos terá vindo a visita do Belenenses SAD à Luz na temporada passada. Também aí o Benfica tinha chegado aos 2-0 para depois esbanjar a vantagem e ver o jogo chegar ao fim com uma igualdade 2-2, naquele que foi um dos dois únicos encontros que Bruno Lage nao venceu para a I Liga desde que assumiu o leme da equipa principal das 'águias'.

Chiquinho, porém, que tinha saltado do banco pouco antes do golo do 'Belém' para substituir Pizzi - estaria Lage já a pensar no jogo do Dragão? - deu o melhor seguimento a uma bonita jogada que começou em Rúben Dias e passou por Vinícius para recolocar a vantagem em dois golos. Agora sim...tudo decidido!

Ou não...é que ainda houve tempo para o Belenenses reduzir de novo, agora de penálti, por Rafa, e fazer o fantasma do encontro da época transata voltar a pairar. Um fantasma que, ainda assim, e por entre algum (bem evidente) nervosismo, o Benfica conseguiu exorcizar, segurando o 3-2 até ao fim.

E, assim, vão 16 vitórias seguidas na I Liga para o Benfica - o segundo melhor registo de sempre da história da competição. Mais importante, a garantia de uma visita ao Estádio do Dragão, daqui a uma semana, com a segurança de (pelo menos) sete pontos de vantagem na tabela classificativa. A caminhada rumo à revalidação do título prossegue a todo o gás.

Quanto ao Belenenses, apesar da boa atuação e do susto que acabou por causar, somou mais uma derrota. A quinta nos últimos seis jogos e a segunda em três jogos sob as ordens de Petit, que deixa a equipa no 15º lugar da classificação, para já quatro pontos acima da linha de água.

O Momento

Chiquinho tranquilizou...pelo menos por alguns instantes

O Belenenses tinha reduzido para 2-1, estava por cima no jogo e ameaçava o empate quando Chiquinho, isolado por Carlos Vinícius após um grande passe de Rúben Dias, aguentou a pressão de Gonçalo Silva, tirou André Moreira da frente e atirou para o fundo da baliza vazia fazendo então o 3-1. Um golo decisivo, apesar do que ainda se iria passar.

Os Melhores

Taarabt, Vinícius e Vlachdimos decisivos no Benfica, veteranos deram cartas nos visitantes

Foi aposta surpresa de Bruno Lage e correspondeu em pleno. Taarabt foi uma das figuras do jogo e, certamente, o melhor homem em campo na primeira parte, com um golo - o seu primeiro de 'águia' ao peito - e mais alguns lances de encantar, como o que esteve na origem do golo de Carlos Vinícius.

Também o brasileiro esteve em grande. Mais um golo e mais uma assistência. Definitivamente, o Benfica acertou em cheio na sua contrataçõ. Como acertou quando acabou por não contratar outro guarda-redes para roubar a titularidade a Vlachodimos. É que o grego continua a provar que é um daqueles guarda-redes que vale (muitos) pontos. Frente ao Belenenses efetuou mais um punhado de grandes - e decisivas - intervenções.

Do lado do Belenenses evidenciaram dois veteranos. Silvestre Varela mostrou a qualidade técnica que sempre evidenciou e deu muito trabalho a André Almeida. Licá também esteve inspirado, com um golo e 'meio'. Não deu hipóteses a Vlachodimos na transformação da grande penalidade com que reduziu para 3-2 e já tinha sido ele a dividir o lance com Ferro no lance do 2-1.

Os Piores

Um capitão com a cabeça noutro lado?

André Almeida entrou em campo em risco de exclusão. Um cartão amarelo iria afastá-lo da visita ao Estádio do Dragão e foi evidente que o capitão dos 'encarnados' tinha consciência disso. Coincidência - ou nem tanto quanto isso - foi pelo seu lado que nasceram os dois golos do Belenenses, com o lateral-direito a mostrar uma passividade (leia-se falta de agressividade) que não costuma ser comum.

As reações

Lage: "Foi um jogo muito difícil, mas a vitória foi justa"

Petit: "Mas acho que é um resultado injusto por tudo aquilo que aqui fizemos"

Taarabt sobre a felicidade do golo e a premonição de Rui Costa

Nuno Coelho: "Estamos frustrados"

O Resumo

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