Não foi uma entrada avassaladora do Benfica no campeonato, contrariamente ao que havia acontecido duas horas antes, no Dragão, - até porque, convém não esquecer, o adversário era o SC Braga - mas a vitória 'encarnada' serviu fundamentalmente para perceber duas coisas: por um lado, que a pré-época e os resultados que dela advieram já passaram à história. Bem fez Jorge Jesus ao reconhecer que os jogos de preparação tinham o seu quê de subjetivo, e se a Supertaça já havia de certa forma confirmado essa teoria, o encontro desta quarta-feira encerrou a questão em definitivo.

Benfica 3-1 SC Braga: O campeão voltou
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Tal como no duelo com os vimaranenses, a equipa de Rui Vitória apresentou-se em campo com o "bicho competitivo" na cabeça. Só assim pôde anular as tentativas dos minhotos em surpreender o adversário logo ao início. Os 'encarnados' não perderam tempo em assumir o controlo do jogo e o primeiro golo surgiu com a maior das naturalidades, com selo da nova dupla sensação do campeonato. E é precisamente esta a segunda grande ideia a retirar deste Benfica-SC Braga.

Sociedade Jonas-Seferovic a dar frutos

O primeiro está há três temporadas na Luz, tem 'samba no pé' e, mais importante do que tudo, enorme inteligência a jogar. Houve quem dissesse que estava mais perto da reforma do que da liderança dos melhores marcadores. O segundo chegou apenas neste defeso, olhado com alguma desconfiança por parte dos adeptos, oriundo da Suíça - mas com ascendência bósnia, daí o nome de família - tem menos oito anos do que o brasileiro (Jonas tem 33, Seferovic 25), mas já mostra um grande à vontade sob o comando de Rui Vitória.

Apesar das diferenças, ambos parecem entender-se às mil maravilhas dentro das quatro linhas. Basta olhar para os números: um golo para cada um - repete-se a história da Supertaça - e o maior número de oportunidades de perigo criadas. O avançado brasileiro foi magistral na forma como descobriu o suíço entre os centrais bracarenses, cruzando para o segundo poste, onde Seferovic só teve de encostar de carrinho. Aos 14 minutos, estava feito o primeiro.

Para a posteridade fica também a facilidade de remate do ex-jogador do Eintracht Frankfurt. Além do golo, ainda obrigou o guardião dos 'arsenalistas' a aplicar-se em pelo menos três ocasiões e mostrou grande entrosamento com o restante plantel. Rui Vitória pode ficar descansado no que diz respeito ao setor ofensivo. O mesmo não se pode dizer em relação a Kostas Mitroglou, ainda a recuperar de lesão, que corre sérios riscos de perder espaço para Seferovic.

Um quarto de hora depois, novo lance de génio de Jonas. Viu ao longe o cruzamento de Pizzi - mais uma exibição sólida do número 8 - mas em vez de se fazer ao lance, preferiu esperar pelo erro de Raúl Silva para depois disparar, de primeira, para o fundo da baliza de Matheus. Abel Ferreira falou, durante a conferência de imprensa, e com alguma razão, diga-se, na disparidade de orçamentos que existe entre as equipas da Liga. Só que Jonas e Seferovic chegaram ao Benfica a custo zero...

Afinações a fazer na defesa

Tal como no duelo com o Vitória de Guimarães, o Benfica voltou a demonstrar que está longe de ser uma equipa perfeita. Porque nem sempre consegue travar as investidas do adversário. Quando menos se fazia prever, Hassan relançou a partida numa jogada que deixou a nu todas as fragilidades defensivas da equipa de Rui Vitória: foi ver Ricardo Esgaio deixar Eliseu fora da jogada com um passe para Hassan, que picou a bola sobre Bruno Varela já depois de ter ultrapassado Jardel.

O SC Braga estava vivo, o que fez com que o jogo raramente perdesse intensidade - exceção feita aos 15 minutos finais. Chegou a temer-se o pior quando Hassan voltou a marcar para os visitantes, mas o jogador estava em posição irregular - nem era preciso a confirmação do videoárbitro. Foi o primeiro de dois golos invalidados aos minhotos, com o segundo a gerar um enorme coro de protestos.

A equipa de Abel Ferreira tinha aqui a oportunidade ideal para carregar sobre os 'encarnados', explorando, acima de tudo, o contra-ataque, mas viu-se traída quando Rosic desviou o cruzamento de Cervi, servido por mais um grande passe de Jonas, em direção à baliza aberta de Matheus - o toque de Salvio serviu apenas para confirmar o inevitável.

Até ao apito final ainda houve tempo para colocar Filipe Augusto em campo e dar alguns minutos a Diogo Gonçalves. Nesta altura, o SC Braga já nada podia fazer - percebe-se que a equipa ainda está em processo de construção e de assimilação das ideias do seu treinador - e o Benfica manteve-se invencível na sua fortaleza pelo 24.º jogo consecutivo para o campeonato.

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