Não foi preciso esperar pelo apito final nos Arcos para recordar as palavras de Manuel Machado, que na semana passada trazia à baila um discurso que tem vindo a ganhar força esta temporada. Dizia o técnico do Moreirense, após a derrota por 0-3 no Dragão, que aquele era "um tipo de resultado que não interessa à modalidade".

"Ou promovemos o equilíbrio ou então esta desigualdade acaba com o negócio, a curto ou médio prazo. Isto não tem interesse nenhum. Tirando os três grandes clubes, são todos carne para canhão". O desnivelamento existe, de facto, mas se um Leicester pode triunfar no campeonato mais competitivo do Mundo, por que não pode uma equipa dita 'pequena' fazer frente a um Benfica, Sporting ou FC Porto?

Este sábado, não só Manuel Machado viu o seu Moreirense derrotado pelo Tondela pelos mesmos 0-3 com que havia 'caído' no Dragão, como também houve um Rio Ave que provou ser possível jogar como equipa grande, frente a um grande. Não apenas para o empate, com o habitual 'autocarro' instalado no último terço do terreno, à espera do mínimo erro do adversário para, quiçá, surpreendê-lo num lance de bola parada ou no contra-ataque. Como? Simples: jogando bom futebol.

Rio Ave e um meio-campo de luxo

Miguel Cardoso tinha prometido uma equipa competitiva, fiel ao que havia demonstrado neste arranque de campeonato e cumpriu: um Rio Ave que desde cedo reclamou a bola para si, e que com isso conseguiu anular um Benfica que, até ao intervalo, não conseguiu um único remate enquadrado com a baliza de Cássio. O mesmo Benfica que, dias antes, havia esmagado o Belenenses, estava agora com dificuldades em acertar no processo ofensivo, muito por culpa da qualidade do meio-campo rioavista e de dois criativos - Francisco Geraldes e Rúben Ribeiro - que souberam ler o jogo como ninguém. Foram eles os grandes impulsionadores do ataque vilacondense e os responsáveis pelo 'desaparecimento' em campo de Pizzi e Jonas.

Rafa rende Salvio no onze do Benfica frente ao Rio Ave
Rafa rende Salvio no onze do Benfica frente ao Rio Ave
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Rui Vitória apenas trocou Salvio por Rafa - acabaria por ser forçado a lançar Lisandro para o lugar de Jardel - mantendo a espinha dorsal que goleou os azuis do Restelo, mas foi a equipa que há duas jornadas visitou o Chaves, com um golo fora de horas de Seferovic, que apareceu em campo na noite passada. Simplesmente porque lhe faltava aquilo que tanto gosta e que faz parte do seu 'modus operandi': ter bola.

Ainda assim, porque não há exibições perfeitas, o Benfica podia ter beneficiado do único deslize dos vilacondenses, quando Cássio cometeu dois erros sucessivos que poderiam ter dado outro rumo ao jogo. Antes disso, já Varela tinha negado uma tentativa de chapéu de Geraldes (5′) e Guedes tinha rematado por cima, na área (22') - voltou a estar perto do golo aos 33 minutos, quando, da marca de penálti, rematou para o espaço.

Infelicidade de Lisandro, frieza de Jonas

O início da segunda parte trouxe um Benfica mais atrevido e organizado, à procura, porventura, que o adversário acusasse a intensidade dos primeiros 45 minutos, tal como havia acontecido em Trás-os-Montes. Cervi esteve perto do golo aos 57', mas foi a equipa da casa, numa altura em que o jogo estava mais repartido, a colocar alguma justiça no marcador, num lance infeliz por parte dos 'encarnados': Geraldes deu o mote, Bruno Teles cruzou para a área, Bruno Varela antecipou-se a Guedes mas desviou a bola contra Lisandro, fazendo com que esta seguisse em direção à baliza.

Foi sol de pouca dura. Estar em vantagem frente a um 'grande' não é o mesmo que estar em vantagem frente a uma equipa 'pequena' e foi uma questão de minutos até que Hugo Miguel visse o puxão de Marcão a Jonas, na área (66). Tendo apenas Cássio pela frente, o brasileiro voltou a fazer o que melhor sabe (desengane-se quem pensa que é 'sacar' penáltis, até porque a falta é clara) pela quinta vez no campeonato. É, até ver, o melhor marcador isolado da competição.

Tivesse Zivkovic entrado mais cedo...  

Na altura do 1-1, já Cervi tinha saído para dar lugar a Zivkovic. A avaliar pela meia-hora de jogo em campo, não se percebe o porquê de o extremo sérvio ter entrado tão tardiamente. Foi o 'boost' que o Benfica precisava para partir para cima do adversário e tentar chegar ao 2-1, e a verdade é que esteve lá perto. Rafa (70’) e Seferovic (75’), contudo, esbarraram em Cássio, aqui a redimir-se dos erros da primeira parte. Raúl Jiménez, o 'salvador' de Rui Vitória nas últimas duas visitas a Vila do Conde, também tentou a sua sorte nos minutos finais, mas o guarda-redes dos vilacondenses já tinha trancado a baliza, assim como Bruno Varela, que, dez minutos antes, ainda viu o ex-benfiquista Nuno Santos rematar bem perto do poste.

Ora nem o Rio Ave conseguiu o histórico registo de cinco vitórias consecutivas no arranque da temporada nem Rui Vitória conseguiu o quinto triunfo diante dos vilacondenses desde que assumiu o comando técnico das 'águias'. Na noite em que ninguém jogou para o empate, foi com o empate que ambas as equipas saíram dos Arcos. A liderança, essa, ainda lhes pertence, mas FC Porto e Sporting já esfregam as mãos perante a oportunidade de ultrapassar o tetracampeão.

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