O candidato à presidência do Sporting João Benedito assegurou que não vê uma situação “calamitosa” nas contas da SAD dos ‘leões’ e que a sua estratégia, caso seja eleito, no sábado, passa pelo recurso ao financiamento na banca.

Em entrevista à agência Lusa, o rosto da lista A considerou que o tema das finanças ‘leoninas’ tem sido empolado por outras candidaturas e lembra exemplos dos rivais Benfica e FC Porto para fazer a defesa da aposta em novos empréstimos obrigacionistas.

“O Sporting, juntamente com as vendas que fez de William e Piccini, precisará em novembro de mais 60 milhões de euros (ME) para cumprir com o empréstimo obrigacionista anterior e mais 30 ME para questões de tesouraria. Até final do ano, com estes 85 ME, a situação está regularizada. Daqui para a frente iremos avaliar o que mais é necessário. Em termos de estratégia, iremos aos mercados para arranjar investidores”, explicou.

O antigo guarda-redes do futsal do Sporting apontou como crucial aproveitar “o que foi bem feito” na anterior direção, liderada por Bruno de Carvalho, e deu o exemplo da reestruturação financeira, que tenciona prosseguir e “tentar melhorar”, prometendo que o Sporting vai continuar sempre a manter a maioria do capital da SAD.

“Temos de nos sentar para negociar, para tentar que o Sporting tenha mais capital dentro da SAD e que seja sempre – e assim o será connosco - o acionista maioritário da SAD. Porque o clube é um só”, frisou, complementando: “Aqueles que vão representar o Sporting vão ver na sua cúpula diretiva um exemplo daquilo que foi a conquista de títulos.”

Uma das apostas de João Benedito para o futuro passa pela entrada em cena de um CEO. Porém, o candidato à presidência leonina esclarece que o poder vai continuar nas suas mãos e que este executivo – cujo nome não vai divulgar se não vencer – terá a seu cargo “áreas não desportivas” do clube.

“Queremos alguém que seja transversal ao clube e à SAD para conhecer e ter a análise das áreas não desportivas. Queremos que seja alguém que possa gerir esta parte do clube, mas aplicando aquilo que nós definimos. Reporta sempre a mim e à Comissão Executiva, nós é que definiremos a estratégia”, referiu.

Paralelamente, o líder da lista A alertou para a necessidade de mudar o paradigma das últimas duas décadas no Sporting, no qual o plano desportivo foi menorizado sob a vertente financeira.

“Há um pensamento estratégico isolado e não congregador destas duas áreas. É aqui que reside a estratégia de intervenção, porque aquilo que é a independência de um clube é suportado pelos resultados desportivos. Tem de ser o pensamento desportivo a definir a estratégia”, vincou.

“O futebol do Sporting tem de ser integrado naquilo que é a cultura de vitória do clube. Reparámos que desde que houve a separação entre o clube e a SAD começámos a ver um clube separado, dividido entre as partes. E de que lado ficou a cultura de vitória? Do lado das modalidades. Infelizmente, temos de assumir isto”, conclui.u

As eleições no Sporting estão marcadas para sábado.

Além de João Benedito, concorrem ao ato eleitoral José Maria Ricciardi (lista B), Pedro Madeira Rodrigues (C), Frederico Varandas (D), Rui Jorge Rego (E), José Dias Ferreira (F) e Fernando Tavares Pereira (G).

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