"O calor anormal que se tem feito sentir desde Julho até Outubro faz com que a relva não cresça, não se multiplique e regenere, numa palavra, que não viva, mas sobreviva", explicou a mesma fonte, rebatendo as queixas do treinador da equipa de futebol Paulo Bento após o jogo de domingo com o Penafiel.

O problema foi agora trazido a público pelo técnico do Sporting, ao afirmar, depois do jogo da Taça de Portugal, que não percebia como era possível o relvado estar em tão más condições e que aquele tem prejudicado a equipa, que gosta de jogar ao ataque, privilegiando a posse e circulação de bola.

"Se a equipa joga pouco não é por causa da relva, o Sporting de Braga veio cá ganhar com uma excelente exibição, o Belenenses empatou e também fez um bom jogo", alegou a mesma fonte, recordando que o relvado da Fiorentina [adversário do Sporting na pré-eliminatória da Liga dos Campeões] "estava muito pior do que o de Alvalade".

No jogo com o Penafiel "o campo estava feio por causa da areia", mas em contrapartida não "levantou tufos, nem se rasgou", ao contrário do que sucedeu nos jogos com o Hertha de Berlim, para a Liga Europa, e com o Belenenses, para a Liga.

Apesar do "calor anormal" verificado este ano, o relvado do Sporting já foi substituído cinco vezes desde a sua inauguração, a 06 de Agosto de 2003, frente ao Manchester United, jogo em que o Sporting venceu por 3-1 e Cristiano Ronaldo convenceu Sir Alex Ferguson a "contratá-lo".

A última das quais em Junho passado, na sequência de um concerto do grupo musical AC/DC, mas a fonte do Sporting tem uma explicação para esse facto: "Há um problema de concepção do novo Estádio de Alvalade, que foi projectado sem ter em conta a necessidade de arejamento do relvado, sendo muito fechado, o que conduz à criação de microclimas".

"Quando a temperatura exterior é de 30 graus negativos, no interior do estádio atinge os 40 graus", observou, o que não sucede, por exemplo, no Estádio do Dragão, onde "o campo é bem mais arejado visto que os topos são bem abertos", ao passo que o de Alvalade "só tem uma entrada pela porta da Maratona, pelo que a circulação de ar é diminuta".

"Não sei se os arquitectos que projectaram o estádio do Dragão pensaram nisso ou não, mas a verdade é que propicia condições de arejamento da relva e beneficia ainda do clima no Porto ser bem mais fresco do que em Lisboa", referiu, aludindo também ao Estádio da Luz.

Segundo a mesma fonte, o recinto "encarnado" é "pior do que o do FC Porto", mas "melhor do que o de Alvalade", uma vez que apresenta "aberturas nos quatro topos", o que não tem, apesar disso, evitado "problemas de ventilação da relva".

De resto, a maior parte dos estádios modernos debate-se "com problemas de ventilação e luminosidade", como por exemplo o estádio do Bayern de Munique, que tem "'pivots' de luzes infra-vermelhas para compensar a falta de luz solar".

"O Arena de Amesterdão é uma das excepções porque foi concebido para que o relvado possa ser deslocado para o exterior do recinto", afirmou, ao mesmo tempo que manifestou a convicção de que a nova geração de estádios do futuro vai ser projectada tendo na conta devida estes dois vectores: ventilação e luminosidade do relvado.

"É o mesmo que um agricultor plantar ao ar livre ou numa estufa, onde as plantas são menos saudáveis e estão mais susceptíveis a apanhar doenças", assinalou.

A solução, desta vez, não vai passar por substituir, mais uma vez, o relvado: "Estamos a trabalhar no sentido de melhorar as condições do relvado, com a certeza de que a queda previsível das temperaturas para os próximos tempos, a juntar a alguma precipitação, irá ajudar e permitir que haja uma melhoria muito em breve, já para os próximos jogos em Alvalade". 

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