O caso Izmailov é complicado. São vários os relatos, quer do lado do Sporting, quer do lado do empresário do jogador russo. Em entrevista ao jornal I, Paulo Barbosa conta a sua versão.

Paulo Barbosa garante que Marat Izmailov quer ficar no Sporting e que a sugestão de ir a Moscovo foi sua. O agente do jogador russo avança, também, que após a “recusa” em jogar frente ao Atlético de Madrid, Costinha lhe ligou e disse que “falhando o Atlético de Madrid, não jogava mais com ele. Paulo Barbosa chama-lhe “intelectualmente desonesto”.

“O Costinha ligou-me e disse logo que, falhando o Atl. Madrid, não jogava mais com ele. Só depois falou com o Marat. À imprensa foi intelectualmente desonesto ao compará-lo com três companheiros. O jogador nunca disse que não queria ajudar, apenas que não podia! Se não fosse tornado público, passava despercebido. Premeditado? Não aconteceu por acaso. E Marat ficou magoado porque é um profissional exemplar. Na véspera do FC Porto, esteva a soro no hospital com uma virose e 12 horas depois jogou e fez 90 minutos”, relembra o empresário do jogador, acrescentando que, na sua opinião foi premeditado “para criar uma imagem”.

“Mas não quero ir por aí. Só digo que compreendo que os jogadores são sensíveis às novas estruturas e se forem de agente A ou B não jogam ou têm problemas”, sublinhou.

O Lokomotiv voltou a mostrar interesse em recuperar o camisola 7 leonino, tudo parecia encaminhado para Izmailov rumar ao seu pais natal, mas neste caso valeu a vontade do jogador que queria ficar no clube de Alvalade.

“Foi ele que recusou o Lokomotiv. Para o Sporting era um negócio importante e sentimos que era maior a vontade do jogador ficar do que o Sporting quisesse que ele ficasse. Mas ficou”, explicou.

Antes disso, a proposta de renovação com o Sporting estava bem encaminhada, mas acabou por não ir avante e, pelas palavras de Paulo Barbosa, parece que o Sporting não mostrou muito interesse em ficar com um dos seus melhores jogadores

“Não digo isso. Mas quando um clube quer muito um jogador faz tudo para que ele fique e isso não foi feito tudo. Numa primeira fase houve uma proposta para renovar que foi aceite. Passados quatro dias foi dito que não havia condições para essa proposta. Foi na fase pós-Sá Pinto. Ou no período pré-Costinha. A proposta foi feita na véspera do jogo em Braga, demorámos 24 horas a aceitar, mas quando o presidente veio do Brasil comunicou que não havia condições para isso. Não faz sentido recuar na renovação, até porque ganharia bem menos do que o tecto”, disse Paulo Barbosa.

 
O futuro de Izma em Portugal ainda é uma incógnita. No entanto, o empresário garante que o russo “por vontade própria quer ficar” e que “nem todos recusam um contrato a ganhar cinco vezes mais”. Todos estes “incidentes provocaram um abalo na confiança” do jogador” e Paulo Barbosa não sabe se há interesse do Sporting em mantê-lo na próxima época.

“Ninguém pode acusá-lo de ser o rei da noite ou de fazer 20 minutos num ano”, realçou.

Quanto à polémica ida a Moscovo, foi Paulo Barobosa quem deu o conselho a Izmailov, depois de o ver extremamente triste com a “expulsão da Academia”.

“Muito antes já se sabia que havia folga dupla. Tinha combinado ir ao consulado e avisara há muito. Fui a casa dele no dia em que foi expulso. Estava transtornado. Senti-o tão perturbado que dei o conselho: mete-te no avião, passa lá o fim-de-semana, se aceitarem eu vou ao consulado e voltas de cabeça limpa. Foi o que se passou. A história do consulado foi para não criar mais barulho, só.”, explicou, esclarecendo que Izmailov “não pediu desculpas, apenas lamentou não ter comunicado, mesmo sendo uma questão privada”

Paulo Barbosa também garante que “o Sporting sabia, por conversas durante a semana, que ia a Moscovo” e que ninguém lhe “ligou nem perguntaram onde estava”.

As relações com o Sporting tem vindo a ficar diferentes, desde a saída de Pedro Barbosa, em Novembro, após a demissão de Paulo Bento.

“Numa primeira fase, com Carlos Freitas e Pedro Barbosa, cordial e profissional; depois, com Sá Pinto e até hoje, passaram a exigir garantias de representatividade, deixaram de atender telefones, diziam para fazer algumas propostas por sms”, disse.

E é, nesta fase, que entra uma guerra silenciosa com a Gestifute, que não considera que “mande no Sporting”, mas que há uma “clara orientação nesse sentido e isso cria problemas de dependência”.

“Aparentemente existe uma orientação para o Sporting ter jogadores que pertencem à mesma empresa [a Gestifute, do agente Jorge Mendes]. Vimos essa experiência noutros clubes, nem sempre é positivo e basta ver o que se passou no Dínamo Moscovo. Não há agências que tenham a solução para tudo. E depois também existe a própria lógica de defender os seus interesses, o que pode gerar alguma conflitualidade mais tarde”, frisa, enumerando alguns dos nomes que andam ligados ao Sporting e que são agenciados pela Gestifue: André Villas Boas, Nuno Dias e o próprio Costinha.

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