O empresário de jogadores de futebol, César Boaventura, considerou esta quinta-feira ao SAPO Desporto que as recentes notícias de alegados aliciamentos de jogadores a envolver o seu nome têm relação direta com uma estratégia de comunicação do FC Porto para desviar as atenções da chegada de Rui Pinto a Portugal.

Recorde-se que o alegado 'hacker' implicado no roubo de correspondência privada de várias instituições desportivas, nomeadamente Sporting e Benfica, foi extraditado da Hungria para Portugal na sequência de um mandado de prisão internacional na sequência de uma queixa da empresa Doyen e do clube de Alvalade por roubo e divulgação de correspondência privada.

Em entrevista ao SAPO Desporto, César Boaventura garantiu que não tem nada contra o FC Porto, mas que não pode ficar parado quando o diretor de comunicação dos 'dragões' está sistematicamente a denegrir a sua imagem profissional.

"Eu não tenho nada contra o FC Porto, absolutamente nada. O que eu não posso admitir é que um indivíduo como o Francisco J. Marques ande há dois anos e meio a tentar 'colar-me' em coisas que são do pior porque me 'cola' ao presidente do Benfica. O presidente do Benfica tem uma ligação comigo como tem com os outros agentes [desportivos]", começou por dizer César Boaventura ao SAPO Desporto.

"O desespero do FC Porto é a chegada do Rui Pinto a Portugal e por isso neste momento estão a atacar toda a gente. Tem dúvidas que o Rui Pinto está envolvido no roubo e divulgação dos e-mails do Benfica? Há muitas provas que ligam o FC Porto ao caso dos e-mails e a esta comunicação de destruição", afirmou o conhecido empresário de jogadores, apontando o dedo à comunicação do FC Porto e do Sporting, num passado recente, para o atual clima no futebol português.

"O único cancro que o futebol português tem para este clima de violência chama-se departamento de comunicação da coligação. Qual coligação? A coligação Sporting-FC Porto, que é mais do que evidente", atirou César Boaventura.

Nas últimas semanas, o nome de César Boaventura tem sido associado a casos de alegados aliciamentos de jogadores de futebol para perder frente ao Benfica. Questionado sobre o impacto que este tipo de notícias tem tido na sua vida profissional, César Boaventura garante que continua a trabalhar normalmente e que as denúncias que tem feito nos últimos anos lhe têm dado razão.

"No meu trabalho, no dia a dia, não me sinto prejudicado, mas que alguns jogadores podem vir a afastarem-se de mim, podem. Eu não sinto que o meu nome esteja a ser 'manchado', eu sinto, sim, que eles [Sporting e FC Porto] estão a tentar manchá-lo, mas não conseguiram ainda. E cada vez mais as pessoas estão a dar-me razão", frisou César Boaventura.

Na última edição do semanário Expresso, o referido jornal tinha como chamada de primeira página: "Guarda-redes revela como foi aliciado para perder com o Benfica". A notícia implicava diretamente César Boaventura, mas ao contrário do que o título indicava, Cássio nunca falou com nenhum jornalista do Expresso, situação que Boaventura considera grave.

"O comentário que lhe posso dar é que o Cássio em momento algum falou sobre corrupção, em momento algum deu qualquer entrevista e [os jornalistas do Expresso] baseiam-se em fontes de uma chamada telefónica que a Polícia Judiciária tem de 2017, que eles 'acham' que sou eu. O que não é verdade porque nunca na minha vida de 39 anos fiz uma chamada ao Cássio ou tenho o número dele", atirou César Boaventura, para revelar uma troca de impressões com um dos jornalistas que assinou a peça.

"O Pedro Candeias antes de publicar o artigo sobre o Cássio mandou-me uma mensagem a dizer: 'tenho mais um jogador que diz que o tentaste corromper'. Eu perguntei-lhe, quem? Ao que ele me responde: 'o Cássio'. Então eu disse-lhe que o Cássio ia ter de pagar por aquilo que disse. Ontem, eu fui ao advogado para processar o Lionn e o Cássio, e liguei ao [Pedro] Candeias a avisá-lo que o ia indicar como testemunha por causa dessas alegadas declarações, ao que ele me responde: 'Não, o Cássio não me deu declarações nenhumas. Isso são fontes que nós temos, o Cássio nunca me disse nada.' Então disse-lhe que o ia processar a ele [Pedro Candeias] e chamei-lhe vigarista", revelou César Boaventura.

"Para mim a demissão [do diretor do Expresso] tem a ver com a notícia falsa sobre o Cássio em relação a mim. Tenho quase a certeza, então não bate nada certo, conversas telefónicas de 2017 quando ele [Cássio] foi alegadamente corrompido em 2016", sentenciou Boaventura sobre o assunto.

Questionado sobre a revelação que fez no Facebook [que João Capela ia apitar o FC Porto-Marítimo] sobre o árbitro que acabaria por ser nomeado para o jogo entre FC Porto e Marítimo, e que acabaria por levar Fontelas Gomes à Polícia Judiciária para prestar declarações, César Boaventura elogiou a iniciativa do presidente do Conselho de Arbitragem, mas não deixou de implicar Fontelas Gomes ao atual panorama da arbitragem em Portugal.

"Quando há um jogo entre FC Porto e Marítimo. E depois tens um jogo entre Moreirense e Benfica e trocam o árbitro desse jogo pelo árbitro do Desportivo das Aves-Desportivo Chaves? [Nuno Almeida por Artur Soares Dias] Porque eu o denunciei? O senhor Fontelas Gomes que faça a mala e se ponha a andar, que deixe o futebol em paz", começou por dizer César Boaventura.

"A culpa disto tudo é do presidente da arbitragem, que agora está a tentar desculpar-se. Acho que finalmente, o Fontelas Gomes tomou uma atitude correta para desmascarar o que se passa na arbitragem. Agora, só espero é que a Polícia Judiciária dê andamento a isso e espero que ele [Fontelas Gomes] não tenha pedido à Polícia Judiciária para que não se investigue", sentenciou o empresário de jogadores.

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