José Dias Ferreira assumiu ser o candidato certo para concluir a reestruturação financeira do Sporting, caso vença as eleições para a presidência do clube, no próximo sábado, e defendeu a necessidade de aumentar o valor da SAD 'leonina'.

“O que temos de fazer é tornar a SAD atrativa. Não é algo que se faça de um dia para o outro, mas o primeiro passo é adquirir essa maioria, equilibrar as contas, liquidar o que há para liquidar e depois gerir profissionalmente. Todo este conjunto vai servir a vida económico-financeira do clube. Se não apostarmos numa política correta naquilo que é o ADN do clube, lá no fim do meu mandato estaremos novamente numa outra reestruturação financeira”, afirmou.

Em entrevista à Lusa, o líder da lista F salientou a importância de contar com o apoio de Carlos Vieira, membro do Conselho Diretivo (CD) liderado pelo anterior presidente, Bruno de Carvalho, que viria a ser destituído em Assembleia Geral em 23 de junho e posteriormente suspenso na condição de sócio pela Comissão de Fiscalização por dez meses.

“Para a minha direção não posso contar com Carlos Vieira, porque está suspenso e com outros processos pendentes. Noutras circunstâncias, como presidente do CD, não deixarei de o ouvir. Estou ainda mais à vontade, porque, havendo uma auditoria de gestão e se amanhã apontarem alguma coisa a Carlos Vieira de menos correto, nessa altura tomarei as medidas”, frisou.

Apesar de recusar comentar a justiça da suspensão imposta a Carlos Vieira, Dias Ferreira enfatiza o papel do ex-dirigente na conceção da reestruturação financeira que poderá ajudar a equilibrar as contas e reforçar o controlo maioritário do clube na SAD.

“Não contar com a sua colaboração seria um ato de arrogância da minha parte. Carlos Vieira iniciou este processo da reestruturação, ele sabe que conheço o processo e que por isso me apoia, porque sabe que comigo a reestruturação financeira chega a bom porto. Não lhe imputo nenhum crime, nenhuma desonestidade, e tenho a melhor impressão e as melhores referências”, vaticinou.

Outro instrumento essencial no relançamento desportivo e financeiro do Sporting passa, no entender do jurista, pela reformulação da área de formação e ‘scouting’, apostando, para isso, no projeto de duas novas academias.

“A ‘menina dos nossos olhos’ são duas novas Academias. Uma relativamente ao futebol — ficando Alcochete apenas como centro de treinos da equipa principal e estágio para outras equipas –, mais perto de Lisboa, num concelho limítrofe. Aí, pomos também uma academia para as modalidades, para que se cumpra o nosso ADN em relação ao ecletismo”, explicou.

As mudanças estendem-se ainda à forma como os próprios atletas são formados, destacando a importância dos valores transmitidos aos jovens. A conclusão de Dias Ferreira moldou-se pela “angústia” sentida ao ver as rescisões de futebolistas durante este verão terem sido encabeçadas por jogadores oriundos das camadas jovens do clube.

“É uma tristeza, não posso dizer que isso não me tenha perturbado. Em 2016 vivemos o Campeonato da Europa e olhamos para uma fotografia com 10 elementos da seleção que eram sportinguistas de formação. Olhámos para essa fotografia com orgulho e quando olhamos hoje sinto uma revolta. Se os condeno? É difícil. Se calhar, não os formámos com os valores todos que tínhamos”, conclui.

Além de José Dias Ferreira (lista F), concorrem ao ato eleitoral João Benedito (A), José Maria Ricciardi (B), Frederico Varandas (D), Rui Jorge Rego (E) e Fernando Tavares Pereira (G).

Madeira Rodrigues avançou com uma candidatura mas acabou por desistir a favor de Ricciardi.

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