Os sócios do Benfica vão ser chamados na sexta-feira a escolher entre Luís Filipe Vieira, que vê o clube perder o rumo se não for reeleito, e Rui Rangel, que já deixou de ter compreensão para o atual presidente.

De um lado, a continuidade, de alguém que procura um quarto mandato e que arregimentou alguns críticos das últimas eleições, do outro, a voz do descontentamento, de quem está farto de «promessas não cumpridas».

«O meu objetivo é unir, mas não esperem que fique de braços cruzados quando alguns querem voltar atrás e comprometer tudo o que foi feito até aqui, tudo quanto conseguimos nestes anos», disse Vieira no lançamento da sua candidatura.

Presidente desde 2003, após dois anos como responsável pelo futebol profissional, Luís Filipe Vieira diz que os sócios «têm de decidir se querem que o Benfica tenha futuro ou se querem comprometer 11 anos de trabalho».

Durante a sua gestão, a que mais investiu no futebol, a conquista de dois títulos de campeão nacional, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e quatro edições da Taça da Liga foi mais do que os três antecessores conseguiram no mesmo espaço de tempo, mas pouco para os “hábitos” ganhadores do clube e muito pouco aos olhos dos adeptos, que vêm assistindo ao acumular de títulos do FC Porto.

O 33.º presidente “encarnado”, de 63 anos, tem a seu favor o facto de ter devolvido ao Benfica alguma estabilidade, exemplificada pela manutenção de Jorge Jesus como treinador pela quarta época consecutiva, mas é no elevado passivo da SAD e do clube, a superar os 400 milhões de euros, que poderá estar o seu maior inimigo.

«Os próximos quatro anos vão ser muito difíceis e exigentes, vão obrigar a um grande esforço. Vão ser anos de muitas dificuldades económicas em que vamos ter de respeitar os nossos compromissos», advertiu Vieira no lançamento da candidatura, depois de as contas do clube, com um prejuízo de 12,9 milhões e um passivo de 113,4 milhões, terem sido chumbadas em Assembleia-Geral.

A seu lado na Lista A vai ter, entre outros, José Eduardo Moniz, vice-presidente da Ongoing Media, antigo diretor da RTP e da TVI, que há três anos era um dos rostos da oposição, tendo ponderado uma candidatura, e que hoje é um dos focos das críticas de Rangel, para quem o ciclo de Vieira tem de terminar por aqui.

«Tudo na vida tem um tempo e o desta direção chegou ao fim. O tempo de uma direção que há dez anos anda sempre a pedir mais tempo, mais compreensão, porque agora é que vai ser», disse Rui Rangel, na apresentação da lista B.

Apesar de reconhecer mérito ao presidente no primeiro mandato na credibilização do clube, o juiz desembargador, de 56 anos, entende que Vieira falhou na construção de uma equipa de futebol ganhadora perante «um capital de confiança único, paz e condições» oferecidos pelos sócios.

Os reparos de Rangel, que destaca a supremacia do FC Porto e promete inverter a falta de aposta na formação e a “estrangeirização” da equipa de futebol, estendem-se à situação financeira do clube e ao «passivo galopante», que, na sua opinião, empurra o Benfica para «uma plataforma sem autonomia». A sua receita passa por emagrecer a estrutura de custos, nomeadamente reduzir a massa salarial.

Denunciando a existência de «zonas nebulosas e um balanço escondido» e com uma auditoria já prometida se for eleito, Rangel lamentou a quebra de lealdade de Moniz e realçou «o conflito de interesses evidente» entre «um participante do fundo [de jogadores], a Ongoing, e um candidato a vice-presidente».

Quem for eleito, terá nos braços um dossier determinante para o equilíbrio financeiro, a renegociação dos direitos televisivos, que Rangel considera «demasiado tentadora para ficar nas mãos de pessoas que gostam mais do negócio e menos do Benfica».

Os sócios, que em 2009 elegeram Vieira com quase 92 por cento dos votos, terão a palavra na sexta-feira, entre as 10h00 e as 22h00, e poderão votar no Estádio da Luz, em Lisboa, nas Casas do Benfica de Famalicão, Coimbra, Évora, Faro, ou através da internet, para os residentes nas regiões autónomas e no estrangeiro.

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